Manifestação em Belém pede justiça pela morte do cão Orelha, neste domingo (1º)
O evento reuniu centenas de apoiadores da causa animal na Praça da República
Um manifesto em defesa da causa animal reuniu centenas de pessoas na Praça da República, em Belém, neste domingo, 1º de fevereiro. O ato integrou uma mobilização nacional por justiça pela morte do cão Orelha e contou com a presença de protetores independentes, tutores de animais, servidores públicos, professores e ativistas ligados à causa animal.
Segundo a organização, a adesão superou as expectativas. Um dos organizadores do manifesto, Kellyson Miranda, estimou que mais de 1,5 mil pessoas participaram da mobilização ao longo da manhã. Para ele, o resultado do ato refletiu a indignação da sociedade diante do caso e o fortalecimento da pauta animal no debate público.
“Eu confesso que estou emocionado. Foi uma iniciativa que nasceu da indignação e eu não esperava essa adesão imensa da sociedade pet e da causa animal. Lá de cima do trio, dava para ver um número muito grande de pessoas. Foi um grito da sociedade contra a impunidade e por justiça pelo Orelha”, afirmou.
Durante o ato, manifestantes cobraram a responsabilização dos envolvidos e reforçaram a necessidade de aplicação rigorosa da legislação contra maus-tratos. Kellyson destacou que, apesar de a lei prever punições severas, a sensação é de que ela nem sempre é aplicada.
“A principal lição que fica é que a lei existe. Ela não é branda, ela é severa, mas não está sendo aplicada. O que aconteceu com o Orelha não foi um simples caso de maus-tratos, foi um assassinato com requintes de crueldade. Isso não pode passar em branco”, disse.
O organizador também afirmou que novas mobilizações poderão ocorrer caso não haja avanço no caso. Segundo ele, o movimento deve seguir ativo, principalmente nas redes sociais, onde o tema ganhou grande repercussão.
Entre os participantes estavam Ana Sena e a filha, Mayara Sena, que disseram ter conhecido o manifesto por meio das redes sociais. Para Ana, o sentimento predominante foi de revolta diante do que aconteceu com o animal. “É muito revoltante. Até hoje eu não consigo acreditar que um ser humano foi capaz de fazer isso. A gente espera que o culpado seja punido e que haja uma lei mais rígida, porque do jeito que está não está funcionando”, declarou.
Mayara contou que foi a primeira vez que participou de uma manifestação desse tipo e disse que o caso tocou de forma pessoal por também ser tutora de um animal.
“A gente se sente muito emocionada, porque existem muitos ‘Orelhas’ todos os dias sendo maltratados. Isso toca a gente diretamente. Pretendemos continuar participando até que haja uma justiça mais severa”, afirmou.
A servidora pública Raphaella Lima também esteve presente no ato e relatou sua experiência prévia com políticas públicas voltadas à causa animal. Ela disse já ter atuado em ações de vacinação, castração e atendimento a animais por meio de programas do Governo do Estado.
“Esse caso mexeu muito comigo, não só como servidora, mas como tutora também. Eu espero que a justiça seja feita. Mesmo sendo adolescentes, é preciso alguma medida que traga um mínimo de conforto para quem luta pela causa animal”, pontuou.
Representando o arquipélago do Marajó, o professor Sandro Queiroz, integrante do projeto Amicão, destacou que os maus-tratos a animais ainda são recorrentes na região. Segundo ele, o projeto surgiu em sala de aula e se expandiu para ações práticas, como caminhadas educativas, resgates e campanhas de adoção.
“A gente trabalha diretamente com educação e conscientização sobre maus-tratos e adoção. Estamos aqui representando o Marajó, Soure e Salvaterra, pedindo justiça pelo Orelha e por tantos outros animais”, disse.
Sandro explicou que o projeto atua desde 2017 e também promove ações de castração em praias da região, com recursos arrecadados por meio de vaquinhas e doações.
O caso
O caso de Orelha ganhou repercussão após a confirmação de que o cão morreu no início de janeiro, em Santa Catarina, depois de sofrer agressões graves na região da cabeça. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o animal teve ferimentos severos e precisou ser submetido à eutanásia durante atendimento veterinário.
A Polícia Civil investiga quatro adolescentes suspeitos de envolvimento nas agressões. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e os investigados tiveram aparelhos celulares e outros pertences recolhidos para análise. Eles também foram intimados a prestar depoimento.
Em Belém, o manifesto busca não apenas justiça para o caso específico de Orelha, mas também chamar a atenção para a violência contra animais e a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de proteção animal. A expectativa dos organizadores é de que o ato sirva como um alerta à sociedade e às autoridades sobre a gravidade dos crimes de maus-tratos.
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