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Dom Julio celebra cerimônia do Lava-Pés dentro de presídio de Icoaraci

O ato simboliza humildade, serviço ao próximo, purificação e unidade, representando a liderança servidora, e contou com a participação de 12 custodiados

Saul Anjos

A cerimônia do Lava-Pés é uma tradição cristã realizada na Quinta-Feira Santa, baseada na Última Ceia, em que Jesus lavou os pés dos discípulos, ocorreu dentro da Unidade de Custódia e Reinserção de Icoaraci, em Belém. O ato simboliza humildade, serviço ao próximo, purificação e unidade, representando a liderança servidora, e contou com a participação de 12 custodiados. Esse momento representa a renovação da fé e reconciliação entre irmãos.

O Arcebispo Metropolitano da capital, Dom Julio Endi Akamine, disse que, durante a semana, recebeu diversas cartas de custodiados pedindo orações. “Nada mais justo do que rezar por eles, mas rezar com eles. Este é o sentido dessa celebração”, contou.

Akamine comentou que a penitenciária se trata de um lugar onde existe a luta contra o pecado para vencê-lo com a graça de Deus. “Então, em uma penitenciária, a gente luta contra o pecado que não só está nos outros, mas dentro de nós. Por isso, vamos à celebração do Lava Pés, sabendo que não lutamos sozinhos”, afirmou. Após a cerimônia, Dom Julio abençoou todas as selas próximas de onde o rito aconteceu.

O diretor da Unidade de Custódia e Reinserção de Icoaraci, coronel Marcelo Costa, falou que o espaço tem um papel fundamental para custodiar os presos, mas também trabalhar os aspectos de reinserção social, que passa por oportunidades de trabalho, estudo e assistência religiosa.

“A assistência religiosa, bem como as outras atividades, consegue amenizar o bloco carcerário e trazer uma mensagem de fé e esperança, de que podem encontrar em Deus uma oportunidade de ser uma pessoa melhor”, contou.

Sobre outras atividades religiosas, Costa disse que o presídio dispõe da apresentação do coral 100% Liberdade, curso de Teologia e, aos finais de semana, as portas são abertas para que as congregações religiosas “possam estar presentes e ministrar a palavra de Deus na unidade”.

O custodiado Dalvane Junior Oliveira, de 35 anos, está há oito anos preso e pretende se formar em Direito assim que deixar o presídio. Ele avaliou que ter os pés lavados por Dom Julio representou uma atitude de “muito amor e humildade”, que ajuda nas transformações dos apenados. 

“O que vivemos nesse lugar é uma luta espiritual muito grande. Para nós, é muito gratificante. Mês passado a minha mãe faleceu e esta palavra veio me fortalecer, juntamente com o trabalho do arcebispo. O erro é humano, mas não continuar não é”, destacou. Ao fim da cerimônia, Dalvane entregou um vaso de flores para Dom Julio como forma de agradecimento.