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Em greve, servidores municipais da saúde de Belém fecham av. Almirante Barroso com ambulâncias

Eles pedem a revogação da Lei nº 10.266/26, apontada como prejudicial aos direitos da categoria

O Liberal

Na manhã desta sexta-feira (6), servidores municipais de saúde de Belém, ligados ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), fecharam um sentido da avenida Almirante Barroso. Eles se concentraram em frente à Central Samu Belém, próximo ao cruzamento com a Avenida Tavares Bastos, e usaram ambulâncias para fazer o bloqueio de três vias no sentido São Brás. A greve da categoria começou na quinta-feira (5).


O movimento, apoiado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Pará (Sindsaúde Pará), pede a revogação da Lei nº 10.266/26, aprovada pela gestão do prefeito Igor Normando (MDB), que altera o Estatuto dos Servidores e, segundo os manifestantes, retira direitos históricos da categoria. Os servidores também reivindicam a abertura das negociações com a prefeitura.

Segundo Dione Nogueira, técnica de enfermagem do município, o protesto pede a derrubada da lei, que, afirmou, “impacta diretamente a vida dos servidores, de seus familiares e também da população”. “É uma lei nefasta, que tira garantias de direitos históricos do servidor e vai impactar a vida de todos”, afirmou.

Dione destacou que a greve é legal e legítima e que o objetivo do movimento é abrir diálogo com a gestão municipal. “O nosso propósito é que a gestão nos chame para o entendimento. O nosso entendimento é a derrubada dessa lei. Ela não é boa para ninguém”, disse.

A representante da categoria reforçou que, apesar da paralisação, os serviços essenciais estão sendo mantidos. Segundo ela, 30% do atendimento permanece em funcionamento, com a realização de triagens em todos os casos. “A população pode ficar tranquila, porque estamos mantendo os 30% e fazendo as triagens de todos os atendimentos”, garantiu. Ainda segundo Dione Nogueira, a greve é resultado de uma luta histórica dos servidores.

“É humanamente impossível conviver com uma lei nefasta”, afirmou, ao destacar o sofrimento enfrentado pela categoria. Ela também fez um apelo para que outros órgãos e instituições analisem a política junto com os trabalhadores. “Chamo todos os órgãos e instituições para analisar essa política com a gente, porque a gente está em sofrimento”, disse.

A adesão dos profissionais da saúde ao movimento no município começou oficialmente quinta-feira (5). A greve, no entanto, já vinha sendo construída por outros segmentos e órgãos do município, todos com o mesmo propósito. “Alguns colocam outras reivindicações, mas a maior, tanto para o servidor quanto para a população de modo geral, é essa nova lei”, afirmou.

Segundo Mairraule Souza, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Pará (Sindsaúde Pará), “ o objetivo é fazer pressão para o prefeito nos receber, para tratar desse projeto que foi feito para acabar com o funcionalismo público, com a intenção de sucatear a saúde pública e privatizar, como já fez com as UPAs e como está fazendo com o fornecimento de insumos”.