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Dia do Vestibulando: rotina intensa de estudos e renúncias marcam busca por vaga na universidade

Apesar de não ser uma data oficial, o dia, que é celebrado neste domingo (24/5), ganhou espaço no calendário educacional por estar próximo aos grandes vestibulares de meio de ano e por cair no movimentado mês da educação

Saul Anjos e Gabi Gutierrez

Celebrado neste domingo (24/5), o Dia do Vestibulando chama atenção para a rotina intensa enfrentada por milhares de jovens que se preparam para os processos seletivos de ingresso no ensino superior. Em Belém, estudantes adaptam completamente o cotidiano para conseguir conciliar aulas, cursinhos, simulados, revisões e pressão emocional durante a preparação para vestibulares e concursos. Apesar de não ser uma data oficial instituída por lei ou decreto federal no Brasil, o dia ganhou espaço no calendário educacional por estar próximo aos grandes vestibulares de meio de ano e por cair no movimentado mês da educação.

Esse é o quarto ano que Sarah Maximiana, de 22 anos, tenta ingressar no curso de Medicina. Recentemente, ela perdeu a mãe durante o tratamento da doença lúpus, que é autoimune e afeta múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro. Essa perda e a de outros familiares se transformaram em combustível para que ela não desistisse daquilo que tanto almeja.

“O que me motiva (em busca da aprovação) é saber como reagir nessas situações, de como eu poderia ajudar outras pessoas que têm ou tiveram seus direitos violados, principalmente na questão da saúde”, disse.

Nova tática para a aprovação

A jovem afirmou que, por conta da rotina intensa de estudo, o tempo com a família diminuiu, assim como o cuidado com a saúde ou a ida à igreja. “Eu sei que é durante um período e é necessário. Eu priorizo muito o sono, porque ele faz com que a gente fixe o conteúdo melhor”, ressaltou.

Para a preparação deste ano, a resolução de questões foi um ponto-chave. “De manhã eu venho para o cursinho e, quando eu tenho retorno à tarde, eu fico no retorno. Quando não, fico na biblioteca estudando e fazendo questões. Eu priorizo as matérias em que tenho mais dificuldade, por exemplo, ciências da natureza e matemática. E tento, após cada matéria, resolver questões”, informou.

Além da pressão pela aprovação, Maximiana comentou que existe preconceito com quem faz cursinho. E “se blindar” dessa discriminação, protegendo o psicológico, é um ponto importante na preparação pela conquista da tão sonhada vaga.

Conciliação dos estudos

Luciana Rodrigues, 17, está no terceiro ano do Ensino Médio. Ela segue em busca da aprovação em Fisioterapia na Universidade do Estado do Pará (Uepa) ou na Universidade Federal do Pará (UFPA). A adolescente afirmou que a escolha por esse curso foi por conta da bisavó, que tem problema nas pernas e necessita desse tipo de cuidado, assim como diversos outros idosos que precisam do trabalho de uma fisioterapeuta.

Dependendo do dia da semana, ela estuda de duas a quatro horas, sempre conciliando as avaliações do colégio com o material dos vestibulares. “Começo o meu dia bem cedo, me organizo e vou para a escola. Por volta das 14h, eu chego em casa e descanso uma hora. Depois já começo a estudar. Nos meus estudos, tento ao máximo conciliar o que tenho na escola com as avaliações”, disse.

Rodrigues vê que a educação, além de possibilitar o ingresso na universidade, esclarece os deveres sociais de cada um. O que a faz continuar nos estudos, além da torcida da família e dos amigos, é “ser uma pessoa melhor, que pode servir à sociedade”, tendo consciência de estar fazendo algo certo e que ajude muitas pessoas.

“Os meus estudos me fizeram abdicar de muitas coisas, mas, ao mesmo tempo, mostraram o melhor de mim, que é a minha dedicação e resiliência. Hoje em dia, não pratico tanto exercício físico por me dedicar mais aos estudos. Mas isso é uma coisa que estou tentando mudar”, concluiu.

Sono é importante 

Há 13 anos, Murilo Veloso leciona a matéria de química. Ele orientou que o primeiro passo que o estudante precisa manter é a capacidade de se adaptar a essa rotina de estudos e, acima de tudo, manter um sono de qualidade, o que impacta diretamente na hora de absorver o conteúdo aprendido. “É um processo extremamente estressante e cansativo. Às vezes dorme mal e vira a madrugada tentando estudar, porque acha que rende mais. E a gente sabe que o sono é extremamente importante nesse contexto. Até porque, quando a gente deixa dormir, aumentam os níveis de cortisol, hormônio do estresse, e acaba dando o famoso ‘branco’ na hora do aprendizado”, disse ele.

Veloso brincou que, muitas vezes, o papel do professor ultrapassa o da sala de aula. “Às vezes somos psicólogos e até nutricionistas, indo além da explicação da matéria e dando suporte na forma de estudar”, frisou. 

Estudo ativo faz diferença

Emerson Soares, professor de história, caracteriza a rotina do vestibulando como uma “maratona de privações”, em que se abre mão de muitas coisas para ir em busca da aprovação e, ainda assim, de autoconhecimento. “O estudo deve ter prioridade dentro do objetivo que estão vivendo. Mas a abdicação de uma vida social se torna perigosa. A não organização de uma rotina prejudica muito. É muito importante (...) entender de que forma se aprende mais, se é visual, por exercício, por revisão semanal. Conhecer a maneira que facilita a aprendizagem faz com que a estratégia de estudo se torne mais efetiva e, consequentemente, menos sofrida”, destacou ele, que leciona a disciplina há 19 anos.

Para quem ainda vai iniciar a preparação para o vestibular, Soares aconselhou a prática do estudo ativo. Por exemplo, se o aluno vai para aula em um turno, no outro é preciso revisar os assuntos abordados com a resolução de questões, o que traz uma maior dinâmica na aprendizagem, segundo ele. “Um erro que o aluno comete é achar que precisa ser um depósito de conhecimento e de receber essa carga de informação e não saber lidar com isso de forma produtiva. Então, é preciso a organização de um horário de estudo em casa e ser disciplinado em seguir essa rotina”, concluiu.

Dicas para os vestibulandos:

  • Mantenha um sono de qualidade, evite noites mal dormidas. Isso eleva os níveis de cortisol e prejudica o aprendizado;
  • Siga uma rotina de estudos organizada, mas sem precisar deixar de lado totalmente a sua vida social;
  • Veja qual a sua melhor forma de aprendizado: visual, resolução de exercícios ou revisão;
  • Pratique o estudo ativo, método de aprendizagem em que se interage diretamente com o conteúdo.