Inverno amazônico eleva casos de viroses em Belém e acende alerta para prevenção, aponta Sesma
Segundo a Sesma, há, sim, um aumento sazonal de viroses durante o período chuvoso
Com a intensificação do inverno amazônico, período marcado por chuvas frequentes, alta umidade e alagamentos, cresce a preocupação da população de Belém com o aumento de casos de viroses. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), esse cenário favorece a circulação de vírus respiratórios e de outras doenças sazonais, exigindo reforço na vigilância e na assistência em saúde.
Segundo a Sesma, há, sim, um aumento sazonal de viroses durante o período chuvoso. As mais comuns são as infecções respiratórias causadas por vírus como Influenza, Rinovírus e Vírus Sincicial Respiratório. Além disso, as arboviroses, especialmente a dengue, tendem a apresentar maior incidência, já que o excesso de chuvas cria condições favoráveis à proliferação do mosquito transmissor.
Esse aumento reflete diretamente na procura por atendimento na rede municipal de saúde. As UPAs e os prontos-socorros, como o PSM da 14 de Março e o PSM do Guamá, costumam registrar maior demanda, principalmente no primeiro trimestre do ano. As UBSs concentram o atendimento dos casos leves e as ações de vacinação, enquanto os serviços de urgência observam maior número de pacientes com febre alta e sintomas respiratórios. Com isso, pode haver aumento no tempo de espera para casos classificados como não graves, conforme o Protocolo de Manchester.
Monitoramento dos efeitos do inverno amazônico
A Sesma informou que monitora os efeitos do inverno amazônico por meio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) e da Vigilância Epidemiológica. Durante os meses mais chuvosos, são intensificadas estratégias específicas, como o fortalecimento da rede de Unidades Sentinelas, responsáveis por acompanhar a circulação de vírus respiratórios, a exemplo da influenza e do vírus sincicial respiratório.
As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Sacramenta e de Icoaraci realizam a coleta de amostras de pacientes com síndrome gripal, que passam por análise em painel viral. Já os testes rápidos para dengue estão disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), enquanto as unidades de urgência fazem a coleta para exames sorológicos, conforme avaliação clínica. A secretaria também monitora áreas sujeitas a alagamentos, com o objetivo de prevenir surtos de doenças de veiculação hídrica.
Mudanças de comportamento
Para o médico virologista Caio Botelho, o aumento das viroses respiratórias no período chuvoso está diretamente ligado às mudanças de comportamento da população. “As viroses respiratórias são sazonais, e nos períodos chuvosos há, sim, um aumento de casos de covid-19, influenza, rinovírus e também alguns adenovírus”, explica.
Segundo o especialista, a principal razão para essa maior circulação viral é a permanência prolongada em ambientes fechados. “Quando chove, as pessoas tendem a se aglomerar em locais pouco ventilados. Isso facilita a transmissão, porque as partículas virais permanecem suspensas no ar por mais tempo, aumentando o contágio de pessoa para pessoa”, destaca.
Sintomas
Os sintomas mais comuns incluem dor no corpo, dor de cabeça, nariz entupido, excesso de secreção nasal, dor de garganta e febre. Em alguns casos, podem surgir quadros de diarreia e vômitos, especialmente entre crianças e idosos. “Os idosos, inclusive, tendem a apresentar mais sintomas gastrointestinais associados a essas infecções”, alerta o médico.
Em relação aos alagamentos, Caio Botelho esclarece que eles não estão diretamente ligados às viroses respiratórias, mas podem favorecer doenças gastrointestinais causadas por enterovírus, associados ao consumo de água ou alimentos contaminados. Além disso, os alagamentos contribuem indiretamente para o aumento das viroses ao forçar a população a permanecer aglomerada e em ambientes fechados.
Prevenção
Como forma de prevenção, a Sesma informa que o calendário regionalizado antecipa a vacinação contra a influenza, com início antes do pico das chuvas, geralmente em novembro. Também são realizadas ações de limpeza de canais, retirada de entulhos e intensificação das visitas domiciliares pelos Agentes de Combate às Endemias, especialmente em áreas com maior incidência de dengue. A população ainda recebe orientações sobre os riscos da leptospirose em contato com águas de alagamento, além da importância da hidratação e da etiqueta respiratória.
O médico reforça que medidas simples fazem diferença. “Higienizar as mãos com frequência, usar máscara ao apresentar sintomas gripais, manter os ambientes ventilados sempre que possível e evitar aglomerações são cuidados fundamentais para reduzir o risco de infecção”, orienta.
Quando procurar atendimento médico:
- Febre alta persistente
- Falta de ar ou dificuldade para respirar
- Vômitos ou diarreia intensos
- Sinais de desidratação
- Piora dos sintomas após alguns dias
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