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Belém amplia uso de armadilhas contra mosquito da dengue e registra queda de mais de 70% nos casos

Tecnologia desenvolvida pela Fiocruz já ultrapassa 5 mil instalações em bairros prioritários e reforça ações de combate ao mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya

O Liberal

A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), vem intensificando as ações de combate ao Aedes aegypti com a ampliação das Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs), tecnologia utilizada para reduzir a população do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a estratégia já ultrapassou a marca de cinco mil armadilhas instaladas em bairros considerados prioritários da capital paraense.

Os resultados da iniciativa já refletem nos indicadores epidemiológicos do município. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) apontam que os casos de dengue em Belém caíram de 2.997 registros em 2024 para 886 em 2025, representando uma redução de 70,4%.

A diminuição também foi observada nos casos mais graves da doença. Os registros de dengue com sinais de alarme passaram de 230 para 58 casos, uma queda de 74,8%. Já os casos de dengue grave reduziram de 20 para seis ocorrências, o que representa uma redução de 70%.

De acordo com o coordenador do Programa de Controle de Endemias da Sesma, Tadeu Morais, as EDLs têm desempenhado papel fundamental no fortalecimento das ações de vigilância e controle do mosquito. “As EDLs representam uma importante ferramenta no enfrentamento ao Aedes aegypti porque conseguem alcançar criadouros que muitas vezes não são identificados pelas equipes durante as visitas domiciliares. Os resultados mostram que a combinação entre tecnologia, vigilância em saúde e participação da população tem contribuído diretamente para a redução dos casos de dengue em Belém”, afirmou.

O coordenador destaca ainda que a chegada do verão amazônico exige atenção redobrada por parte das equipes de saúde e da população. “Esse período é marcado por condições que podem favorecer a proliferação do mosquito, especialmente quando há acúmulo de água em recipientes expostos. Por isso, é fundamental intensificar as ações preventivas, eliminar possíveis criadouros e fortalecer o trabalho de vigilância para evitar o aumento dos casos”, explicou.

Como funcionam as armadilhas

As Estações Disseminadoras de Larvicidas funcionam como armadilhas inteligentes. Ao pousar na estrutura, a fêmea do Aedes aegypti entra em contato com uma tela impregnada com larvicida. Em seguida, ao visitar outros locais para depositar ovos, ela transporta pequenas partículas do produto para diferentes criadouros, impedindo o desenvolvimento das larvas e interrompendo o ciclo reprodutivo do mosquito.

A estratégia está presente em bairros historicamente mais afetados pelas arboviroses, como Guamá, Montese, Souza, Marco, Sacramenta, Pedreira, Coqueiro, Canudos, Curió-Utinga e São Brás. Somente no bairro do Guamá já foram realizadas 1.480 instalações e manutenções das armadilhas.

Moradora do bairro do Marco, a aposentada Sandra Santos relata que os benefícios da ação já podem ser percebidos pela comunidade. “Depois que instalaram a armadilha e com as visitas frequentes dos agentes, a gente sente mais tranquilidade no dia a dia. É uma ação importante porque mostra cuidado com os moradores e ajuda na prevenção da dengue. Dá mais segurança saber que esse trabalho está sendo feito aqui na área. Espero que continue e alcance cada vez mais pessoas”, disse.

O agente de portaria Tiago Farias, que trabalha em um condomínio localizado em uma das áreas contempladas pela iniciativa, também destaca os impactos positivos da medida. “Com a instalação das EDLs e o acompanhamento constante das equipes de saúde, a gente percebe que o trabalho é bem organizado e contínuo. Isso traz mais confiança para quem mora e trabalha aqui, porque mostra uma presença ativa do poder público na prevenção. É uma iniciativa que faz diferença na rotina do condomínio e reforça a sensação de cuidado com a comunidade”, ressaltou.

Critérios para instalação

A escolha dos locais que recebem as Estações Disseminadoras de Larvicidas é feita a partir de uma análise integrada dos indicadores epidemiológicos. A instalação não ocorre de forma aleatória, mas segue uma estratificação de risco que permite direcionar os recursos para áreas consideradas prioritárias.

Entre os critérios adotados estão o registro de casos confirmados de arboviroses nos últimos cinco anos, a classificação de risco epidemiológico definida pela vigilância em saúde e a ocorrência persistente ou aumento das notificações relacionadas ao Aedes aegypti.

Segundo a Sesma, o monitoramento contínuo desses indicadores é fundamental para avaliar a efetividade da estratégia e orientar possíveis ajustes na distribuição das armadilhas.

Com a aproximação do verão amazônico, período que favorece a proliferação do mosquito, a prefeitura reforça a importância da participação da população na eliminação de possíveis criadouros e na adoção de medidas preventivas. A ampliação das EDLs integra o conjunto de ações que vêm fortalecendo o controle da dengue e das demais arboviroses em Belém.