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‘Círio de Nazaré, Meu Olhar de Fé’: Walbert Monteiro lançará terceira edição do livro em Belém

A obra faz um completo retrospecto da devoção mariana iniciada em Nazaré, Portugal, além de dar destaque aos seus personagens principais e polêmicas que envolveram a maior procissão católica do mundo

Saul Anjos

O jornalista e escritor Walbert Monteiro, integrante das Academias Paraense de Letras e de Jornalismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, lança, no dia 30 deste mês, na Casa de Plácido, em Belém, a terceira edição de seu livro “Círio de Nazaré, Meu Olhar de Fé”. A obra, apresentada em capa dura e com 370 páginas, totalmente em policromia, também será lançada na Bienal Internacional do Livro, na capital paulista, no dia 6 de setembro.

Walbert, que já foi Coordenador do Círio de Nazaré (1989/1990) e é colunista no jornal O Liberal, faz um completo retrospecto da devoção mariana iniciada em Nazaré, Portugal; conta a história de D. Fuas Roupinho, o almirante português que protagonizou o primeiro milagre atribuído à intercessão da Virgem.

O livro também fala sobre o começo da devoção em Belém, com o achado da imagem por Plácido José de Souza, descrevendo a evolução do Círio, além de dar destaque aos seus personagens principais e polêmicas que envolveram a maior procissão católica do mundo. Monteiro fornece ainda todas as informações atuais sobre a quadra nazarena dentro dessa obra.

Essa terceira edição foi a materialização de um sonho para Walbert, já que as duas anteriores, ambas com mil exemplares cada, esgotaram rapidamente. Dessa vez, Monteiro destacou a importância de D. Fuas Roupinho. “Ele foi o primeiro almirante português, responsável pela expulsão dos mouros que ocupavam a península ibérica, após memoráveis batalhas. Ao final de uma delas, na região onde hoje se situa a Cidade da Nazaré, então Porto de Moz, ele, entregando-se aos prazeres da caça, deparou-se com um enorme veado (que a lenda diz ser o demônio encarnado) ao qual começou a perseguir. O animal, adentrando a mata, chegou a um precipício, jogando-se ao mar”, detalhou.

Walbert disse que o cavaleiro só percebeu o perigo quando sua montaria já estava à beira do abismo, momento em que exclamou: “Valei-me, Senhora da Nazaré!”. “O cavalo instantaneamente parou, erguendo-se sobre as patas traseiras e conseguindo dar um retorno, salvando-o da morte certa. Como gratidão, D. Fuas mandou erguer a Capela da Memória, até hoje existente, em Nazaré. O Carro dos Milagres, criado em homenagem a esse episódio, foi introduzido no Círio em 1801, como presente da Rainha de Portugal, D. Maria I”, complementou.

Durante todos esses anos de festividades, existem símbolos que mantiveram sua essência. De acordo com o escritor, trata-se da fé dos romeiros. Ele ressaltou que, entre as mudanças positivas, estão o aumento do número de procissões e o reconhecimento do Círio como Patrimônio Cultural da Humanidade, do Brasil e do povo paraense.

“O Círio é um evento único que congrega o povo paraense em um único sentimento de solidariedade, alegria, devoção e fé. Até mesmo suas facetas ecumênicas lhe dão realce, quando testemunhamos irmãos de outras crenças em gestos esplêndidos de caridade. E, quanto à cultura popular, as diversas manifestações folclóricas que dele decorrem constituem prova da sua importância para o imaginário do povo paraense”, ressaltou.

Ao terminar o livro, Walbert espera que o leitor reflita em preservar e respeitar de forma intensa o Círio de Nazaré. “Nós só amamos de verdade aquilo que conhecemos e, conhecendo melhor a história do Círio, os personagens que participaram do gênesis de sua criação e lhe garantiram a perenidade, tudo o que o cerca, tenhamos a consciência de que é necessário preservar suas tradições e respeitar o que existe de mais profundo e significativo no povo: a devoção mariana e a fé", concluiu.