Biografia de Ruy Barata é lançada em Belém ressaltando importância da família na história do Pará
Políticos, escritores, professores e artistas estiveram presentes no lançamento na noite desta sexta-feira (06/03), no Complexo dos Mercedários
Uma biografia que contém parte da história política e cultural do Estado do Pará e do Brasil foi lançada nesta sexta-feira (06/03) com a publicação do livro “Esse rio é minha rua” (Editora Paka-Tatu), que conta a história da família Paranatinga Barata. A família teve como membro mais ilustre o poeta, professor e político Ruy Guilherme Paranatinga Barata. O evento no espaço da Livraria da Editora da UFPA, no Complexo dos Mercedários, contou com a participação da intelectualidade paraense como políticos, escritores, professores e artistas na noite de autógrafos do autor Ruy Antônio Barata, filho e neto dos biografados.
O livro é uma crônica familiar entrelaçada com acontecimentos importantes da história do Pará do Século XX. A vida de intensa ação política de Ruy Barata - conhecido por poesias e composições musicais fundamentais da cultura paraense - é resgatada por quem viveu com ele esse período - o filho Ruy Guilherme. A publicação também resgata a atuação do avó Alarico Barata na história do Pará.
"Esse é um relato que durou muito tempo para fazer, e na realidade era quase que natural, pelo que eu vi e vivi numa casa cercada de livros de música, cinema, da vida política e cultural do Pará. Obviamente, que assimilei um pouco esse tipo de situação, e consegui ao longo desse tempo escrever uma história que perpassa pelos principais movimentos políticos que vão 1924 a 1970, envolvendo toda a nossa família, que esteve permanentemente envolvida nessas questões", detalha o autor.
"Meu pai, por exemplo, foi preso em 1974, perdeu empregos. Foi perseguido politicamente, mas felizmente conseguiu se levantar disso, e só essa história em si já é um motor de inspiração para um relato", complementa. O autor escreveu o livro durante 10 anos. Antes de “Esse Rio é Minha Rua”, o autor participou da coletânea “Relatos Subversivos”, lançada em 2004, nos 40 anos do Golpe de 1964, sobre os acontecimentos que marcaram a sua geração.
O poeta Ruy Barata, pertencente ao Partido Comunista do Brasil (PCB), que teve os direitos cassados e perseguido durante a Ditadura Militar (1964 - 1985) é o principal personagem. Entretanto, antes dele, o advogado Alarico Barata (pai de Ruy Barata e avô de Ruy Antônio) também é retratado. Ele foi adversário político de Magalhães Barata (1888–1959), interventor da Revolução de 30 e governador do Pará. Esses dois personagens são destacados, entre tantos outros da família, em um enredo crítico e emocionado.
Para o revisor da obra, o jornalista e biógrafo Jotabê Medeiros, autor dos livros "Belchior - Apenas um Rapaz Latino Americano", "Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha" e "Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida", a família Paranatinga Barata revela as crônicas daqueles que forjaram a história brasileira.
"Em geral, a gente acha que a identidade nacional é uma coisa forjada a partir dos grandes políticos do eixo Rio - São Paulo. Esse livro traz uma outra perspectiva, do Pará, do Norte do País, da Amazônia política e cultural em relação ao resto do Brasil. Mais ou menos como se, a partir daqui, a gente começasse a examinar o que de paraense o Brasil tem. Esse livro traz uma perspectiva muito interessante por esse lado. Ao mesmo tempo. Eu acho que é uma grande viagem pela memória de um tempo muito glamoroso que houve aqui no Pará", enfatiza o escritor.
A economista e militante pelo patrimônio histórico Dulce Roque conheceu Ruy Barata na militância política durante a Ditadura Militar, nos anos de militância do Partidão. Roque considera extremamente necessária biografias como essa. "Eu acho oportuníssimo pelo momento histórico que vivemos, porque nós vivemos isso, e há uma juventude que não sabe nada do que aconteceu em 64. É bom ele contar toda essa história, por que inclusive não só o pai era importante, é uma família importante de Belém", apontou. Dulce também lançou uma autobiografia em dezembro de 2025.
Políticos também estiveram presentes no lançamento como o ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, e o ex-deputado federal Arnaldo Jordy, que ressaltou a importância dos protagonistas da história paraense retratados no livro. "O avô do Ruy Antônio e pai do Ruy Barata, o Alarico era um advogado brilhante, um tribuno brilhante, que brigava pelas causas dos mais desvalidos, pelos pobres, as pessoas que não tinham condições sociais para brigar", descreveu. "E a história do Ruy é indispensável", resume.
A professora e historiadora Edilza Fontes, especialista na história política da Amazônia, ressalta que o livro já nasce como essencial para entender o Pará. "Esse livro é fundamental, porque ele parte da memória. Uma memória que não é mais do Ruy, mas do filho do Ruy, que rememora todo o processo da família Ruy Barata, ícones da nossa cultura", indica.
A historiadora adianta que ler o livro é conhecer também os lugares de Belém e Santarém. "Nós temos também um passeio pela cidade de Belém, um passeio por Santarém, faz uma discussão pelos anos 60, sobre o momento da Revolução Cubana, o lançamento do manifesto a favor de Cuba, todo o combate dos anos 60. Isso é muito importante, porque a memória é um dos elementos de identidade", assegura.
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