Cadelas são resgatadas por defensores dos animais após abuso sexual em Outeiro
Perícia constatou abuso sexual em uma das cadelas e tumor venéreo na outra, os animais já estão no abrigo
Duas cadelas foram resgatadas por defensores dos direitos dos animais do abrigo Au Family, na última semana, após denúncias de abuso sexual (zoofilia) e maus tratos contra os animais no bairro São João do Outeiro, no distrito de Outeiro, em Belém. Em uma das cadelas especialistas constataram o abuso, que teria ocorrida na calçada de uma rua, embaixo de uma coberta, por um homem em situação de rua. O homem foi detido em flagrante por policiais militares que prestaram apoio no caso e encaminhado para a Delegacia, mas foi liberado após depoimento.
“O resgate foi dividido em dois momentos. O primeiro foi quando a gente resgatou a cadelinha branquinha, quando ela havia acabado de sofrer o abuso. O senhor (suspeito) estava deitado no chão e coberto, e ela estava ao lado dele. Essa foi a primeira situação. A segunda cadelinha já foi no outro dia. O primeiro foi na quarta-feira (12) de noite, e o segundo foi na quinta-feira (13) à noite”, detalhou a médica veterinária do Au Family, Elisa Satomi.
A intervenção somente foi possível porque uma vizinha filmou o homem tendo relações sexuais com a cadela e encaminhou a denúncia aos defensores dos animais e à polícia. Na cadela - vítima de abuso sexual - foi verificado um processo de formação de edema na região do órgão sexual (edemaciação), a presença de secreção no órgão e outros indícios da violência. “Aparentemente, a cadelinha era bem desnutrida. A gente tentava oferecer comida para ela várias vezes, enquanto ela ainda morava na rua com esse senhor, mas nunca recebeu alimentação adequada. Ela estava bem desnutrida, os olhos com bastante secreção ocular”, explicou a médica.
De acordo com o relato dos defensores, o suspeito aparenta ter problemas psicológicos e ficou violento quando as cadelas foram retiradas dos seus cuidados. “Ele é um senhor que não permitia que a gente pegasse muito no animal com medo mesmo do animal ser tomado. Ele é bem agressivo, era muito difícil ter contato diretamente com ela antes, porque sempre achava que a gente ia tomar ela”, detalhou.
As duas cadelinhas resgatadas ficaram muito assustadas, porém já apresentam sinais de melhoras após os primeiros dias sendo cuidadas no abrigo. Os animais passarão por vários exames para verificar a existência de doenças, vermifugadas e medicados. Na cadela, que não teve constatada a violência sexual, foi constatada a existência um tumor venéreo transmissível (TVT), vírus agressor dos órgãos sexuais dos animais, que também pode ser transmitido pelo nariz.
Os defensores orientam que a população faça denúncias quando verificarem abusos de maus tratos e sexuais contra animais. Qualquer pessoa pode fazer a ocorrência policial, fundamentais para dar amparo legal para os defensores procurarem a polícia para agir. De acordo com eles, a maioria das pessoas que busca as entidades de defesa dos animais para fazer denúncias se nega de procurar a polícia. Entretanto, as denúncias podem ser anônimas pelos números 181 e 190. Vídeos e fotos de abusos também servem como provas e são fundamentais para embasar os pedidos de intervenção.
O abrigo Au Family possui atualmente aproximadamente 880 animais acolhidos, vítimas de maus tratos e violências. Os animais são cuidados e necessitam de apoio. A instituição necessita de doações para continuar realizando os atendimentos. Dentre as necessidades estão toalhas usadas, material de limpeza, medicamentos, material de higiene para animais e colaboração financeira que ajuda no pagamento dos salários dos funcionários do abrigo. Os apoiadores podem também serem voluntários nas atividades do abrigo como nas feiras de ações realizadas. O contato com a organização pode ser feito pelo perfil do Instagram @aufamilyabrigo.
A Polícia Civil informou, por meio de nota, que o caso foi registrado em Icoaraci e a investigação está em andamento. O animal foi submetido à perícia e um inquérito policial foi instaurado para apurar o caso. A PC aguarda o resultado da perícia para a comprovação do crime e dar continuidade às investigações
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