Dom Júlio Endi Akamine convida fiéis à vivência espiritual e à reconciliação na Semana Santa
Arcebispo Metropolitano de Belém destaca sentido da Páscoa, reforça participação nas celebrações e diz que fé deve se refletir na vida cotidiana
Em sua primeira Semana Santa à frente da Arquidiocese de Belém, Dom Júlio Endi Akamine faz um convite claro aos católicos: viver o período com profundidade espiritual, participação ativa nas celebrações e compromisso com a transformação pessoal. “A mensagem que eu dou para o pessoal daqui da Arquidiocese de Belém é que participe da Semana Santa. Para nós católicos, não é feriadão. Não é um momento de passeio, de viagens, de turismo”, afirmou, em entrevista à reportagem nesta segunda-feira (30).
Segundo ele, o calendário litúrgico oferece uma oportunidade concreta de recolhimento e oração, especialmente durante o Tríduo Pascal. “Graças a Deus, aqui no Brasil, a gente tem os feriados exatamente para poder dedicar tempo à oração”, disse, ao detalhar a sequência das celebrações, que começa na Quinta-Feira Santa (2/4) e culmina no Domingo da Ressurreição (5/4).
Dom Júlio enfatiza que a Páscoa ocupa o centro da fé cristã. “É a celebração mais importante do calendário litúrgico”, destacou, lembrando que, ao lado do Natal, ela expressa o núcleo da fé: a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.
Mais do que conduzir os ritos como arcebispo, ele deseja vivê-los plenamente. “A minha expectativa é não só presidir, mas participar pessoalmente, celebrar junto com o povo de Deus. Nada adiantaria ajudar os outros se a gente também não participa”, afirmou.
Para ele, a experiência da Semana Santa deve ultrapassar os templos e transformar atitudes. “Aquilo que nós celebramos na liturgia, a gente precisa viver no nosso dia a dia. É procurar ser generoso, assim como Jesus é generoso com a gente”, recomendou.
Fé
Ao refletir sobre o sofrimento humano, o arcebispo reforçou que a fé cristã exige sensibilidade e ação diante das dores do mundo. “Todos os sofrimentos deste mundo não são indiferentes a nós. Porque não foram indiferentes a Jesus Cristo”, disse, ao citar realidades como a pobreza, o desemprego, a dependência química e a falta de perspectivas.
Ele lembrou que Cristo “se fez o homem das dores” e que os cristãos são chamados a reconhecer essa presença nos que sofrem. “A paixão de Cristo continua”, afirmou.
Reconciliação como caminho de paz
Em um cenário global marcado por conflitos e violência, Dom Júlio destacou a reconciliação como um gesto concreto e necessário. “Cristo se apresenta como rei pacífico, mas não é possível a paz sem a reconciliação”, disse. Segundo ele, a prática começa nas relações mais próximas. “Quando a gente se reconcilia com alguém, já está contribuindo com a paz do mundo”, ensinou.
Celebrações
A programação da Semana Santa em Belém inclui momentos tradicionais, como a Missa do Crisma, a celebração da Ceia do Senhor com o rito do lava-pés, a Procissão do Encontro, o Sermão das Sete Palavras e a Vigília Pascal. Neste ano, Dom Júlio também levará a celebração do lava-pés a um centro de detenção. “Esperando que esse gesto possa ser um momento de encontro com o Senhor e de reconciliação também com a sociedade”, explicou.
Sentido da Páscoa
Sobre as celebrações familiares no Domingo de Páscoa, ele reconhece o valor da confraternização, mas faz um alerta sobre o verdadeiro significado da data. “Não é festejar por festejar. A gente festeja porque Cristo ressuscitou. A última palavra não é a morte, não é o nada, não é o fim. A última palavra é Jesus Cristo. É a vida”, destacou.
Para o arcebispo, é essa certeza que sustenta a fé cristã e dá sentido à vida. “Sem isso, nossa vida perde sentido. A gente pode celebrar, reunir a família, trocar ovos de Páscoa, mas o motivo a gente não pode esquecer nunca”, concluiu.
Confira a programação da Semana Santa 2026 na Arquidiocese de Belém
A Arquidiocese de Belém divulgou a programação oficial das celebrações da Semana Santa, que ocorre entre os dias 2 e 5 de abril, com missas, procissões e ritos tradicionais em igrejas da capital paraense e em municípios da Região Metropolitana.
Nesta Quinta-Feira Santa (2), as atividades começam às 7h, na Catedral Metropolitana de Belém, com a oração das Laudes, conduzida pelos cônegos do Cabido de Belém. Em seguida, às 8h, será celebrada a Missa do Crisma, presidida pelo arcebispo Dom Julio Endi Akamine, com a participação do bispo auxiliar Dom Paulo Vieira Rocha, do arcebispo emérito Dom Alberto Taveira Corrêa, além de sacerdotes e diáconos da arquidiocese.
Durante a celebração, ocorre a renovação das promessas sacerdotais e a bênção dos santos óleos. A missa será transmitida ao vivo pela Rede Nazaré de Comunicação, por meio da TV, rádio e plataformas digitais.
Lava-pés
Ainda na quinta-feira, à noite, será realizada a Missa da Ceia do Senhor, com o tradicional rito do lava-pés, em todas as 109 paróquias da arquidiocese. Na Catedral, a celebração ocorre às 18h, presidida por Dom Julio, seguida do traslado do Santíssimo Sacramento para a Capela da Reposição, onde haverá adoração até a meia-noite. No mesmo horário, Dom Paulo preside a missa na Fazenda da Esperança, em Mosqueiro, e Dom Alberto na Paróquia Santíssima Trindade, no bairro da Campina.
Procissão do Encontro
A programação da Sexta-Feira Santa (3), dedicada à Paixão e Morte de Cristo, inicia com a Procissão do Encontro. Às 7h, a imagem do Senhor dos Passos sai da Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, no bairro de Nazaré. Às 8h, a imagem de Nossa Senhora das Dores parte da Igreja de São João Batista. As duas procissões se encontram às 10h30, na Igreja de Nossa Senhora das Mercês, onde será realizado o Sermão do Encontro, conduzido pelo padre Gabriel Paes.
Sermão das Sete Palavras
Ao meio-dia, ocorre o tradicional Sermão das Sete Palavras, na Capela Santo Antônio, na Praça Dom Macedo Costa, no bairro da Campina. A 147ª edição terá como pregador Dom Julio, com reflexões sobre as últimas palavras de Jesus na cruz.
Às 17h, será realizada a Ação Litúrgica da Paixão do Senhor na Catedral, presidida pelo arcebispo. Nas demais paróquias, a celebração ocorre a partir das 15h. Após a liturgia, haverá o Sermão do Descendimento da Cruz, conduzido pelo monsenhor Agostinho Cruz, seguido da Procissão do Senhor Morto, que sairá da Catedral em direção à Igreja de São João Batista.
Vigília Pascal
No Sábado Santo (4), a Vigília Pascal será celebrada em todas as paróquias. Na Catedral Metropolitana, a celebração começa às 20h, presidida por Dom Julio, seguida de procissão com a imagem de Cristo Ressuscitado no entorno da Praça Frei Caetano Brandão. Dom Paulo preside a vigília às 19h, em Ananindeua, e Dom Alberto também às 19h, em outra paróquia do município.
Domingo de Páscoa
Encerrando a programação, no Domingo de Páscoa (5), as missas serão realizadas em todas as 109 paróquias da Arquidiocese. Na Catedral, estão previstas celebrações às 7h, 9h e 19h, esta última presidida por Dom Julio. Também haverá celebrações conduzidas por Dom Paulo, no bairro do Telégrafo, e por Dom Alberto, em Mosqueiro
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