Centro Histórico de Belém recebe caminhada guiada que percorre quatro séculos de história
O circuito reúne duas iniciativas reconhecidas nacionalmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Belém começou a manhã deste domingo, 2, de um jeito diferente. Em vez da correria típica do Centro Comercial, moradores e turistas ocuparam as ruas da Campina para conhecer a história da capital paraense por outro ponto de vista. A primeira edição do “Rolé por Belém” reuniu participantes em uma caminhada guiada gratuita pelo Centro Histórico, percorrendo construções centenárias e locais que ajudam a contar os mais de quatro séculos da cidade. Além de aproximar o público do patrimônio histórico, o passeio também marcou a abertura das atividades do Perifa.Doc em Belém, projeto de formação audiovisual voltado para jovens de periferias. A concentração aconteceu no antigo Museu do Bonde, atual Restaurante Popular Dr. Osvaldo Coelho, de onde o grupo saiu às 8h30 para um percurso de aproximadamente duas horas e meia. Ao longo do trajeto, os participantes passaram por ruas, igrejas, casarões e instituições históricas que revelam diferentes momentos da formação de Belém, desde o período colonial até a época da riqueza proporcionada pelo Ciclo da Borracha.
A programação uniu duas iniciativas reconhecidas nacionalmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan): o Rolé Brasil, criado a partir do Rolé Carioca, e os Roteiros Geo-Turísticos, coordenados pela professora doutora Maria Goretti da Costa Tavares, da Faculdade de Geografia da Universidade Federal do Pará (UFPA). A proposta vai além de apresentar monumentos. O objetivo é incentivar um olhar mais atento sobre a cidade, sua arquitetura, sua memória e os diferentes processos históricos que moldaram Belém.
Durante a caminhada, o grupo percorreu a Rua João Alfredo, conhecida pelos casarões e palacetes construídos durante a Belle Époque, passou pela Praça e Igreja das Mercês, pelo Convento dos Mercedários, seguiu pelas travessas Frutuoso Guimarães e Campos Sales até o Arquivo Público do Pará, que preserva mais de quatro milhões de documentos relacionados à Amazônia Legal. O roteiro também incluiu a Capela Pombo, a Igreja de Santana e terminou na sede da Associação Comercial do Pará.
Um dos organizadores da atividade, o turismólogo e geógrafo Jonathan Rodrigues destacou que o passeio faz parte do Projeto Circular, iniciativa que incentiva a ocupação cultural dos bairros históricos da cidade. Segundo ele, a proposta é permitir que moradores e visitantes conheçam detalhes que normalmente passam despercebidos durante a rotina. “É muito importante que a gente possa fazer esse passeio pelo bairro da Campina para que as pessoas tenham essa inserção e percebam detalhes que, no dia a dia, acabam passando despercebidos. A maioria conhece a Campina apenas como o comércio, mas ela guarda uma história muito rica”, explicou. Jonathan também adiantou que novas edições já estão previstas e devem acontecer dentro da programação do Projeto Circular, ampliando os roteiros por diferentes bairros históricos da capital.
Além do aspecto turístico, a caminhada também teve um papel importante na formação de novos realizadores audiovisuais. Os 20 jovens participantes do Perifa.Doc utilizaram o percurso como laboratório prático para observar paisagens, personagens e histórias que servirão de inspiração para a produção de documentários. A programação do Perifa.Doc continua entre os dias 3 de agosto e 17 de setembro com oficinas, aulas teóricas, cineclubes e atividades de edição de vídeo. Ao final da formação, os curtas produzidos pelos participantes serão apresentados gratuitamente ao público durante um festival de cinema previsto para setembro.
Entre os participantes da caminhada estava o aposentado Osni Valporto, carioca que vive em Belém há oito anos. Frequentador dos Roteiros Geo-Turísticos desde que chegou à cidade, ele afirma que cada edição revela novos detalhes sobre lugares por onde costuma passar. “Esse roteiro está excelente. A gente anda pelas ruas todos os dias, mas muitas vezes não observa os detalhes das construções. Quando os monitores pedem para olhar para cima, por exemplo, a gente percebe elementos que contam a história da cidade”, contou.
Osni diz que conheceu o projeto quando ainda buscava entender melhor Belém e, desde então, participa sempre que um novo percurso é anunciado. “Eu comecei a acompanhar para conhecer a cidade e hoje praticamente participei de todos os roteiros. Sempre aparece uma informação nova. Depois acabo compartilhando esse conhecimento com outras pessoas que moram aqui e muitas vezes não conhecem essa história”, afirmou.
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