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Moradores bloqueiam acesso a Mosqueiro em protesto contra a precariedade da saúde no distrito

Os manifestantes utilizaram galhos de árvores e pneus incendiados para interromper completamente o tráfego de veículos

O Liberal

Moradores de Mosqueiro, distrito de Belém, realizaram um protesto na manhã desta sexta-feira (15) e bloquearam a rodovia que dá acesso ao portal de entrada da ilha, que pertence à capital paraense. A manifestação foi motivada por reclamações relacionadas à precariedade no atendimento de saúde no Hospital Geral de Mosqueiro. Denúncias recentes que circulam nas redes sociais apontam falta de leitos de UTI, aparelho de tomografia, UTI móvel, leitos de obstetrícia, estrutura insuficiente e demora na transferência de casos graves.

Durante o ato, os manifestantes utilizaram galhos de árvores e pneus incendiados, interrompendo completamente o tráfego de veículos nos dois sentidos da via. A fumaça provocada pela queima dos objetos também dificultou a visibilidade no local. Segundo os moradores, o ápice para a realização do protesto foi a situação de um paciente, João Pedro Gonçalves da Silva, que está no hospital esperando pela liberação de um leito. A situação é crítica e falta suporte adequado.

Em vídeos divulgados nas redes sociais, participantes do ato afirmam que a mobilização foi uma forma de chamar atenção para o que classificam como descaso no sistema público de saúde do distrito. Os manifestantes disseram ainda que a interdição permaneceria até que medidas fossem adotadas e as pessoas tivessem um retorno. Por conta do bloqueio, motoristas enfrentaram transtornos para entrar e sair do distrito.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) informou que “já enviou uma equipe do Samu para fazer a transferência do paciente João Pedro Gonçalves da Silva para o leito de UTI de um hospital credenciado ao SUS, na capital”. Até por volta das 14h30 desta sexta-feira, o paciente ainda não tinha sido transferido.

Layse Melo, uma das moradoras, relatou que o protesto reúne diferentes reivindicações ligadas à falta de estrutura hospitalar em Mosqueiro. Há alguns dias, o primo dela morreu após aguardar por um leito hospitalar e não ter retorno das autoridades de saúde. “A manifestação aconteceu pelo fato de a saúde aqui de Mosqueiro estar largada. Não tem UTI, não tem leito. A pessoa, quando passa mal, só fica entubada e espera semanas”, declara.

Ela também contou que o primo sofreu um AVC e aguardou durante uma semana por transferência para Belém. Segundo a moradora, quando o paciente finalmente conseguiu o leito, já não havia mais possibilidade de reversão do quadro clínico. “Pela demora que teve para conseguir um leito, não tinha o que ser feito. Aí passou somente um dia em Belém e ele faleceu”, afirma.

“Nosso familiar padeceu por 7 dias no hospital geral de Mosqueiro, fizemos manifestações nas redes sociais e precisamos ajuizar uma ação judicial no MP para conseguir um leito. Infelizmente, quando nós conseguimos um leito de UTI, já era tarde demais e ele não resistiu e faleceu. É um descaso no hospital de Mosqueiro. A saúde aqui fica em terceiro plano", lamenta.

A moradora da ilha ainda completa: “Perdi o meu primo por falta de um suporte necessário, ele faleceu aos 39 anos vítima de um suposto AVC que poderia ter sido tratado a tempo e hoje ele estaria com os seus três filhos, que hoje estão órfãos”.

Ainda de acordo com a manifestante, há outros pacientes internados há semanas aguardando transferência hospitalar. “Está sendo uma mistura de todas essas reclamações, pelos pacientes que morreram e pelos que estão precisando de leito. “Muitos pacientes estão falecendo pelo mesmo problema, a falta do básico para um hospital. Leito de UTI não tem. UTI móvel também não tem. Aparelho de TC não tem. Se uma gestante entrar em trabalho de parto e morrer, ela e a criança, porque aqui não se faz parto normal e muito menos cesariana", reforça Layse.

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