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Dia Mundial do Rim: ação no Ver-o-Peso faz avaliação da função renal, testes e orientação ao público

A mobilização de conscientização e prevenção à doença renal é realizada no Solar da Beira, nesta quinta-feira (12).

Dilson Pimentel

Uma ação de conscientização e prevenção à doença renal foi realizada, na manhã desta quinta-feira (12), durante o Dia Mundial do Rim, no Solar da Beira, localizado no complexo do Ver-o-Peso, em Belém. A iniciativa oferece avaliação inicial da função renal por meio de um teste simples de creatinina realizado com uma pequena coleta de sangue na ponta do dedo, além de orientações sobre prevenção e saúde dos rins.


  

A atividade integra uma mobilização global coordenada pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), que neste ano reúne cerca de 1.400 ações em todo o Brasil. O objetivo é alertar a população sobre a doença renal crônica, que costuma evoluir de forma silenciosa e pode atingir milhões de brasileiros sem diagnóstico. A presidente da Regional Pará da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Ana Lydia Cabeça, destacou a importância das ações realizadas durante o Dia Mundial do Rim, celebrado sempre na segunda quinta-feira de março, com o objetivo de avaliar a função renal da população e ampliar a conscientização sobre a prevenção das doenças renais.

De acordo com a especialista, que também é vice-presidente Norte da entidade e coordenadora do Serviço de Nefrologia do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, a mobilização ocorre simultaneamente em diversos países. “Essa é uma ação feita globalmente, no dia da segunda quinta-feira do mês de março, em todo o mundo. O Brasil é um dos países que mais tem ações, na verdade é o país que mais faz ações”, afirmou.

Segundo ela, neste ano estão registradas cerca de 1.400 ações no Brasil, distribuídas em diversas cidades e capitais, envolvendo todas as regionais da Sociedade Brasileira de Nefrologia. As atividades têm como objetivo orientar a população sobre saúde renal, prevenção da doença renal e alertar para o fato de que a enfermidade costuma evoluir de forma silenciosa.

“A doença renal é silenciosa na maior parte da sua evolução. Por ser silenciosa, as pessoas desconhecem que podem fazer prevenção e que podem diminuir a progressão da doença renal quando ela existe”, explicou. Durante a ação, a população pode realizar uma avaliação inicial da função renal por meio de um exame simples: uma pequena coleta de sangue por punção no dedo para medir os níveis de creatinina no sangue. Caso o resultado apresente alteração, os participantes são encaminhados para exames complementares em laboratórios parceiros. “Essas pessoas vão fazer uma dosagem no sangue junto com o exame de urina para avaliar proteína urinária. Confirmada a doença renal, serão encaminhadas para atendimento na policlínica da Uepa com nefrologistas aqui do nosso grupo”, detalhou.

Sintomas aparecem em fases avançadas

Entre os sinais possíveis da doença estão inchaço - principalmente ao redor dos olhos ou nas pernas -, cansaço, falta de ar, anemia, palidez, fraqueza, queda de cabelo, náuseas e vômitos. No entanto, esses sintomas são inespecíficos e podem estar associados a diversas outras doenças. “O importante é que, principalmente, as pessoas que são de grupo de risco façam a dosagem da creatina uma vez por ano”, disse. Estão entre os principais grupos de risco: pessoas com pressão alta, diabéticos, idosos, pessoas que fazem uso abusivo de anti-inflamatórios, pacientes com doenças cardíacas, indivíduos com histórico familiar de doença renal

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, cerca de 50 mil pessoas morrem por ano no Brasil sem chegar a ter acesso à diálise ou ao transplante renal.
“É um dado alarmante. Nós estamos passando por uma crise humanitária em relação à diálise”, afirmou Ana Lydia Cabeça. Ela explicou que levantamentos realizados pela entidade em maio do ano passado e foi confirmado novamente em outubro do ano passado identificaram mais de mil pacientes internados em hospitais brasileiros já fazendo hemodiálise, mas sem vaga para tratamento ambulatorial.

“Presos dentro do hospital, ocupando um leito desnecessariamente por um, dois, cinco, seis meses. A gente tem relato até de paciente um ano internado aguardando vaga para diálise. Temos muitas pessoas que não chegam nem nessa fase. Morrem antes do diagnóstico. Por isso, o grande objetivo da ação do Dia Mundial do Rim é identificar os quase 20 milhões de brasileiros que têm doença renal crônica e não sabem", disse Ana Lydia Cabeça.