Liberdade e companheirismo guiam aventuras de grupo de motociclistas em Belém
Na capital paraense, grupos de motociclistas se reúnem para confraternizar e viajar longas distâncias, inclusive por diversos locais do mundo
Vento no rosto, sensação de liberdade e companheirismo traduzem o sentimento de andar de motocicleta. Para alguns, conduzir um veículo de duas rodas é equivalente a se tornar um super-herói poderoso, dominando uma máquina potente, enquanto outros descobriram uma nova paixão desbravando estradas rumo ao desconhecido. Em Belém, grupos de motociclistas se reúnem para confraternizar e viajar longas distâncias. Entre eles, estão o Motociclistas Pará, fundado em 2018 e que hoje conta com 250 participantes, e também o Harleyros Pará Oficial, com 100 integrantes.
A moto entrou na vida do empresário Mário Fidalgo, de 65 anos, há mais de meio século. No Natal de 1973, o pai o presenteou e ao irmão com um ciclomotor para cada um. Mário confessou que o amor pelas duas rodas foi instantâneo e, desde então, nunca mais saiu do seu dia a dia. De lá para cá, Fidalgo falou que adquiriu inúmeras amizades a partir do amor pela motocicleta.
A imagem em destaque mostra o empresário Mário Fidalgo, de 65 anos, que teve sua primeira moto há 53 anos. (Foto: Carmem Helena | O Liberal)
“Eu viajo de moto, a minha esposa vai comigo. Quando os meus filhos querem ir, um carro de apoio acompanha. A moto é a minha vida. Já não é um hobby. A moto está no meu sangue desde os 12 anos de idade. Na vida, você nasce com os seus irmãos e, no motociclismo, você ganha irmãos”, disse ele.
Pelo menos uma vez ao mês, Mário consegue uma folga do trabalho para realizar os chamados “bate-fica”, que são viagens em grupo, se hospeda num local e retorna no dia seguinte, ou então os “bate-volta”. Em todas as viagens, os integrantes contam com carro de apoio para que o restante da família dos integrantes possa acompanhar o percurso.
Sensação de poder
No momento em que fica em cima de uma moto, Mário tem um sentimento diferente. “O motociclismo te dá o poder de pegar aquele vento no rosto e dominar uma máquina. Você se sente empoderado, um super-herói. No carro, não. No carro você vai protegido”, destacou.
Mesmo assim, ele informou que é necessário utilizar uma série de equipamentos de segurança, como bota, luva e capacete. “Dizem que motociclista bebe muito, e é verdade. Mas, quando bebe, deixa a moto para outra pessoa conduzir e vai de carro”, acrescentou.
Desbravando o mundo de moto
Os empresários Marizete e Gilberto Benoliel, ambos de 62 anos, viajam por diferentes regiões, enfrentando climas distintos. Gilberto contou que sempre foi apaixonado por moto, mas a oportunidade de ter uma só apareceu após os 40 anos. Nesses 22 anos de motociclismo, ele, junto com a esposa, conheceu diversos locais, e um dos mais marcantes foi pela América do Sul.
“Graças ao motociclismo conheci lugares fantásticos. A viagem mais marcante foi para Ushuaia (na Argentina), ao ‘fim do mundo’, em 2019. Nela, enfrentei muitos desafios, e o maior deles foi o vento, que foi muito difícil de vencer. Foram 45 dias de viagem. É uma viagem longa, com vários desafios, inclusive em reabastecer a moto, e que precisa de muito planejamento”, afirmou ele.
Além dessa aventura, os dois participaram do Sturgis Motorcycle Rally, o maior evento de motocicletas do mundo, realizado anualmente na cidade de Sturgis, Dakota do Sul, nos Estados Unidos. Segundo Gilberto, a viagem deve ter durado por volta de 50 dias. Isso porque, conforme o casal, eles cruzaram o país norte-americano de moto e aproveitaram para conhecer pontos turísticos, inclusive a famosa Rota 66, estrada de quase 4 mil km entre Chicago e Los Angeles, que é o sonho de muitos motociclistas percorrer.
Conexão com a natureza
Marizete disse que a motocicleta representa para ela a liberdade, um momento de contato com o meio ambiente. “Se você está dentro do carro, você passa. Mas, quando está na moto, a natureza está junto com você. Você observa tudo, principalmente a garupa, que aproveita muito”, comentou.
Além da viagem à Argentina, a que mais a marcou foi no Peru. “Na Ushuaia, foi o ‘primeiro filho’ e foi bem difícil as conquistas ao longo da viagem. Não tínhamos experiência, entramos num grupo e só nós dois concluímos a viagem. Mas, no Peru, ver todas aquelas curvas e mitologias foi uma das viagens que mais marcou”, declarou.
Para quem não anda de moto, Gilberto esclareceu que não se trata de um veículo perigoso. “Nós já fizemos muitos passeios, fomos a lugares incríveis e rodamos mais de 200 mil quilômetros. Eu tenho uma visão completamente diferente. Gosto de explicar que a pessoa que esteja no comando desta máquina tenha habilidade de conduzi-la”, relatou.
No mês de julho, o casal costuma programar viagem durante as férias escolares. Porém, para isso é necessário se planejar corretamente e, principalmente, verificar o clima do destino escolhido. “Deixamos para fazer passeio para Carolina ou São Luís (no Maranhão), Fortaleza (capital do Ceará), onde tiver um clima mais ameno”, brincaram os dois.
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