Marinha investiga atuação de estudante de medicina sem diploma em hospital militar de Belém
Instituição informou que instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar o caso após receber informações de outros órgãos
A Marinha do Brasil informou, na tarde deste sábado (23), que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a suposta atuação irregular de um estudante de medicina como médico em uma unidade hospitalar da instituição, em Belém.
O caso envolve um homem identificado como Wesllem Henrique Piedade Mesquita, estudante da Universidade Federal do Pará (UFPA), que, segundo informações obtidas pela reportagem, não teria concluído oficialmente o curso de medicina, mas ainda assim estaria exercendo atividades ligadas à profissão dentro da Marinha.
As denúncias chegaram à reportagem por meio de uma fonte que preferiu não se identificar por questões de segurança. Segundo os relatos recebidos, o estudante teria conseguido ingressar no serviço militar destinado a médicos recém-formados mesmo sem ter concluído todas as exigências acadêmicas necessárias para a colação de grau.
Em nota enviada à reportagem, a Marinha afirmou que tomou conhecimento da denúncia no dia 14 de maio de 2026, “após ter recebido informações solicitadas de outros órgãos”.
Ainda segundo o posicionamento oficial, “encontra-se em curso um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias e fatos”. A instituição acrescentou que foram acionados outros órgãos, entre eles a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Junta Militar de Recrutamento, “uma vez que o citado prestava serviço militar obrigatório”.
A reportagem apurou que Wesllem Mesquita teria chegado ao último semestre do curso de medicina, mas não conseguiu concluir oficialmente a graduação devido a pendências acadêmicas, que não foram detalhadas. Mesmo assim, ele teria ingressado no serviço militar destinado a médicos recém-formados e atuado por meses em unidade vinculada à Marinha, até que a situação fosse descoberta recentemente.
No comunicado, a Marinha declarou ainda que “reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética, a transparência e a verdade, conduzindo as investigações de forma criteriosa e responsável, em estrita observância à legislação vigente”.
A reportagem também procurou a Universidade Federal do Pará, o Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) e a Polícia Civil do Estado do Pará para solicitar posicionamentos sobre o caso e questionar se há procedimentos administrativos ou investigações em andamento.
Em nota, o CRM-PA informou que “casos envolvendo suposto falso médico são de competência das autoridades policiais, cabendo à Polícia Civil a investigação e apuração para a possível responsabilização criminal dos envolvidos”.
"O CRM-PA atua exclusivamente na fiscalização ética e profissional de médicos devidamente inscritos no Conselho Regional de Medicina”, diz o comunidado da entidade.
A defesa de Wesllem Mesquita ainda não foi localizada pela reportagem. O espaço segue aberto para manifestações e esclarecimentos sobre o caso.
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