Missa pela paz reúne fiéis e comunidade libanesa em Belém diante da guerra no Oriente Médio
Celebração na Catedral Metropolitana atende apelo do Papa e reforça laços históricos entre paraenses e o Líbano
A Catedral Metropolitana de Belém foi palco, neste domingo (12/04), de uma missa especial pela paz que reuniu fiéis e integrantes da comunidade libanesa da capital paraense. A celebração, presidida pelo monsenhor Agostinho Cruz, ocorreu em sintonia com o apelo do Papa Leão XIV por uma vigília global de oração diante da escalada de conflitos armados, especialmente no Oriente Médio.
Com forte presença no Pará, descendentes de libaneses participaram do momento de fé e solidariedade, marcado por emoção, preocupação com familiares no exterior e pedidos pela interrupção da violência.
Igreja convoca oração diante da violência global
Segundo o monsenhor Agostinho Cruz, vigário-geral da Arquidiocese e cura da Catedral de Belém, a celebração responde diretamente ao chamado do pontífice.
“A Arquidiocese está respondendo ao pedido do Papa Leão XIV para que sejam elevadas orações invocando a paz para o mundo que entrou numa escalonada onda de violência nos últimos tempos. A guerra não pode ser a resposta para nenhum problema. A guerra deixa um rastro de destruição”, afirmou.
Ele destacou ainda a importância da união espiritual diante do cenário internacional.
“Segundo o Papa, ‘a oração de todos rompe a cadeia demoníaca do mal’. […] Basta uma migalha de fé para enfrentarmos juntos este momento dramático da história”, acrescentou.
Comunidade libanesa sente impacto direto do conflito
A celebração teve participação expressiva da comunidade libanesa, que possui forte presença histórica no Pará. Estima-se que mais de 400 mil descendentes vivam no estado, atuando em diversos setores da sociedade.
Vice-presidente do Clube Monte Líbano, que representa a comunidade libanesa no Pará, Muzaffar Said ressaltou o impacto emocional da guerra para quem mantém vínculos familiares com o país de origem.
“O conflito no Líbano impacta a gente, impacta a minha família, impacta todos nós. Lá estão nossos irmãos, nossos primos, nossos parentes. Isso mexe com a gente”, declarou.
Ele também destacou o sentimento de pertencimento duplo.
“Nós temos duas pátrias — Brasil e Líbano. […] Por isso que esse conflito lá mexe com a gente”, declarou.
Para Said, a participação na missa representa esperança. “Essa missa é uma pequena amostra para reinar a paz no Líbano. […] A fé é o grande refúgio, é a tranquilidade”, afirmou.
Fé como suporte diante da dor e da incerteza
Entre os participantes, o sentimento predominante era de apreensão com o cenário de guerra. O belenense Michel Bestenes, também descendente de libaneses, relatou os impactos psicológicos da crise.
“O trauma contínuo, a incerteza sobre o futuro e a repetição do deslocamento […] geram um profundo estresse psicológico”, afirmou.
Para ele, a missa simboliza união e compromisso coletivo. “É um ato de profunda união, interseção e compromisso fraterno”, disse.
Bestenes também ressaltou o papel da espiritualidade: “Que Jesus Cristo seja a luz a brilhar, sempre, em nossas vidas. Possamos refletir fé, esperança e caridade.”
Apelo por paz e consciência global
O desembargador do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), César Mattar Júnior, que também tem origem libanesa, reforçou que o sofrimento ultrapassa fronteiras.
“Quando o Líbano sangra e sofre nossos amigos e parentes, sangramos todos”, afirmou.
Ele destacou a importância da oração como caminho de esperança.
“Não podemos desistir da paz e do bom senso. A oração é o mais curto caminho para recorrermos a Deus […] por um mundo sem guerras”, disse.
Palavras-chave