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Campanha do TJE-PA e CNJ divulga nova forma de expressar vontade de doação de órgãos

Doadores podem fazer Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), mas famílias ainda precisará autorizar doação de órgãos

Vito Gemaque

A Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE-PA) realizou uma ação da campanha "Um Só Coração: Seja Vida na Vida de Alguém" na manhã deste domingo (13), na Praça da República, em Belém, com o intuito de sensibilizar a população sobre a importância da doação de órgãos. A ação divulgou Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) que é um documento digital com validade jurídica que registra a vontade da pessoa em ser doadora de órgãos, tecidos e partes do corpo. Os doadores podem realizar uma declaração, que será encaminhada para a família, no momento em que for necessária. 

A iniciativa é do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com cartórios de todo o Brasil para estimular a doação de órgãos e facilitar a formalização da vontade de ser doador. A ação contou com a parceria do Colégio Notarial do Brasil, e da Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa).

De acordo com os juízes auxiliares Horácio Lobato e André Filo-Creão, ambos da corregedoria do TJE-PA, essa foi a primeira divulgação da plataforma para a sociedade no Estado do Pará. Outros eventos serão realizados, principalmente com as ações do ‘Registre-se’ que é uma ação do TJ para emitir certidões de nascimento, casamento, carteira nacional de identidade e outros documentos para pessoas em vulnerabilidade.

"O nosso objetivo do dia de hoje é fazer a divulgação da campanha  que é produzida e capitaneada pelo Conselho Nacional de Justiça, que é a campanha ‘Um só coração, seja vida na vida de alguém’ que busca fazer a fomentação e a divulgação dessa importante política pública, que é a doação de órgãos”, declarou o magistrado Horácio Lobato. A plataforma eletrônica exige dois momentos que é de certificação, quando a pessoa interessada em ser doadora é certificada pelo tabelião de notas, onde ela ganhará um certificado, e em um segundo momento faz uma declaração de vontade, com o intermédio de uma escritura, onde a pessoa manifesta a vontade de ser doadora.

Para o juiz André Filo-Creão, a avaliação da receptividade da população é a melhor possível. “Nossa avaliação é a melhor possível. É o poder judiciário saindo dos tribunais, vindo até a praça e a população para falar algo tão importante que é a doação de órgãos”, contou. "A AEDO é uma alternativa, é mais um caminho onde a pessoa externaliza sua vontade de ser doadora de órgãos. Isso é mais uma evolução da sociedade das ferramentas tecnológicas que estão a disposição das pessoas no dia de hoje”, falou. Entretanto, ele reforçou que o diálogo com a família é essencial, porque mesmo com a AEDO quem decidirá o destino dos órgãos são os familiares. 

Dados da Central de Transplantes apontam que até junho deste ano foram realizados  170 transplantes de córneas, 22 de rim e 12 de fígado. O gerente operacional da Central de Transplantes do Estado do Pará, Cláudio Levi, reforçou a importância de campanhas como a realizada pelo CNJ para sensibilizar as famílias. “Esta ação que nós fomos trazidos para a praça potencializa este momento de decisão, que é tomada pela família, pelos familiares mais próximos. Com a declaração da pessoa, que já é doadora disponibilizando seus órgãos para a doação, isso faz com que facilite a abordagem pelos técnicos da central de transplantes junto à família. É mais um suporte, embora a decisão seja realmente da família”, resumiu.