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Ato nacional contra corte de verbas da educação reúne estudantes e trabalhadores em Belém

Manifestação foi pacífica e contou com movimentos estudantis e sindicatos em caminhada do Mercado de São Brás até a praça da República

Camila Azevedo / Especial para O Liberal

Estudantes das instituições públicas do Pará se reuniram para uma manifestação nacional na manhã desta quinta-feira (9). A concentração foi no Mercado de São Brás e seguiu até a praça da República, no centro de Belém. O ato é contra a retirada de verba da educação e a PEC 206, que propõe a cobrança de mensalidades nas universidades federais. 

O 9J, como foi chamada a manifestação, reuniu movimentos estudantis nas ruas da capital paraense e em todo o Brasil, contando com mais de 60 atos sendo realizados em outros estados. A organização do evento afirma a necessidade de manter as políticas de permanência dentro das instituições, como a gratuidade do ensino garantida pela Constituição, sendo essa uma forma de inserir ainda mais estudantes.

“Precisamos traduzir o que significam os cortes na educação do país. (...) Podemos ficar sem condições de permanecer nas universidades. Essa luta que está acontecendo hoje é em defesa da educação”, explica Téo Guajajara, diretor executivo da União Nacional dos Estudantes. 

Em maio, foi anunciado pelo governo o bloqueio de R$3,23 bilhões no orçamento do Ministério da Educação (MEC), o que representa 14,45% dos recursos destinados ao ensino. Para a Universidade Federal do Pará (UFPA), a perda é equivalente a R$28 milhões de um orçamento que já é R$10 milhões menor do que o de 2019, contra uma inflação de 18,89% no período. 

A situação preocupa a comunidade estudantil que depende dos investimentos. Thaís Silva, de 20 anos, é natural do Amazonas e veio cursar Direito na UFPA. Ela estava na manifestação e vê com importância o movimento. Para a jovem, é por conta dos incentivos que está dentro da universidade. “Entramos na universidade e queremos permanecer, queremos ter condições de permanecer”, diz.

A mesma importância é vista por Débora dos Santos, estudante de Arquitetura e Urbanismo da UFPA. Morando há cinco anos em Belém, ela é quilombola de Igarapé Preto, no município de Oeiras do Pará, e afirma que o ato é necessário para o fortalecimento das instituições. 

“É importante para a nossa educação e permanência aqui, para trazer nossos povos. Muitos precisam da universidade. Esse movimento ajuda a gente a trazer mais pessoas”, destaca Débora.

De acordo com o governo, o contingenciamento visa cumprir o teto de gastos, regra que limita o crescimento das despesas públicas.