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Caminhoneiros comentam mudanças nas regras de circulação de veículos de carga na BR-316

As novas regras já estão em vigor

O Liberal

As novas regras para a circulação de veículos de carga na BR-316, na Região Metropolitana de Belém, já começaram a repercutir entre caminhoneiros e motoristas que utilizam diariamente a rodovia. As mudanças passaram a valer com a publicação do Decreto nº 5.506, no último dia 3 de julho, que alterou os horários e os dias de restrição para o tráfego de caminhões na principal via de acesso à capital paraense.

Pelas novas normas, as restrições passam a ser aplicadas apenas de segunda a sexta-feira, nos horários de maior fluxo de veículos, das 6h30 às 8h30 e das 17h30 às 19h30. Outra mudança é que caminhões com Peso Bruto Total (PBT) de até 29 toneladas poderão circular sem qualquer restrição de horário. Além disso, não haverá mais limitação para veículos de carga aos sábados, domingos e feriados não prolongados. A restrição permanecerá apenas durante os feriados prolongados.

As alterações foram anunciadas poucos dias após uma manifestação organizada pela Associação de Caminhoneiros do Estado do Pará (ACAEP), realizada no dia 30 de junho, na descida do viaduto da Alça Viária, em Marituba. O protesto interditou uma das faixas do km 10, no sentido da BR-316 em direção a Belém, e tinha como principal reivindicação a revisão do decreto estadual publicado em 2025, que restringia a circulação de veículos longos na rodovia. A manifestação foi encerrada por volta das 12h, quando a pista foi totalmente liberada.

Para o caminhoneiro Damião Rosa de Souza, de 49 anos, natural do Espírito Santo e há 18 anos na profissão, a redução do período de restrição trouxe mais agilidade para a rotina de trabalho. “Para a gente melhorou bastante, porque antes tinha um horário permitido para rodar muito reduzido. No meu caso, que preciso ir até o centro, esse novo horário ficou bem mais viável”, afirmou.

Segundo Damião, a medida reduz o tempo de espera e melhora a produtividade dos motoristas. “Foi muito bom para a gente, porque ficamos menos tempo parados no posto. Conseguimos ir até o cliente, descarregar, retornar com mais tranquilidade, descansar e seguir viagem no outro dia”, comentou.

Apesar de considerar positiva a mudança, o caminhoneiro autônomo Cleinaldo Vicente Leuterio, de 45 anos, natural do Espírito Santo e há 21 anos na profissão, afirma que ainda falta uma melhor divulgação das novas regras.

“Na verdade, acho que tem que ter mais informação sobre isso, porque quando venho de lá para cá ainda encontro algumas placas com os horários antigos, informando restrição de 7h às 10h e de 17h às 20h. Eu nem sabia que a restrição também valia para a saída. Um colega me avisou e eu parei no posto”, relatou.

Segundo ele, a falta de sinalização pode gerar dúvidas principalmente para motoristas que não circulam frequentemente pela BR-316. “A gente roda o Brasil todo. Em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro também existem restrições para caminhões, mas tudo é muito bem sinalizado. Quando a gente entra no Pará, encontra informação no posto fiscal. Mas, para quem já está dentro da cidade e vai sair, não tem placa nem um lugar para parar e conferir os horários”, revelou.

Na avaliação de Cleinaldo, a ampliação do período de circulação representa um avanço para a logística do transporte de cargas. “Claro que é bom. A gente não entra na cidade porque quer. Entra porque precisa carregar ou descarregar. Quando existe uma restrição muito grande, perdemos tempo parados. Além disso, muitas seguradoras não permitem que o caminhão rode depois de determinado horário. Às vezes você consegue chegar ao porto e já não pode mais entrar para descarregar. Essas mudanças ajudam bastante”, falou.

As alterações também são vistas com naturalidade por quem utiliza diariamente a BR-316 em veículos de passeio. Morador da avenida Augusto Montenegro, Carlos Rubens da Silva, de 63 anos, afirma que não vê problemas na flexibilização das regras para os caminhões. “Não vejo problema nenhum, porque todo mundo tem que trafegar. Infelizmente, a avenida Liberdade ainda está com problemas no asfalto, mas, por mim, não vejo problema nenhum”, disse.

Segundo Carlos Rubens, o trânsito ficou mais intenso após as dificuldades registradas na avenida Liberdade, mas continua fluindo na maior parte do dia. “Piorou um pouco depois daquele problema na avenida Liberdade. Quanto ao restante, está tranquilo. De manhã o trânsito é mais leve. Só no começo da noite o movimento fica mais pesado”, declarou.

Ele destaca que a convivência entre caminhões e carros depende da responsabilidade dos condutores. “Os cuidados que eu tenho são seguir na minha faixa, só mudar de pista quando realmente é necessário e respeitar os caminhões, que são maiores do que os carros de passeio”, pontuou.