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Desabamento de prédio no Comércio: Circulação de pedestres será liberada nesta quarta (8)

Embora a passagem de pedestres esteja autorizada nesses pontos, a circulação de veículos permanece proibida

O Liberal

A circulação de pedestres em parte da área isolada após o desabamento parcial de um prédio histórico no Centro Histórico de Belém será liberada a partir da manhã desta quarta-feira (8). A informação foi divulgada pela Prefeitura de Belém, que informou que a passagem estará autorizada nos cruzamentos da travessa 13 de Maio com as travessas 7 de Setembro e Campos Sales, além da travessa Padre Eutíquio com as ruas Manoel Barata e João Alfredo.

Apesar da liberação para pedestres nesses trechos, a circulação de veículos permanece proibida devido à continuidade dos serviços de escoramento do casarão, executados por uma empresa contratada pelo proprietário do imóvel. O entorno imediato da edificação seguirá isolado para garantir a segurança da população. Equipes da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel) permanecerão atuando na área para orientar condutores e pedestres e organizar o fluxo de trânsito.

Os trabalhos de escoramento do prédio histórico começaram na ​terça-feira (7). A intervenção tem como objetivo estabilizar a estrutura remanescente da fachada e reduzir o risco de novos desabamentos. O imóvel desmoronou parcialmente na manhã de segunda-feira (6), na rua 13 de Maio, no bairro da Campina.

Segundo a Prefeitura de Belém, o serviço está sendo executado por uma empresa contratada pelo proprietário do imóvel. Durante a realização da obra, parte da área permanecerá interditada por tempo indeterminado para garantir a segurança de pedestres, comerciantes e trabalhadores que circulam pela região.

A Prefeitura informou ainda que a Segbel segue prestando apoio às ações coordenadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Corpo de Bombeiros Militar. As equipes continuam atuando no isolamento do perímetro e na organização do trânsito nas vias afetadas.

Comerciantes cobram respostas

Na terça-feira (7), comerciantes instalados nas proximidades do casarão cobravam uma definição dos órgãos públicos sobre a liberação da área. Desde o desabamento, cerca de quatro a cinco quarteirões permanecem interditados por questões de segurança, impedindo o acesso às lojas.

Segundo os lojistas, além de não conseguirem abrir os estabelecimentos, eles também estão impedidos de retirar mercadorias para realizar vendas pela internet. A falta de informações tem aumentado a preocupação dos trabalhadores, principalmente por causa do período considerado estratégico para o comércio.

Segundo o empreendedor Eloi Santos, que aguardava por uma definição no local, a falta de informações aumenta a insegurança e os prejuízos para quem depende das vendas locais. “O que a gente precisa é de uma resposta. Queremos entrar nas lojas para trabalhar, pelo menos com as vendas online. Até agora nenhum representante de qualquer órgão competente veio conversar com a gente. O comerciante depende de vender para sobreviver”, disse.

O lojista destaca que o impacto financeiro aumenta a cada dia de interdição. “Estamos no mês de julho, que é um dos períodos mais importantes para o comércio. As vendas acontecem principalmente do dia 1º ao dia 15, e hoje já é dia 7. Cada dia fechado representa um prejuízo enorme para todos nós”, falou.

Segundo Eloi, aproximadamente 100 comerciantes estão sendo afetados pela interdição, embora apenas um imóvel tenha sofrido o desabamento. “Foi afetada uma loja, mas tem cerca de 100 lojistas desesperados, sem saber quando vão poder voltar a trabalhar. Nós só queremos uma resposta dos órgãos responsáveis”, cobrou.

O empreendedor afirma que os comerciantes compreendem a necessidade de restringir o acesso do público por questões de segurança, mas defendem que os proprietários possam entrar nos estabelecimentos para organizar mercadorias e atender clientes de forma remota. “Dá para o lojista entrar e trabalhar online. Eu concordo que não pode liberar a entrada de clientes enquanto houver risco, mas nós poderíamos acessar nossas lojas para separar produtos e fazer as vendas pela internet”, pontuou.

Eloi também relatou que os comerciantes tentaram buscar esclarecimentos junto às equipes que atuam na área, mas ainda não receberam uma posição oficial. “Até o presente momento não tivemos resposta de ninguém. Agora há pouco consegui falar com o senhor Pereira, da Defesa Civil, e a orientação foi apenas para aguardarmos. Só que ninguém informou quanto tempo vai demorar nem quando teremos uma definição”, comentou.

De acordo com o comerciante, a principal reivindicação do grupo é que algum representante dos órgãos responsáveis dialogue com os lojistas para apresentar uma previsão sobre os próximos passos da operação e, se houver condições de segurança, autorizar o acesso aos estabelecimentos para a realização das vendas online.

Desabamento

Parte da fachada de um casarão localizado na rua 13 de Maio, entre as travessas Padre Eutíquio e 7 de Setembro, no bairro da Campina, desabou na manhã de segunda-feira (6). Apesar dos danos materiais, não houve registro de feridos.

Logo após a ocorrência, equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da Defesa Civil estiveram no local para atender a ocorrência, isolar a área e iniciar as primeiras avaliações sobre as condições estruturais do imóvel.

Como medida preventiva, o acesso ao entorno do prédio foi bloqueado e estabelecimentos comerciais situados no perímetro interditado permaneceram fechados. A liberação total da área depende da conclusão das avaliações técnicas e da adoção das medidas necessárias para garantir a estabilidade da edificação e a segurança da população.

Uma análise preliminar realizada por um arquiteto da Secretaria Municipal de Cultura apontou que a combinação entre a falta de manutenção preventiva e a sobrecarga de mercadorias armazenadas nos pavimentos superiores pode ter contribuído para o desabamento. As causas, no entanto, ainda serão confirmadas por laudos técnicos elaborados pelos órgãos competentes.

Órgãos se manifestam

Em nota enviada à reportagem, o Iphan informou que o imóvel não é tombado individualmente em nível federal, mas integra o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico dos bairros da Cidade Velha e Campina, protegido como patrimônio cultural brasileiro. Segundo o órgão, houve pintura no local em 2022, sob autorização, além de uma vistoria realizada em março de 2026, sem identificação de sinais de rachaduras ou colapso na fachada.

“Conforme o Decreto-Lei nº 25/1937, a responsabilidade pela conservação e manutenção dos bens tombados é dos respectivos proprietários. Diante do ocorrido, foi instaurado procedimento de fiscalização nos termos da Portaria nº 187/2010, com a devida instrução para aplicação de auto de infração”, afirmou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O Corpo de Bombeiros Militar informou que segue atuando no local com apoio aos trabalhos de escoramento estrutural e mantém o isolamento da área para garantir a segurança da população. A corporação também informou que novas avaliações técnicas serão realizadas após a conclusão do escoramento para definir as próximas medidas.