Ciclofaixa da Boulevard Castilhos França vira rota de risco para ciclistas
Ciclistas enfrentam insegurança e falta de respeito na ciclofaixa do Boulevard da Gastronomia
Quem pedala na Boulevard Castilhos França, especialmente na área do Boulevard da Gastronomia, no bairro da Campina, precisa manter a atenção redobrada. Dentro do perímetro do complexo, onde bares e eventos movimentam a área aos finais de semana, a ciclofaixa apresenta boas condições estruturais, como pavimento conservado e sinalização acesa na pista, mas o tráfego exclusivo de ciclistas não é respeitado no espaço.
O fluxo intenso de motocicletas, muitas delas em alta velocidade, invade constantemente o espaço. Principalmente nos horários de maior fluxo de veículos, motos utilizam a ciclofaixa como rota alternativa para cortar o trânsito. Além disso, de acordo com ciclistas, mesas e cadeiras de estabelecimentos comerciais do entorno ocupam o espaço em dias de maior movimento.
Segundo ciclistas que passam diariamente pelo local, quando o Boulevard da Gastronomia recebe eventos e grande público, a via se torna praticamente intrafegável. O acúmulo de pessoas, a falta de fiscalização e o desrespeito às regras de trânsito transformam a ciclofaixa em um espaço de risco, obrigando muitos ciclistas a disputarem lugar com carros e ônibus na pista principal.
Os problemas se intensificam no cruzamento da Boulevard Castilhos França com a Travessa Padre Prudêncio. Nesse ponto, a sinalização da ciclofaixa está apagada, dificultando a identificação do espaço reservado aos ciclistas. Para agravar a situação, a ciclofaixa termina no início do perímetro, dando lugar a um estacionamento de carros, sem qualquer transição segura para quem segue de bicicleta.
Ainda nesse trecho, a reportagem flagrou que a ciclofaixa estava obstruída por contêineres e cavaletes de uma obra do Complexo dos Mercedários, pertencente à Universidade Federal do Pará (UFPA). No mesmo local, enquanto uma placa de trânsito indica a circulação exclusiva de bicicletas, os obstáculos impedem a passagem dos ciclistas e, ao mesmo tempo, permitem o estacionamento de veículos.
A partir desse ponto, seguindo pela Boulevard Castilhos França em direção ao Ver-o-Peso, a ciclofaixa deixa de existir, embora uma outra placa de trânsito indique o fim da ciclovia só na esquina com a Travessa Frutuoso Guimarães. O trecho é marcado por trânsito intenso de carros, ônibus, caminhões, pedestres e ciclistas, forçando quem depende da bicicleta a se arriscar em meio aos veículos.
Ciclistas relatam insegurança e desrespeito
Marco Roberto, que trabalha entregando gelo no Ver-o-Peso, conhece bem essa realidade. Ele utiliza a bicicleta diariamente como ferramenta de trabalho, geralmente durante a madrugada. “No final de semana, às três horas da manhã, quando eu passo para trabalhar, é muito difícil andar aqui na ciclofaixa, porque tem eventos no Boulevard da Gastronomia. Tem muita festa, pessoas bebendo, e eles colocam cadeiras em cima da ciclofaixa”, relata.
Segundo Marco, o risco não vem apenas dos pedestres. “Passa moto aqui direto, em alta velocidade, e não respeita nenhum ciclista. Também tem carro que estaciona em cima da ciclovia. Isso atrapalha muito o nosso ir e vir para o Ver-o-Peso”, afirma. Ele ainda destaca a sensação de insegurança durante a noite. “Às vezes tem moradores de rua ao redor, aí a gente fica com receio de passar aqui. Muitas vezes é mais seguro ir pelo meio dos carros do que pela ciclofaixa”, diz.
Quando a faixa exclusiva termina, o perigo aumenta. “Quando a ciclovia acaba, tem que se arriscar no meio dos carros. Eu trabalho das três da manhã às dez da manhã. A bicicleta é meu ganha-pão. Precisa demarcar mais, precisa de fiscalização. A fiscalização é o que falta, e a segurança também, que está precária”, reforça Marco.
Situação semelhante é vivida por Roberto Silva, trabalhador autônomo que transporta balões de gás usando a bicicleta. Para ele, mesmo dentro da ciclofaixa, o ciclista não está protegido. “Em plena ciclofaixa, o ciclista tem que encostar para a moto passar, porque eles não respeitam. Se não sair, a moto te pega”, afirma.
Roberto conta que o medo é constante. “Tu vai desviar para onde? Se for para a pista, o carro pode te atropelar. Tem que andar devagarzinho, olhando direitinho. Falta fiscalização. Tinha que ter câmera para filmar e multar, para dar espaço para a bicicleta”, defende. Ele lembra ainda de um acidente sofrido anteriormente. “Uma vez uma moto me bateu na 9 de Janeiro. Isso não é só aqui, é na cidade toda”, conclui.
Nota da Prefeitura de Belém
Em nota, a Prefeitura de Belém informou que vai acionar o Código de Posturas do município para apurar a situação relacionada à ocupação irregular da ciclofaixa na Boulevard Castilhos França, especialmente no perímetro do Boulevard da Gastronomia.
"A Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel) realizará ação de fiscalização no local por meio da equipe do Código de Posturas para verificar as condições do espaço público e adotar as providências cabíveis, garantindo a ordem urbana e o uso adequado da ciclofaixa, conforme a legislação municipal vigente.", detalha a nota.
"A Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel) informa que, devido às adequações no centro da cidade para a preparação da COP 30, houve reorganização temporária de áreas de estacionamento, incluindo o trecho em frente ao prédio dos Mercedários da UFPA.", acrescenta.
A Segbel também esclarece que a recolocação da ciclofaixa no local já está prevista no cronograma de sinalização, visando reforçar a segurança viária. "O perímetro conta diariamente com a fiscalização de agentes de trânsito, que atuam na orientação dos condutores e no cumprimento das normas de circulação e estacionamento.", finaliza.
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