‘Ateliê Livre’ leva arte e atividades gratuitas em feira cultural no bairro do Marco, em Belém
O evento, aberto ao público, reúne artistas, artesãos, empreendedores e moradores no canteiro central da Avenida Romulo Maiorana
Arte, lazer e empreendedorismo marcaram mais uma edição da feira cultural realizada pelo projeto ‘Ateliê Livre’, neste sábado (6), no canteiro central da Avenida Romulo Maiorana, a tradicional “25”, esquina com a travessa Timbó, no bairro do Marco, em Belém. Com uma programação gratuita voltada para todas as idades, a iniciativa reuniu artistas, artesãos, empreendedores e moradores em um dia de oficinas, apresentações musicais, atividades recreativas e ações de incentivo à economia criativa.
Idealizado pelo artista visual, restaurador e arte-educador Marcelo Lobato, o projeto ocupa mensalmente uma área do canteiro verde da avenida com oficinas, apresentações artísticas, atividades recreativas, feira de economia criativa e ações educativas. A proposta é transformar o espaço público em um ambiente de encontro, troca de experiências e valorização da cultura local.
Segundo Marcelo Lobato, a iniciativa nasceu da necessidade de aproximar a produção artística da comunidade e ampliar o acesso à cultura fora dos espaços convencionais.
"Eu criei esse espaço alternativo como uma forma de tirar a arte de dentro do ateliê e levá-la para a rua. A proposta sempre foi fazer uma ocupação pública e mostrar que a cultura pode estar presente no cotidiano das pessoas. Todas as atividades são gratuitas, sem fins lucrativos, e as oficinas são oferecidas sem nenhum custo para os participantes", afirmou.
Incentivo
O artista destacou que o projeto também atua como ferramenta de incentivo à economia familiar, especialmente para pequenos empreendedores da comunidade.
"Muitos dos expositores fazem parte do próprio bairro e encontram aqui uma oportunidade de complementar a renda. Nós não cobramos nenhuma taxa, aluguel de mesa ou qualquer tipo de contribuição. O ateliê oferece toda a estrutura e tudo o que eles arrecadam fica integralmente para eles. Esse é um dos motivos pelos quais eles aguardam cada edição com tanta expectativa", explicou.
Lobato ressaltou ainda que a proposta do Ateliê Livre vai além da programação cultural e busca fortalecer laços comunitários.
"A função do Ateliê da 25 é multiplicar artistas, incentivar a produção cultural e fortalecer a economia familiar. Nós compramos os brindes, a pipoca e diversos materiais de pessoas da própria comunidade. É uma rede de apoio que beneficia todos os envolvidos", disse.
Realizado geralmente no segundo sábado de cada mês, o projeto reúne moradores do Marco e participantes de outros bairros da capital paraense. De acordo com o idealizador, entre 60% e 70% dos participantes da feira pertencem à comunidade local.
"Além dos moradores, também recebemos artistas visuais, artesãos e pessoas que estão começando suas carreiras. Nós abrimos editais de ocupação para quem ainda não possui espaço em galerias públicas ou privadas. É uma oportunidade para apresentar seus trabalhos ao público e ganhar visibilidade", destacou.
Durante a edição junina, a programação contou com oficinas de quadrinhos, colagem, perna de pau, atividades de desenho e pintura, além de pescaria, bingo, apresentações musicais, poesia instantânea e feira de economia criativa.
"Aqui temos atividades para crianças, adolescentes, adultos e idosos. Não é um projeto voltado apenas para o público infantil. Queremos que todas as pessoas se sintam acolhidas e participem das ações culturais", ressaltou Marcelo.
Comunidade unida
A mobilização da própria comunidade também é um dos diferenciais do evento. Segundo ele, os moradores ajudam na organização do espaço desde as primeiras horas da manhã.
"As atividades começam oficialmente às 8h, mas desde as 6h já tem gente da comunidade ajudando a limpar, organizar e preparar tudo. Isso mostra o sentimento de pertencimento que foi criado em torno do projeto", afirmou.
Entre as pessoas que prestigiaram a edição do Ateliê Livre estiveram Ronaldo Maiorana Jr. e sua esposa, Isadora Rettelbusch. O evento também contou com a presença de Sérgio Oliveira, diretor de Mercado Leitor e consultor da Fundação Romulo Maiorana.
Espaço de encontro e pertencimento
Artista, professora e produtora cultural, Laís Cabral acompanha o projeto desde as primeiras edições e atualmente atua na comunicação e na coordenação das atividades educativas. Segundo ela, o principal objetivo do Ateliê Livre é criar conexões entre diferentes formas de expressão artística e aproximar a comunidade do fazer cultural.
"O Ateliê Livre propõe um encontro entre diferentes linguagens e diferentes pessoas. Aqui se encontram artesãos, artistas, instrutores, empreendedores e moradores. É uma tentativa de abrir as portas do ateliê para a comunidade e mostrar que a arte pode ocupar o espaço público", afirmou.
Para Laís, a ocupação cultural da Avenida Romulo Maiorana reforça uma relação histórica dos moradores com o canteiro central da via.
"A 25 tem uma característica muito particular. O canteiro sempre funcionou como uma extensão da casa das pessoas. O que fazemos é ampliar essa relação por meio da arte, convidando a comunidade a participar e a entender que a rua também pode ser um espaço de convivência, aprendizado e criação", disse.
A produtora cultural destacou ainda que muitas pessoas não frequentam ambientes artísticos por acreditarem que esses espaços não lhes pertencem.
"Muitas vezes existe uma barreira entre a comunidade e os espaços culturais. O Ateliê Livre busca justamente romper isso e fazer com que as pessoas se sintam bem-vindas para participar, criar e compartilhar experiências", acrescentou.
Fortalecimento dos artistas independentes
Para a artista visual Keyla Sobral, iniciativas como o Ateliê Livre cumprem um papel importante no fortalecimento da cena cultural paraense ao oferecer visibilidade para artistas independentes e incentivar a troca de experiências.
"Eu considero muito importante esse tipo de iniciativa porque promove o encontro entre artistas. É uma oportunidade de conhecer o trabalho do outro, trocar experiências e fortalecer conexões. O projeto tem essa capacidade de agregar pessoas e criar uma rede de apoio entre artistas que muitas vezes estão começando suas trajetórias", afirmou.
A artista, que também é curadora do Arte Pará, comentou sobre a retomada do evento e a importância de ampliar espaços de visibilidade para novos talentos da região.
"Nesse ano, o Arte Pará está passando por um processo de retomada da Mostra Competitiva. O objetivo é justamente abrir espaço para novos artistas e mostrar a diversidade da produção cultural do Estado do Pará. Nós temos uma quantidade enorme de talentos e eventos como esse ajudam a revelar e fortalecer esses nomes", destacou.
Palavras-chave