Dia das Mulheres: ato contra o feminicídio e outras violências reúne centenas de pessoas em Belém
A mobilização começou na Escadinha da Estação das Docas, por volta das 9h, e seguiu em caminhada pelas ruas do centro da cidade, reunindo movimentos sociais, coletivos feministas, organizações populares
Centenas de pessoas participaram, na manhã deste domingo (8), de um ato em alusão ao Dia Internacional da Mulher, o "8M", em Belém. A mobilização começou na Escadinha da Estação das Docas, por volta das 9h, e seguiu em caminhada pelas ruas do centro da cidade, reunindo movimentos sociais, coletivos feministas, organizações populares e apoiadores da causa de todo o estado. Uma das principais pautas foi o combate aos casos de feminicídio e a outras formas de violência contra mulheres.
Com faixas, cartazes e palavras de ordem, as participantes destacaram uma série de reivindicações relacionadas à garantia de direitos e ao fortalecimento de políticas públicas voltadas às mulheres. Entre as principais pautas levantadas durante o ato esteve o combate à violência de gênero, problema que tem preocupado movimentos sociais diante do aumento de casos registrados no Pará e em outras regiões do Brasil.
Durante a caminhada, também foram feitos pedidos por maior valorização do trabalho feminino e pela igualdade salarial entre homens e mulheres. As manifestantes destacaram ainda a importância de reconhecer e fortalecer o trabalho das mulheres agricultoras do estado, que muitas vezes enfrentam desigualdade no acesso a políticas públicas e a recursos para produção.
Outras bandeiras
Outras bandeiras levantadas durante o ato incluíram críticas ao imperialismo e à transfobia, além da defesa da soberania dos povos que vivem nas regiões do interior. As participantes também reforçaram a necessidade de garantir dignidade, respeito e melhores condições de vida para as mulheres em diferentes áreas da sociedade. Brenda Araújo, vice-presidente da OAB-Pará, comentou que a presença do órgão no ato vai além de representar a advocacia enquanto classe.
“A instituição tem o dever constitucional de defender os direitos humanos e se alia à sociedade civil no combate ao feminicídio. Estamos aqui para mostrar, de forma concreta, que aderimos a protocolos de enfrentamento à violência contra as mulheres e que nos posicionamos diante da sociedade nessa luta", afirmou.
Ela também destacou a importância da mobilização feminina em todo o estado. “As mulheres hoje representam metade da população brasileira e também metade da advocacia. Estamos em todos os espaços, mas ainda enfrentamos muitas barreiras que, muitas vezes, começam dentro do próprio ambiente familiar, especialmente por causa da violência que impede muitas mulheres de avançar. Por isso, é tão importante que essas mobilizações ocorram em todo o estado, não apenas na capital. É uma forma de mostrar que, enquanto grupo, vamos permanecer unidas e continuar a luta iniciada historicamente no 8 de março. Não é sobre flores ou bombons, símbolos de fragilidade feminina, é sobre luta e conquista de direitos", frisou Brenda Araújo.
Entre as participantes também estava Domingas de Paula Martins Caldas, de 73 anos, integrante do Grupo de Mulheres Brasileiras e de outros movimentos sociais. “O 8 de março é o dia em que reafirmamos a nossa luta. E este ano ainda mais, porque de alguns anos para cá aumentou muito o feminicídio. Hoje não existe mais idade para morrer: são crianças, adolescentes, mulheres adultas e idosas. Por isso, é fundamental estar nas ruas e chamar a sociedade para se juntar a nós e combater essa violência.”
Ela ressaltou que o ato busca chamar atenção para a necessidade de punição aos responsáveis pelos crimes.
"Não podemos aceitar que as mulheres continuem morrendo dessa forma. Nós construímos esta sociedade e precisamos ocupar todos os espaços, mas não podemos morrer por isso. É preciso que a segurança pública faça sua parte, que os assassinos sejam presos e que haja justiça para parar essa matança de mulheres. Todos os dias vemos casos de mulheres assassinadas no estado e no país, e isso é um absurdo. Por isso, estamos aqui para dizer: parem de nos matar”, destacou Domingas de Paula.
Representantes de movimentos do interior do estado também participaram da mobilização. Entre elas estava Rosane Andria Silva dos Santos, integrante do Movimento Camponês Popular, que reúne mulheres de municípios como Igarapé-Açu, Paragominas, Ananindeua, Santa Luzia do Pará e Santa Maria do Pará, além de participantes do estado do Maranhão.
"Nós, do Movimento Camponês Popular, temos como uma das principais pautas a produção de alimentos saudáveis e a preservação das sementes crioulas. Também estamos em luta contra a violência contra as mulheres e para garantir comida de verdade para toda a classe trabalhadora, uma alimentação sem veneno, produzida principalmente pelas mulheres do campo."
“Estamos nas ruas neste 8 de março, que é o Dia Internacional de Luta das Mulheres, ao lado de outros movimentos e organizações para denunciar as diversas formas de violência que atingem as mulheres, tanto no campo quanto na cidade. Também denunciamos as violências cometidas contra nossos corpos e nossos territórios. Queremos mulheres vivas, com direitos, autonomia e dignidade”, declarou Rosane Andria.
O dia 8 de março é marcado mundialmente por mobilizações que buscam chamar atenção para a luta histórica das mulheres por direitos, igualdade e justiça social. Em Belém, o ato deste domingo reuniu uma diversidade de movimentos e reforçou a continuidade das reivindicações por políticas públicas mais eficazes no enfrentamento à violência e na promoção da igualdade de gênero.
Palavras-chave