Domingo de lazer contrasta com abandono na Praça da República, em Belém
Apesar do movimento intenso nas manhãs de domingo, espaço sofre com falta de manutenção, limpeza e segurança
Tradicional ponto de encontro e convivência em Belém, a Praça da República apresenta diversos problemas de infraestrutura e conservação. No domingo (3/5), dia em que o local tem grande fluxo familiar, cultural e comercial, a reportagem registrou um coreto em más condições estruturais, trechos de piso danificados, água suja no chafariz e pichações espalhadas pelo espaço, comprometendo a experiência de famílias e frequentadores que ocupam a área nas manhãs de lazer.
Historicamente, a Praça da República é um dos principais pontos de encontro, lazer, cultura e convivência de Belém, especialmente nas manhãs de domingo, quando recebe famílias, crianças, passeios com pets, feiras de artesanato, caricaturistas e apresentações culturais. Apesar desse papel tradicional e da grande circulação de pessoas, o espaço vem apresentando problemas de manutenção que comprometem a experiência dos frequentadores.
Estrutura deteriorada chama atenção
Durante a circulação pela praça, a reportagem identificou um coreto com sinais visíveis de desgaste, pisos quebrados e áreas que podem oferecer risco aos frequentadores. O chafariz, que deveria ser um dos atrativos visuais do local, apresenta água turva e presença de lixo. Além disso, pichações espalhadas por diferentes pontos reforçam a sensação de descuido com o patrimônio público.
Frequentadora assídua do espaço, a assistente administrativa Eleniny Cunha destaca a importância histórica da praça e cobra maior atenção do poder público.
“A praça precisa de uma atenção melhor, um cuidado, não só no âmbito de limpeza, mas também no zelo, pelos bancos, pela estrutura, que precisa ser restaurada, revitalizada, porque é a essência da arquitetura que a gente tem que preservar. Tem o contexto histórico. Ela conta uma história dos nossos povos”, afirmou.
Ela também aponta que as ações de manutenção costumam ser pontuais.
“Isso deveria ser frequente, porque é muito comum a gente ver manutenção na época do Círio de Nazaré, na época de grandes eventos, mas rotineiramente, durante o ano, é difícil.”
Falta de segurança afeta trabalhadores e visitantes
Para quem trabalha diariamente na praça, os problemas impactam diretamente o sustento. A vendedora de sucos venezuelana Anne Mendez, que chegou ao Brasil há quatro meses, relata dificuldades enfrentadas no dia a dia.
“Faltam bancos na praça. As pessoas querem sentar com suas famílias e não tem. Aqui eu não vejo muita polícia. Não vejo muito segurança. Falta segurança”, disse.
A ausência de infraestrutura básica, como assentos suficientes, também é mencionada por outros frequentadores, que apontam a limitação como um fator que prejudica a permanência no local.
Limpeza e sensação de insegurança afastam visitantes
A administradora Adriely Fontel, que visitava a praça pela primeira vez, relata que a falta de conservação compromete a experiência.
“O que falta melhorar é a limpeza e um pouco da segurança. É a primeira vez que a gente vem aqui. Nunca tive a segurança de vir passear. É meio deserto durante a semana. Acho que é mais movimentado no domingo”, comentou.
Ela também destaca a ausência de policiamento e o acúmulo de sujeira.
“Eu não vejo nenhum guarda de segurança. Tô achando bem suja a praça. Cheio de folhas, a água do chafariz tá bem suja, com sacolas. Não tá muito limpo não. A gente passeia no meio da sujeira”, reclamou.
Problemas de higiene e infraestrutura prejudicam comércio
Para os trabalhadores autônomos, a situação vai além da estética e afeta diretamente o atendimento ao público. Telma Gonçalves, que atua na praça, relata problemas com odores e falta de estrutura adequada.
“Tá faltando mais limpeza. Tá faltando mais providência em termos de danificar os bancos. Tá faltando lixeira. Tem um banheiro perto da minha venda que bate o odor dele pra cá”, explica.
Segundo ela, a situação inviabiliza até mesmo o consumo de alimentos no local.
“Você não pode vir pegar um lanche pra lanchar aqui porque não tem onde sentar, por causa do odor. Fede muito. É mais manutenção sobre isso. Tá faltando mais policiamento, segurança”, declarou.
Telma também ressalta a importância simbólica e turística da área.
“Aqui é um ponto turístico. Aqui é a Presidente Vargas. É uma avenida como se fosse Avenida Paulista — conhecidíssima. Aqui era pra ter uma organização melhor, entendeu?”
O que diz a prefeitura?
Ao Grupo Liberal, Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (SEZEL) informou que a Praça da República recebe serviços regulares de zeladoria, incluindo a manutenção constante do piso em pedra portuguesa nos trechos mais críticos.
"Quanto ao coreto, a SEZEL esclarece que as providências para a reforma já estão em andamento, junto aos órgãos responsáveis pelo patrimônio", disse a secretaria.
Sobre o chafariz, a SEZEL afirmou que orienta que o veículo procure a concessionária Águas do Pará, responsável pelo sistema.
Por fim, a secretaria reforçou que a praça foi pintada recentemente e realiza a limpeza frequente de pichações decorrentes de vandalismo, mantendo o compromisso com a preservação do espaço e o atendimento às demandas da comunidade.
Também ao Grupo Liberal, a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel) informou que a Guarda Municipal realiza rondas periódicas de patrulhamento na Praça da República, com ações voltadas à preservação do espaço público, segurança dos frequentadores e coibição de práticas de vandalismo, como pichações e depredação do patrimônio público.
A Segbel reforçou ainda a importância da colaboração da população no processo de preservação dos espaços públicos da cidade.
"Situações de vandalismo, dano ao patrimônio, consumo irregular de entorpecentes, desordem ou qualquer ocorrência que comprometa a segurança e a conservação da praça podem ser denunciadas diretamente à Central 153 da Guarda Municipal, canal que funciona para atendimento e acionamento das equipes de fiscalização e patrulhamento", disse a secretaria.
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