1º Arrastão Cultural do Rancho 2026 abre o ano com samba e alegria em Belém
O arrastão é um ato de reivindicação cultural, afirma o presidente do Rancho
Nesta quinta-feira (1º), no primeiro dia do ano, a escola de samba Rancho Não Posso Me Amofiná realizou o 1º Arrastão Cultural do Rancho 2026. Ao som do samba-enredo do Carnaval deste ano, que tem como tema “É do Coração da Amazônia: Belém do Pará, a Capital Mundial do Brega”, o arrastão saiu às 17h30, na avenida Roberto Camelier, no bairro do Jurunas, com direito a muita alegria, diversão e chuva.
A concentração do Arrastão Cultural começou às 16h, com muitos sambas animando os presentes. Em seguida, o arrastão seguiu em direção à “Sede da Pioneira”.
Para o presidente do Rancho Não Posso Me Amofiná, Jackson Santarém, o Arrastão é um ato de reivindicação cultural. “Como é tradição, o Rancho faz esse Arrastão Cultural, trazendo a comunidade e as escolas coirmãs. É um ato de reivindicação cultural para chamar a atenção do poder público, pois o Carnaval de Belém merece respeito, dignidade e tradição por tudo o que representa e já representou”, afirma.
Além do arrastão do dia primeiro, o Rancho ainda realizará outros até o Carnaval, como revela o presidente da instituição. “No segundo domingo do ano, dia 11 de janeiro, já vai ter um arrastão, saindo do Portal da Amazônia. No domingo seguinte, no dia 18, terá outro na avenida Presidente Vargas, saindo dos Correios, de manhã”, afirma Jackson Santarém. “Como sempre, o Rancho levando entretenimento e cultura para a comunidade e para todos que conhecem Belém do Pará”, completa.
Rancho é família
A dona de casa Valdanete da Silva começou a dançar e se divertir com familiares e amigos desde a concentração do arrastão. Ela comenta que acompanha a escola de samba em todos os lugares e eventos.
“Para mim, é ótimo começar o ano dessa forma, com esse arrastão. Estou aqui com a minha sobrinha e com a minha amiga. Somos ‘ranchistas’ de coração. Vamos fazer de tudo para levantar a escola. Onde ela estiver, estaremos juntos.”
Valdanete conta que tem uma longa história com o Rancho Não Posso Me Amofiná. “Eu comecei em ala, depois fui mulata e continuo no Rancho até hoje.”
Muitas famílias criam laços fortes com as escolas de samba, com envolvimento forma físico e emocional. “É impossível falar do Rancho sem falar de família. Cresci no Jurunas, minha família se criou no Jurunas, então a minha história está no Rancho, neste bairro”, relata a advogada Jéssica Carvalho.
A advogada é destaque do Rancho Não Posso Me Amofiná desde a adolescência, seguindo os passos das tias. “Sou destaque. Passei a participar muito depois da adolescência, mas sempre acompanhei o Rancho em todos os Carnavais. Minhas tias saíam como destaque também”, comenta Jéssica Carvalho.
Leandrinho Santos é porta-estandarte do Rancho e estava muito feliz por começar mais um ano representando a escola de samba. “Começar o ano assim é uma emoção muito grande. É um arrastão tradicional nas ruas do Jurunas, com o Rancho levando a comunidade e o povo ranchista até a sede da escola.”
Carnaval 2026
Em 2025, a escola de samba Rancho Não Posso Me Amofiná foi rebaixada pela primeira vez em sua história, ficando em sexto lugar. O presidente do Rancho comenta sobre as preparações para o Carnaval de 2026.
“Com toda a dificuldade que todas as escolas enfrentam, vamos trabalhando aos poucos, esperando o poder municipal decidir se haverá Carnaval. Diante disso, contando com o apoio dos abnegados, vamos colocar o nosso Carnaval na avenida como sempre, não só o Rancho, mas também as coirmãs”, diz Jackson Santarém.
Samba-enredo
O Arrastão Cultural foi embalado com o samba-enredo escrito para o Carnaval de 2026, com o tema “É do Coração da Amazônia: Belém do Pará, a Capital Mundial do Brega”. A música busca valorizar o brega como patrimônio afetivo, social e musical da cidade, sendo uma das expressões culturais mais tradicionais do povo paraense, segundo a escola de samba.
O samba-enredo busca referenciar o brega e suas vertentes — tecnobrega, melody, calypso e romântico — em seus trechos, como: “Nas aparelhagens, poemas cantei”, “‘Ao Pôr do Sol’, eu vou te dizer”, “Eu sou tecnobrega, não paro de bailar”, entre outros.
Palavras-chave