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Dom Julio destaca amor, entrega e sentido da Eucaristia durante Missa da Ceia do Senhor em Belém

Após a missa, foi realizado o traslado do Santíssimo Sacramento para a Capela da Reposição, onde os fiéis permanecem em adoração até a meia-noite

O Liberal

 Fiéis lotaram a Catedral Metropolitana de Belém na noite desta quinta-feira (2) para participar da Missa da Ceia do Senhor, celebração que marca o início do Tríduo Pascal, período central da fé cristã.

Presidida pelo arcebispo de Belém, Dom Julio Endi Akamine, a cerimônia foi marcada pelo rito do lava-pés, que simboliza o gesto de humildade de Jesus Cristo ao lavar os pés dos discípulos, ensinando o serviço e o amor ao próximo.

Após a missa, foi realizado o traslado do Santíssimo Sacramento para a Capela da Reposição, onde os fiéis permaneceram em adoração até a meia-noite, em um ambiente de silêncio, oração e contemplação.

Durante a homilia, Dom Julio conduziu uma reflexão profunda sobre o significado da celebração, destacando que a Quinta-feira Santa reúne três grandes mistérios da fé cristã: a instituição da Eucaristia, do sacerdócio e do mandamento do amor.

“Iniciamos então o Tríduo Pascal com essa celebração que foi a última ceia do Senhor, em que Ele instituiu a Eucaristia, o sacerdócio e nos dá também o novo mandamento do amor. São três mistérios que se entrelaçam e estão estreitamente unidos”, afirmou.

O arcebispo ressaltou que, ao reunir os discípulos antes de sua morte, Jesus dá um novo sentido ao seu sacrifício. “Antes de sofrer na cruz, antes de entregar a sua vida, Ele reuniu os discípulos e deu o significado da sua morte. Trata-se de uma doação, de um amor que chega até as suas últimas consequências, um amor que chega até o fim”, disse.

Ao recordar a instituição da Eucaristia, Dom Julio enfatizou que o gesto de partir o pão e compartilhar o cálice representa a entrega total de Cristo. “Ele parte o pão, parte o cálice: ‘isto é o corpo dado por vós, isto é o sangue derramado por vós’. Ao mesmo tempo, Ele pede que isso seja feito em sua memória”, destacou.

No entanto, o arcebispo explicou que esse memorial vai além de uma simples recordação simbólica. “Não se trata somente de repetir gestos, de fazer uma recordação. Trata-se, de fato, da presença de Cristo, que continua se doando a nós”, afirmou, ao relacionar a Eucaristia diretamente com o sacerdócio, que torna possível a continuidade desse mistério na vida da Igreja.

Dom Julio também alertou para o risco de esvaziar o sentido da fé quando falta o amor. “Por isso, então, o mandamento novo do amor. Sem amor, os gestos podem se tornar simples ritualismos”, pontuou.

Ao final, ele fez um convite aos fiéis para viverem intensamente o Tríduo Pascal, colocando Cristo no centro da experiência espiritual. “Que a gente preste atenção em Jesus Cristo, que o nosso olhar se volte para Ele. Que a gente esqueça um pouquinho de nós mesmos, dos nossos problemas, qualidades ou defeitos”, disse.

Segundo o arcebispo, a vivência da fé começa pela capacidade de acolher o amor divino. “O mais importante é aquilo que nós recebemos. Só depois de receber, é que podemos dar algo”, afirmou.

Ele concluiu reforçando o sentido da Páscoa como um tempo de acolhimento da graça. “Que possamos, neste Tríduo Pascal, receber aquilo que Cristo deseja nos dar, que é o seu amor.”