Alagamentos aumentam o risco de contrair leptospirose, alerta infectologista; veja como se prevenir
Os sintomas iniciais incluem febre alta, dor de cabeça e dor muscular, principalmente na panturrilha.
Com as fortes chuvas registradas nas últimas semanas em Belém, a população enfrenta alagamentos em vários pontos da cidade. Um dos problemas causados por esse cenário é o crescimento do risco de transmissão da leptospirose, visto que os alagamentos são compostos por água da chuva em contato com lixo, esgoto e urina de animais.
Em Belém, os dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam que os casos de leptospirose aumentaram de 2024 para 2025, saindo de 44 para 50. Em 2026, 22 casos foram registrados até março na capital paraense.
No Pará, os casos da doença também cresceram nos últimos anos. Em 2024, foram registrados 121 casos de leptospirose no estado, seguidos de 152 em 2025. Em 2026, foram registrados 16 casos até março, segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa).
A Redação Integrada de O Liberal procurou a Sespa para entender a divergência entre os dados das duas secretarias sobre o número de casos em Belém. A Sespa informou que “os dados divulgados pelo Estado são provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), base oficial do Ministério da Saúde para registro e consolidação de casos de doenças de notificação compulsória em todo o território nacional”.
Relação dos alagamentos com a leptospirose
A leptospirose é causada pela bactéria Leptospira, que pode viver por meses nos locais onde o rato – ou outro animal infectado – urinou, como em esgotos e lixos. Em períodos chuvosos, a água da chuva traz a bactéria para a superfície.
O infectologista Lourival Marsola alerta que as pessoas devem evitar ao máximo entrar em contato com água de alagamento. “Enchente não é só água da chuva. É água misturada com esgoto, lixo e urina de animal. E vemos pessoas nadando, brincando e bebendo dentro da água”. “Não é leve sempre. Pode começar simples e, se complicar, vira uma doença grave de verdade, que pode afetar rim, fígado e até levar à morte”, completa.
A infecção ocorre a partir do contato da bactéria com lesões na pele, quando a pele íntegra fica imersa por longos períodos em água contaminada, por meio de mucosas ou pelo consumo de alimentos ou bebidas contaminadas.
“A pessoa se infecta quando entra em contato com essa água suja — e não precisa estar cheio de ferida não. Às vezes, uma pele “aparentemente normal”, mas que ficou muito tempo na água, já é suficiente. Olho e boca podem ser porta de entrada”, explica o infectologista.
Os sintomas iniciais são febre alta, dor de cabeça, dor muscular, principalmente na panturrilha, náuseas/vômitos e falta de apetite. A manifestação dos sintomas pode começar de 1 a 30 dias após a contaminação.
Em casos graves, o Ministério da Saúde destaca que há alguns sintomas que aparecem em fase tardia, como síndrome de hemorragia pulmonar, manifestações hemorrágicas e síndrome de Weil (tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragias).
No caso do surgimento de sintomas, os usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) devem procurar as unidades básicas de saúde (UBS) ou de pronto atendimento (UPA). O diagnóstico é realizado a partir da coleta de sangue, na qual o médico verificará se há presença de anticorpos para leptospirose ou da bactéria, de acordo com o Ministério da Saúde.
O infectologista alerta que o paciente explique ao médico se entrou em contato com água de enchente, pois “isso muda totalmente o raciocínio de quem está atendendo. Quanto mais cedo começar o tratamento, melhor”.
Como se prevenir
Com base na forma de contágio e nos perigos de contrair a bactéria durante o período de chuvas, os principais meios de prevenção contra leptospirose são, segundo o infectologista Lourival Marsola:
- Evitar entrar em água de enchente;
- Proteger os pés ao andar em áreas alagadas;
- Higienizar adequadamente o corpo ao entrar em contato com áreas alagadas;
- Cuidar do lixo para evitar atrair ratos.
Apenas ratos transmitem?
Por mais que a leptospirose seja associada apenas a ratos, a bactéria não está presente apenas na urina desses roedores. “O rato é o mais famoso, principalmente na cidade, mas não é o único. O problema é a urina de animais contaminando água e lama. Pode ser rato, cachorro, boi, porco, entre outros”, detalha o infectologista.
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