Mais de mil pessoas participam de atividade nos Mercedários em Belém
Programação especial comemorou o aniversário de 410 anos da capital paraense
Mais de mil pessoas participaram na manhã deste domingo (11) - véspera do aniversário de Belém - de atividades culturais gratuitas no espaço Mercedários da Universidade Federal do Pará (UFPA), localizado na Boulevard Castilhos França, no antigo Convento dos Mercedários. O local recebeu uma programação especial em articulação da história, arte e cultura, tendo a Cabanagem como eixo central das atividades.
A manhã começou com uma aula pública com o professor Michel Pinho, em percurso pela cidade, abordando a tomada de Belém, os conflitos no Palácio Lauro Sodré e a maior batalha ocorrida no Conjunto dos Mercedários, refletindo sobre a relação entre movimento histórico e patrimônio arquitetônico e cultural.
As centenas de visitantes fizeram fila para ver a exposição "Terra Incógnita, notas amazonianas”, na Galeria de Arte da UFPA (GAU). Uma dessas visitantes foi a formanda em biblioteconomia Ellen Cristina Cardoso, de 31 anos, que aproveitou para ver pela segunda vez as obras de arte. "Uma coisa que sempre falo e admiro em Belém é ter esses lugares de acesso à população. Durante a COP30 tive a oportunidade de vir e fiquei muito encantada. Super indico às pessoas virem aqui no final da tarde. É um bom lugar para você estar", ressaltou.
A exposição “Terra Incógnita, notas amazonianas” foi reconhecida nacionalmente com o Prêmio Celeste 2025 como Melhor Exposição Coletiva. De acordo com o curador Orlando Maneschy, a mostra dos trabalhos dos artistas explora os saberes e a vivência na Amazônia. "A gente resolveu dar uma resposta à COP e ao mundo reunindo saberes, modos de viver e de existir na Amazônia, com vários artistas nossos tão conhecidos e tão importantes, e artistas de fora que vieram para cá e tiveram um arroubo e geraram obras importantes. É uma exposição bela, também é política, que faz refletir e pensar sobre o que a gente está fazendo aqui, o que a gente constrói juntos nessa região", declarou.
"Outra coisa que também é muito importante é a resposta do público. Desde crianças, que querem saber e conhecer mais sobre a região, sobre a Amazônia, sobre os artistas, até senhorinhas. A gente pega várias faixas etárias", complementou. A exposição segue aberta para visitação do público até maio.
O professor de história Michel Pinho avaliou que a atividade desenvolvida no centro histórico conseguiu ir além da celebração do aniversário de Belém. "A avaliação é que ultrapassa o aniversário de Belém, porque é um exercício de cidadania, fazer com que as pessoas reconheçam o espaço público, reconheçam o patrimônio histórico e reconheçam a sua história de luta como no caso a Cabanagem. Dá para gente uma situação muito delicada e importante que o reconhecimento da identidade, não é só festejar o aniversário da cidade, mas entender porque nós somos assim", ressaltou.
Ao longo da manhã, o Mercedários UFPA também teve apresentação musical do grupo Paisagens Sonoras e a Feirinha do Circular, reunindo iniciativas criativas, artesanato, comida regional e produção autoral amazônica, além da Livraria da Editora da UFPA.
O reitor da UFPA Gilmar Pereira explica que o Mercedários UFPA combina a ciência à arte. O espaço agrega as atividades da Faculdade de Conservação e Restauro (Facore) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Patrimônio Cultural (PPGPatri), assim como as atividades de pesquisa do Laboratório de Conservação, Restauro e Reabilitação (Lacore).
"Não há como a gente avançar sem arte, sem a cultura. Esse é um espaço extraordinário. A gente tem a um curso de restauro de graduação e mestrado e tem esse da Escola de Música, do Museu, a estrutura da livraria. Caiu no gosto da população durante a COP recebemos 32 mil pessoas. Somente hoje mil pessoas vieram conhecer, ver o espaço, ouvir música, conversar, ver a exposição, comprar livros", contabilizou. "É um presente para Belém", assegurou.
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