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Caminhada pela inclusão percorre ruas de Belém neste domingo em apoio a pessoas com autismo

Evento que começou com a concentração às 8h, na Praça Batista Campos, faz parte da programação do Abril Azul

Gabriel Pires

Belém recebeu neste domingo (12/4), a Caminhada pela Inclusão, reunindo famílias, amigos e apoiadores em um ato coletivo de conscientização e defesa de direitos. A programação teve concentração que iniciou a partir das 8h na Praça Batista Campos e percorreu o entorno do espaço. A mobilização integra a programação do Abril Azul, campanha voltada à visibilidade do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A expectativa da organização era reunir em torno de duas mil pessoas. 

A caminhada reuniu diferentes públicos, de familiares a profissionais e apoiadores da causa, em um ato marcado por falas de pessoas com TEA, representantes de grupos e de instituições que atuam na área. Durante o percurso, participantes destacaram a importância da inclusão no dia a dia, o acesso a serviços e o respeito às diferenças, enquanto entidades reforçaram a necessidade de políticas públicas e ampliação das redes de apoio.

Mãe atípica, a vereadora Nay Barbalho, que estava à frente da programação, afirma que a caminhada simboliza uma conquista das famílias, ao reunir participantes de diferentes municípios em defesa de políticas públicas voltadas à inclusão. Ela enfatiza ainda que a pauta não pode ficar restrita ao mês de abril, sendo necessário manter, durante todo o ano, o compromisso com a visibilidade e a garantia de direitos das pessoas com TEA.

“Esse é um momento, uma caminhada histórica, construída pelas famílias. É uma vitória das famílias do município de Belém e de outros municípios. Hoje, tivemos aqui representantes de vários municípios, mostrando que essa demanda por políticas públicas é de todos. É importante destacar que esse trabalho não pode ser feito apenas no mês de abril. Ele precisa acontecer todos os dias do ano. A visibilidade e a luta por políticas públicas de inclusão são um compromisso de todos e devem ser permanentes”, frisa Nay.

Nay ainda destaca que o evento reuniu famílias de pessoas com autismo e outras deficiências, além de serviços, órgãos públicos e clínicas, formando um conjunto diverso de participantes engajados em dar visibilidade à causa e fortalecer a luta por inclusão. “A gente precisa entender que o autismo é uma deficiência invisível, e isso torna tudo muito mais difícil. Por isso, é importante esse tipo de mobilização para mostrar o tamanho da demanda que existe e a atenção e o cuidado que devemos dar a essa pauta”, relata ela.

O prefeito de Belém, Igor Normando, enfatiza que a gestão municipal tem buscado legitimar, acolher e desenvolver políticas públicas efetivas voltadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo ele, a caminhada de conscientização representa mais do que um ato simbólico, sendo também uma demonstração de respeito, inclusão e compromisso com a garantia de direitos.

“A Prefeitura entende que é preciso legitimar, acolher e criar políticas públicas efetivas para pessoas com TEA. A caminhada de conscientização é mais do que uma caminhada: é um gesto de respeito e inclusão, e, sobretudo, mostra que seguimos firmes na luta pelos direitos de quem mais precisa, em especial das pessoas autistas. Esse é um compromisso do nosso trabalho, do Legislativo e de toda a sociedade”, declara.

Momento de união

A terapeuta ocupacional Hávila Brito, 33, participou da caminhada ao lado do afilhado Joaquim, de 9 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista. Ela frisa que o momento simboliza a união entre famílias e profissionais em defesa da inclusão e do respeito, além de reforçar a importância do diagnóstico precoce e do acesso a tratamento adequado para garantir qualidade de vida às crianças.

“Eu estou aqui com o meu afilhado Joaquim, que possui o transtorno do espectro autista, neste dia tão importante da caminhada. No dia a dia, como família e também como profissional da área, vemos a importância de estarmos juntos, vestindo a camisa para mostrar o respeito, a inclusão e a importância do diagnóstico para que tenhamos um tratamento de qualidade nessas crianças e que essas famílias sejam bem assistidas”, relata.

Segundo ela, a mobilização também funciona como espaço de troca de experiências e acolhimento. Hávila ressalta que a presença de equipes multiprofissionais fortalece o apoio às famílias, especialmente diante dos desafios enfrentados no cotidiano. “Esse momento é único para estarmos juntos, apoiando essa causa tão importante. É também um momento de união entre as famílias, de compartilhar experiências, não só entre familiares, mas também com os profissionais, todos aqui envolvidos, mostrando que estamos juntos, inclusive nos momentos que não são tão fáceis”, afirma.


Combate a estigmas

Presente na caminhada, a professora e mestra em educação Priscila Caseiro, 41, participou da programação ao lado da filha, Clarice de Oliveira, com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3 de suporte. Ela contou que os primeiros sinais apareceram ainda na infância, quando percebeu atrasos no desenvolvimento, o que a levou a buscar diagnóstico e acompanhamento especializado. A professora ressalta ainda o papel de mobilizações como a caminhada para ampliar a visibilidade e combater estigmas sobre o autismo, defendendo o respeito às diferenças e a inclusão na sociedade.

“Eu percebi [os sinais de TEA], quando ela tinha um ano e meio, que não estava acompanhando os marcos do desenvolvimento, e comecei uma busca para entender o que poderia ser. Fui procurar especialistas e, com dois anos e meio, ela foi diagnosticada com autismo. E esse momento é muito importante para mostrar que eles existem, que estão na sociedade e que têm os mesmos direitos. As pessoas precisam respeitar a diversidade e entender o que é o autismo. É importante que as famílias saibam identificar os sinais e busquem ajuda o quanto antes”, observa.

Segundo Priscila, o conhecimento prévio na área da educação contribuiu para garantir acesso a terapias e suporte adequado à filha, que necessita de apoio substancial. Ela também destaca a importância da informação para outras famílias, especialmente sobre a identificação precoce dos sinais. “Nossos filhos não são aquele estereótipo criado no passado. A minha filha, por exemplo, é muito amorosa, entende tudo e gosta de participar desses momentos”, pontua a professora.