Buraco se abre em via próxima à Praça da República e trânsito fica parcialmente interditado em Belém
O problema foi registrado no cruzamento da avenida Governador José Malcher com a Assis de Vasconcelos
Um buraco se abriu no asfalto do cruzamento da avenida Governador José Malcher com a avenida Assis de Vasconcelos, nas proximidades da Praça da República, no bairro do Reduto, em Belém, e mobilizou equipes de reparo na noite desta quinta-feira (14).
Imagens da cratera começaram a circular nas redes sociais ao longo do dia e chamaram a atenção de motoristas e pedestres que passam diariamente pela região central da capital paraense. A equipe de reportagem esteve no local acompanhando os trabalhos realizados pela empresa Terraplena.
Segundo trabalhadores que atuaram na ocorrência, o asfalto começou a ceder no início da tarde após o rompimento de uma tubulação de esgoto localizada sob a pista. Com isso, a estrutura abaixo da camada asfáltica ficou comprometida, provocando a abertura do buraco.
As equipes foram acionadas para verificar a situação e iniciaram os serviços de escavação e reparo da tubulação danificada. Por conta dos trabalhos, o trânsito no trecho estava fluindo apenas por uma faixa, exigindo atenção redobrada dos motoristas que trafegavam pela área.
A região é uma das mais movimentadas do centro de Belém, concentrando intenso fluxo de veículos e pedestres, além de estar próxima a espaços históricos, órgãos públicos e estabelecimentos comerciais. Até o fechamento desta reportagem, os serviços de manutenção continuavam sendo realizados. No local, o engenheiro responsável pelas obras não quis dar entrevista.
Problema recorrente
Vale destacar que a abertura de crateras nas ruas de Belém tem sido um problema recorrente. Recentemente, a equipe de reportagem do Grupo Liberal flagrou ocorrências semelhantes em endereços como o cruzamento das avenidas Doutor Freitas e Marquês de Herval, no bairro da Pedreira, e na rua Boaventura da Silva, próximo à travessa 9 de Janeiro, no bairro de Fátima.
No caso da Pedreira, moradores relataram que o buraco tinha aproximadamente dois metros de extensão e seguia aumentando, o que gerava preocupação entre quem vive e circula pela área. Diante da situação, os próprios moradores improvisaram a sinalização da via para evitar acidentes.
Já no bairro de Fátima, a equipe de reportagem constatou que o problema também foi causado pelo rompimento de uma tubulação de esgoto. Na ocasião, equipes responsáveis realizaram o reparo e construíram uma espécie de caixa de proteção para evitar novos rompimentos da estrutura.
A reportagem procurou o engenheiro civil Jaison Cavalcante para comentar os motivos que fazem Belém registrar esse tipo de problema de forma recorrente. “O que acontece, na maioria desses casos, é um desgaste natural da tubulação associado a fatores externos, como o aumento do fluxo de veículos pesados, infiltrações e até a idade da rede subterrânea. Com o tempo, pequenas fissuras podem surgir e comprometer a estrutura da tubulação”, explicou.
O especialista detalhou ainda como ocorre o processo de formação das crateras. “Quando ocorre o rompimento da tubulação de esgoto, a água começa a infiltrar no solo abaixo do asfalto. Esse processo vai retirando a sustentação da pista, formando vazios subterrâneos. Em determinado momento, o pavimento não suporta mais o peso e acaba cedendo”, afirmou.
Segundo Jaison Cavalcante, a falta de manutenção preventiva também pode contribuir para o agravamento do problema. “Muitas vezes, essas estruturas são antigas e precisam de monitoramento constante. Sem inspeções periódicas, o desgaste acaba passando despercebido até surgir um problema maior, como uma cratera”, destacou.
Sobre as soluções, o engenheiro ressaltou que o reparo precisa ir além da recomposição superficial da pista. “Não basta apenas fechar o buraco na superfície. É necessário fazer a escavação, substituir a tubulação comprometida, recompor o solo adequadamente e só depois realizar a recuperação do asfalto”, explicou.
Ele também defendeu investimentos contínuos em infraestrutura urbana para reduzir novos episódios na capital paraense. “O ideal é que haja um trabalho contínuo de mapeamento e modernização das redes de drenagem e esgoto da cidade. Isso reduz significativamente o risco de novos rompimentos e aumenta a segurança para motoristas e pedestres”, concluiu.
Palavras-chave