MENU

BUSCA

Judas são velados para malhação no bairro da Cremação

Aproximadamente 10 bonecos de Judas Iscariotes – traidor de Jesus Cristo – serão malhados neste sábado (04)

O Liberal

Mais de dez bonecos de Judas estão sendo velados durante a noite desta Sexta-feira Santa (03), no bairro da Cremação, em Belém. A brincadeira da “Malhação de Judas”, que tem décadas de existência, movimento os moradores do bairro e várias associações para malhar o traidor de Jesus Cristo na manhã deste sábado (04). A festividade sempre traz temas da atualidade para serem os bonecos que sofrerão a fúria da população. Neste ano, o principal tema da malhação de Judas é o feminicídio.

A festa começou a partir das 19h, na rua Fernando Guilhon, entre as avenidas Alcindo Cacela e Quintino Bocaiúva. A celebração gratuita que mistura tradição, crítica social e cultura popular. A Malhação de Judas é considerada uma das manifestações culturais mais antigas e populares de Belém. A festa do bairro da Cremação terá shows musicais, gincanas tradicionais (quebra-pote e corrida no saco), além da simbólica malhação dos bonecos.

De acordo com uma das organizadoras Josiane do Socorro, que ajuda na confecção dos bonecos e nos enfeites, a festa é uma tradição no bairro. “Hoje estamos fazendo o velório dos Judas. Nós estamos fazendo o velório deles e amanhã a partir do meio-dia vamos fazer a malhação, vamos jogar eles para a população”, adiantou. Além do feminicídio, entre os Judas que serão atirados para a população, estão a pedofilia, a Águas do Pará e o racismo.

Josiane reforça que a festa é voltada para todas as famílias, inclusive as crianças. “As crianças também podem vir que vai ter brincadeiras pula-pula, quebra-pote, vamos dar brindes, vai ter palhaço e Homem-Aranha”, convidou.

A festança reúne sete associações por vários quarteirões, que são fechados para o trânsito na rua Engenheiro Fernando Guilhon da travessa Alcindo Cacela até a travessa Quintino Bocaíuva. “Várias associações estão com palco com atrações aqui”, diz outra organizadora Ana Paula Amorim Roque, moradora da região.

O criador da festividade também é lembrado pelos novos organizadores, que não deixam a tradição morrer. “A festa começou com seu Quincas, o senhor Francisco Raimundo Neto, e hoje é a gente que já está à frente. Seu Quincas - nosso fundador - não está mais presente com a gente, mas ele ainda está vivo aqui”, homenageia Josiane, que há 20 anos integra da brincadeira.