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Livro de pesquisador do Pará oferece apoio a familiares e cuidadores de pessoas com Alzheimer

Pesquisador e professor de Educação Física Maurício Bittencourt estuda a doença há 20 anos, desde o diagnóstico da mãe

O Liberal

O diagnóstico da doença de Alzheimer é, muitas vezes, enfrentado como um atestado de invalidez para o paciente. O Mal de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que causa deterioração cognitiva, perda de memória e alterações comportamentais. Muitos cuidadores e familiares de uma pessoa com Alzheimer acreditam que os idosos são totalmente incapazes. Esse preconceito prejudica os pacientes a desenvolver hábitos que auxiliam, justamente, no enfrentamento à doença. Ensinar e auxiliar cuidadores e familiares é o intuito do professor de educação física e pesquisador Maurício Bittencourt, que lançou o livro “Alzheimer: o manual de sobrevivência”.

A publicação visa conscientizar sobre o Mal de Alzheimer, explicando cientificamente a doença e divulgar hábitos que podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce e os tratamentos adequados ajudam a gerenciar os sintomas e dar melhores condições aos portadores.

Formado em Educação Física, Maurício Bittencourt começou a pesquisar o tema a partir do momento em que a mãe foi diagnosticada com a doença em 2006. Desde então, ele começou a buscar entender a doença, sempre baseado no conhecimento científico, e tentar aplicar na prática diária as orientações profissionais na rotina de uma pessoa com Mal de Alzheimer. Esse é o segundo livro sobre o assunto. O primeiro foi “Diário de uma Família com Idoso com Doença de Alzheimer”.

“Eu quase tive depressão. Ter cuidados com uma pessoa com Alzheimer não é fácil. A primeira parte do livro é voltada para o lado motivacional do cuidador, porque você não pode desistir. E com cuidado que vai começar a perceber que ter um parente com Alzheimer é viver o luto em vida, seja pelo seu pai, pela mãe, ou avó. Você vai perceber que a pessoa que você ama está indo embora”, explica.

Para ajudar os cuidadores e familiares, Bittencourt abre o livro com os ensinamentos do pesquisador Daniel Goleman sobre inteligência emocional. Já o segundo capítulo explica o que a ciência já sabe sobre o Alzheimer. O conhecimento científico é fundamental para entender a doença e garantir aos familiares que não caiam em golpes que prometem curas milagrosas.

“A segunda parte é mais voltada para a ciência com o Método NEURO, desenvolvido por dois neurologistas que foram para a cidade de Loma Linda na Califórnia (EUA) estudar porque teve uma diminuição de idosos com Alzheimer”, adianta.

Aspectos que influenciam no aparecimento do Alzheimer

Os cientistas identificaram cinco aspectos que influenciam no aparecimento e desenvolvimento do Alzheimer. O primeiro é o aspecto Nutricional, com a orientação é ter uma alimentação baseada em plantas como legumes, feijão, arroz e frutas, e pouca ingestão de carne vermelha, açúcar e alimentos ultraprocessados. O segundo ponto é a prática cotidiana de exercícios físicos.

A terceira característica é não se estressar, que em inglês, é conhecido como ‘Unwind’. O quarto ponto identificado pelos pesquisadores foi a qualidade do sono. Os pesquisadores apontaram que o descanso devem ter de seis a oito horas de sono de maneira ininterrupta. Esse período é fundamental para que o cérebro descanse e ocorra uma ‘limpeza’ na mente.

A quinta característica dos idosos de Loma Linda foi a ‘Otimização Cerebral’ gerada por diversos estímulos. Os pesquisadores notaram que os idosos tinham uma vida social ativa, dançavam, participavam de bingos e celebravam a todo momento. “Esse diferente estilo de vida fez com que quem tinha Alzheimer tivesse um freio na doença”, conta o professor Maurício.

A última parte do livro é voltada para as questões legais que buscam preservar a dignidade do idoso com Alzheimer. O livro trata por exemplo da importância da curatela, que é um encargo legal definido judicialmente, onde uma pessoa (o curador) é nomeada para proteger e administrar os bens de outra pessoa maior de idade que, por motivo de saúde, deficiência ou idade avançada, não consegue reger os atos da própria vida. Um direito pouco conhecido pelas pessoas é a possibilidade de solicitar o Imposto de Renda Zero, já que os gastos dos cuidados dos pacientes são altos.

O professor começou a aplicar esse conhecimento com a própria mãe. “Geralmente, as pessoas tiram autonomia da pessoa idosa com Alzheimer. Dizem ‘ah coitada, ela não pode mais fazer as coisas’. Quando você faz isso está tirando a autonomia da pessoa, o idoso deve se sentir útil”, enfatiza o professor. Coisas simples do dia-a-dia como arrumar o próprio quarto, lavar louça, varrer a casa, sempre com supervisão, podem ser exercícios e estímulos ao cérebro da pessoa com Alzheimer.

“Dobrar as roupas desenvolve a coordenação motora fina, por exemplo. Se você tem uma pessoa idosa em casa e ela só fica assistindo televisão, o cérebro se acostuma a não fazer nada”, conta.

Essas ações auxiliaram no tratamento da doença, juntamente com o acompanhamento médico multidisciplinar, fizeram com que a mãe do professor ainda esteja viva até hoje, 20 anos após o diagnóstico, o dobro da expectativa de vida para uma portadora de Alzheimer que é de dez anos.

Livro "Alzheimer: o manual da sobrevivência"

  • Ano de publicação: 2026
  • Páginas: 132
  • Valor: 70,00
  • Contato: (91) 98228-2233 ou pelo perfil @msabittencourt