Campanha dá apoio a menino de dez anos que enfrenta o câncer com cirurgia inédita no norte
Mobilização angaria fundos e pede doações para família de Belém manter tratamento
A história da família do menino de dez anos que passou por uma cirurgia realizada pela primeira vez na região norte para tratar de um câncer chamou a atenção esta semana na redes sociais. Após uma intervenção inédita, assistida pela equipe médica do Hospital Oncológico Infantil Octavio Lobo (Hoiol), de Belém, os pais da criança estão empenhados em uma campanha para reunir fundos e doações de voluntários que auxiliem a manutenção do tratamento.
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"Permanecemos no hospital. Meu filho se recupera bem da cirurgia que posibilitou nosso guerreiro permanecer com sua perna direita. Agradeço primeiramente a Deus por esse milagre, e a toda a maravilhosa equipe do hospital", emociona-se a mãe, Luana Oliveira de Souza, que esta semana compartilhou em redes sociais pedidos de ajuda. A operação aconteceu no dia 1 de abril. "Aos poucos ele retoma os movimentos. Não é tão simples e ele sofre com dores".
MEDICINA DE PONTA
A intervenção no fêmur direito do menino da família Oliveira Souza permitiu que a perna não tivesse que ser amputada - muitas vezes uma necessidade estrita para que o tratamento contra o câncer tenha continuidade em casos como o dele.
A circurgia realizada em Belém foi a primeira a usar uma tecnologia de ponta no norte do Brasil. Um médico veio de outro estado para dar apoio à equipe que fez o procedimento em Belém. A parte do fêmur que merecia atenção foi retirada para que a intervenção pudesse ser feita. Após ser megulhada em nitrogênio líquido, em baxíssima temperatura, a parte do tecido ósseo foi reinplantada, com o apoio de uma placa de metal e parafusos.
A técnica "frozen bone", com uso de nitrogênio, gera algumas queimaduras a frio, que também são cuidadas após a intervenção. Uma consequência mínima, frente aos benefícios e ao alcance das possibilidades de tratamento abertas pela nova técnica. A cirurgia realizada pelo Hospital Oncológico Infantil foi conduzida pelo doutor Fernando Brasil - médico que é referência em ortopedia e traumatologia e ortopedia oncológica no Pará. O hospital foi instalado há três anos, em São Brás
"Hoje começamos a pensar na volta ao lar, e meu filho vai passar um tempo sem poder fazer peso sobre a perna operada. Precisaremos de suporte, para um colchão adequado, material de curativo, trocas diárias de panos de cama, fisioterapia, alimentação e um ventilador. O nosso aparelho parou dois dias antes da internação", detalha a família.
APOIO A FAMÍLIAS
A condição da mãe Luana Souza é um desafio cotidiano de famílias que enfrentam tratamentos contra o câncer durante a infância e a adolescência em todo o Brasil, e principalmente na região Norte. Nessa faixa etária, os tratamentos também podem durar anos - e quase na totalidade das vezes exigem mudanças extremas de rotinas e até de endereços, para que os pacientes sejam acompanhados de perto pelas famílias.
O filho de Luana mantém os estudos do 4º ano do Ensino Fundamental dentro do hospital Octávio Lobo. É estudante do projeto Classe Hospitalar, mantido pelo governo do Estado. Antes da doença, era aluno da Escola Municipal União e Fraternidade.
Muitos pais e mães também precisam estar próximos aos hospitais de referência oncológica, para seguir mantendo a rotina de frequentes internações e acompanhamento médico constante. Isso geralmente exige que larguem trabalhos e outras atividades remuneradas.
O impacto econômico sobre essas famílias é inevitável - e é uma preocupação que já até exige programas de assitência social específico, visando ações de empreendedorismo e outras saídas para geração de renda, como já ocorre no próprio Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo. "Não recebo benefício nenhum e infelizmente sou a única acompanhante do meu filho", ressalta Luana Souza.
O diagnóstico foi feito em setembro de 2018, após a doença começar a se manifestar em dezembro de 2017. "Levamos sete meses, indo em vários serviços de saúde, até obter o diagnóstico", conta a mãe. Luana Souza, de 31 anos, teve que abandonar o trabalho como chapista de uma lanchonete para acompanhar os cuidados com o filho. Ela segue desempregada.
PARA AJUDAR
As pessoas que querem ajudar a família Oliveira Souza e o pequeno garoto de dez anos em tratamento no Oncológico Infantil podem ter mais informações no número (91) 98434-6491
Para doações em dinheiro, a família também divulgou dados bancários da Caixa Econômica Federal. Para depósitos: agência 3229; conta corrente 00008395-2 (opção: 023).
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