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Devoção marca procissão de Nossa Senhora das Dores no centro histórico de Belém

O ponto alto da manhã será o Sermão do Encontro, previsto para 10h30, em frente à Igreja de Nossa Senhora das Mercês

O Liberal

A imagem de Nossa Senhora das Dores, que representa a mãe de Jesus, saiu da Igreja São João Batista na manhã desta Sexta-feira Santa (3), em Belém. A procissão percorre as ruas do bairro em direção à Igreja Nossa Senhora das Mercês, onde ocorre o tradicional encontro das imagens.

Neste momento simbólico, a imagem de Maria se encontra com a de Nosso Senhor dos Passos, que representa Jesus, relembrando de forma comovente o encontro entre mãe e filho no caminho do Calvário.

O ponto alto da programação é o Sermão do Encontro, previsto para as 10h30, em frente à Igreja de Nossa Senhora das Mercês. A pregação será conduzida pelo padre Gabriel Aparecido Paes, vigário episcopal da Região Santa Cruz e pároco da Paróquia Santa Teresinha da Amazônia.

O sermão retrata o emocionante encontro entre Jesus e Maria após a condenação de Cristo, destacando o sofrimento vivido no percurso até o Calvário. Trata-se de um momento de profunda reflexão sobre o amor de Deus, o sacrifício redentor de Jesus e a compaixão de Maria, a Mãe das Dores.

Entre os fiéis, a aposentada Deuza Machado, de 75 anos, destacou o sentido espiritual da celebração. “A gente fez a Via-Sacra todinha na catedral, e assim a gente vai caminhando, né, com Ele. Esse é o momento para a gente pedir, para a gente agradecer. É agradecer tudo, principalmente a nossa vida, para Ele. Precisamos dar muito amor, muito carinho. Ter muita fé também”, afirmou.

A dona Benedita Serrão, 58 anos, também ressaltou a gratidão. “É só gratidão. É só um pouco do que a gente precisa fazer por Jesus. Ele fez muito por nós e não fazemos nada por Ele”, disse.

A comerciária Milene Rocha, de 51 anos, falou sobre a importância da procissão para os cristãos. “Essa procissão é muito importante para nós, cristãos, de um modo geral, para refletirmos as dores de Nossa Senhora pelo seu amado filho, e as nossas dores que hoje carregamos. Dores pela nossa sociedade, pelos jovens que estão perdidos no mundo”, declarou. “Espero que nesse momento cada mãe, cada pai de família, cada jovem reflita pela importância do amor e da nossa fé em Cristo”, acrescentou.

Já a aposentada Rosa Maria Ferreira de Melo, de 80 anos, contou que acompanha a procissão há muitos anos e lembrou de uma perda familiar. “Eu tive uma perda muito triste. Ele hoje em dia está no céu, mas eu estou alegre”, disse.

Responsável pelo Sermão do Encontro, o padre Gabriel Aparecido Paes destacou a relevância espiritual da celebração. “A Semana Santa é algo muito importante para toda a Igreja Católica. E o Sermão do Encontro é um momento de profunda reflexão. Um ato belíssimo que nós temos entre Jesus e Nossa Senhora das Dores, em que vemos o amor entre uma mãe e seu filho”, afirmou.

Ele também convidou os fiéis a viverem o momento de forma intensa e pessoal. “Se a gente pensar, se hoje fosse a minha última Semana Santa, como eu vou viver esse momento? Não é apenas mais uma celebração, mas algo para a nossa vida”, refletiu.

O arcebispo metropolitano de Belém, Julio Endi Akamine, destacou que a Procissão do Encontro vai além de um gesto simbólico. “Não é somente um encontro afetivo, de mãe e filho, mas uma participação efetiva no Mistério da nossa salvação”, afirmou.

Segundo ele, o momento convida os fiéis a refletirem sobre as próprias dores e a união com Cristo. “Assim como Maria foi associada à redenção de Cristo, também nós podemos unir nossos sofrimentos ao de Jesus e participar do Mistério da Ressurreição”, concluiu.