MENU

BUSCA

Foco, planejamento e persitência: belenense 1º lugar em Medicina dá dicas para o vestibular

Camille Azevedo, de 17 anos, foi 1º lugar geral em Medicina pela UFPA, Uepa e Unifap. Ela acredita que o bom resultado é reflexo de uma rotina intensa de estudos, disciplina e, sobretudo, cuidado com a saúde mental

Bruna Lima

Iniciar o ano com foco, planejamento e persistência pode fazer toda a diferença durante a prepação para o vestivular, para quem sonha com uma vaga no ensino superior, especialmente em cursos concorridos como Medicina. Prova disso é a trajetória da belenense Camille Azevedo, de 17 anos, que conquistou o 1º lugar geral em Medicina nos processos seletivos da Universidade Federal do Pará (UFPA), da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e também da Universidade Federal do Amapá (Unifap). O resultado é reflexo de uma rotina intensa de estudos, disciplina e, sobretudo, cuidado com a saúde mental.

A decisão de seguir a carreira médica surgiu no 9º ano. “Fui muito inspirada pela minha prima, que tinha passado em Medicina. A partir daí comecei a me interessar mais pela área, principalmente por ser muito abrangente”, relembra. Ciente da alta concorrência, ela entendeu desde o início que o caminho exigiria constância. “Eu sabia que, se quisesse ter alguma chance, precisava começar o quanto antes. Dediquei todo o meu ensino médio a isso”, disse a caloura.

Durante a rotina escolar, o estudo nunca foi deixado para depois. Ao chegar da escola, Camille revisava os conteúdos, assistia videoaulas e, principalmente, resolvia muitas questões. “Questão é o que mais diferencia”, afirma. Curiosamente, o foco maior era justamente nas disciplinas em que tinha mais dificuldade. “O que a gente tem facilidade acaba deixando um pouco de lado, mas não adianta. É no que você é ruim que precisa investir mais”.

O hábito de estudar, no entanto, não surgiu do nada. Desde pequena, Camille sempre gostou de ler, o que facilitou a adaptação a uma carga maior de estudos no ensino médio. No ano decisivo para o Enem, a organização foi ainda mais estratégica. Pela manhã, frequentava a escola, em apenas dois dias da semana fazia cursinho. “Preferi não lotar minha semana. O que diferencia mesmo é o estudo em casa, sozinho. Não adianta fazer vários cursos se não tiver tempo para estudar de verdade”, completa.

Nos momentos de estudo individual, os simulados tinham papel central. Camille reproduzia fielmente o ambiente da prova. Ela imprimia cartões-resposta, usava temporizador e corrigia com atenção cada erro. A média diária de estudos era de cerca de quatro horas, chegando a seis mais próximo da prova. As disciplinas eram divididas por dia, respeitando a densidade dos conteúdos. “Naturezas e humanas, por exemplo, eu não misturava”.

Na redação, o desempenho também foi destaque, nota 960. “Eu fazia uma redação por semana, mandava corrigir e analisava o que precisava melhorar”. Apesar da rotina intensa, Camille fez questão de manter o equilíbrio emocional. A fé teve papel fundamental nesse processo. “Eu pensava que seria da vontade de Deus. Se fosse para ser, seria, se não, seria no ano seguinte. Isso me ajudou a não ficar ansiosa com o futuro, mas focar no que eu precisava fazer no presente”. Além disso, o lazer também estava presente. Momentos com a família e encontros com amigos ajudaram a aliviar a pressão. “Ficar 24 horas só estudando estressa muito a mente”.

Após a prova, o sentimento foi de tranquilidade. “Senti dever cumprido. Independente do resultado, eu tinha dado o meu melhor”. O primeiro lugar, no entanto, foi uma surpresa. “Eu só esperava passar. O primeiro lugar foi muito mais do que eu imaginava”. A emoção tomou conta no momento em que o nome apareceu no listão. “Foi uma sensação inexplicável de que todo o esforço valeu a pena”.

Hoje, a principal dica que Camille deixa para quem vai enfrentar o Enem é clara, acreditar e agir dentro da própria realidade. “Cada pessoa tem um tempo. O importante é dar o seu melhor e focar nas maiores dificuldades. Fazer muitas questões ajuda a entender o padrão da prova”. 

Organização, estratégia e acolhimento

Para além do exemplo de Camille, especialistas reforçam que o sucesso no Enem passa por organização e cuidado emocional. A professora de redação Treicy Castro, mestre em Estudos Linguísticos, destaca que o primeiro passo é conhecer bem a prova. “Consultar as matrizes de referência é imprescindível. Entender o que será cobrado ajuda a organizar os estudos de forma estratégica”, pontua.

Segundo ela, o cronograma deve respeitar a realidade do aluno, com mais tempo dedicado às maiores dificuldades e atenção especial à redação. “A produção textual semanal, aliada ao diálogo com o professor, é essencial para alcançar notas acima de 900”. Treicy também reforça a importância de fazer provas antigas, produzir resumos e cuidar da saúde física e mental. “Exercícios e momentos de lazer também fazem parte da rotina de estudos”.

Já para quem não obteve aprovação, a professora ressalta que o recomeço precisa ser feito com calma e acolhimento. “Não passar dói. Antes de abrir o livro, é preciso respirar, elaborar o resultado e entender o que faltou. Não é recomeçar do zero, é ajustar a rota”.

O professor de Química Marcelo Mota reforça que o Enem é também uma prova de resistência. “Além do conteúdo, exige preparo físico e psicológico”. Ele destaca que o planejamento deve considerar a nota de corte do curso desejado e que a organização precisa estar baseada nos documentos oficiais e nos simulados. “O Enem não é um vestibular tradicional, então a preparação também não deve ser”.

Para quem não foi aprovado, Marcelo orienta uma análise honesta do processo. “É importante entender o que deu certo e o que deu errado. A maior dificuldade é superar a frustração, mas o vestibular é um projeto. Nunca se recomeça do zero”.

Camille mostra que não existe fórmula mágica, mas sim constância, estratégia, autoconhecimento e equilíbrio emocional.

Palavras-chave