Redação de O Liberal vive teste máximo na cobertura do Círio de Nazaré
Jornalismo do Grupo Liberal evoluiu do impresso ao tempo real para narrar a fé que move o Pará
Há 79 anos, a cobertura do Círio de Nazaré no Grupo Liberal combina tradição e inovação, reunindo desde o desafio físico das grandes procissões até, mais recentemente, a rapidez do digital. Jornalistas dentro e fora da empresa destacam que o trabalho exige preparo, sensibilidade e rigor factual, reforçando o Círio como marco anual da redação e experiência definidora para profissionais em campo.
Lázaro Magalhães, diretor de conteúdo de O Liberal, explica a importância singular do Círio. "É um momento não apenas único e de grande envolvimento e impacto à rotina dos paraenses e de Belém, pela sua factualidade e dimensão, mas também pelo gigantesco e rico manancial de histórias de vida e de fé que nos resumem enquanto amazônidas", afirma.
Essa força é sentida em toda a cadeia de produção, mas especialmente no chão de rua.
"Costuma-se comentar, no meio profissional, a importância de já se ter coberto ou não um Círio, e de como é marcante a primeira vez de um repórter em campo nas grandes procissões. É uma experiência única, uma espécie de ‘batismo’ no jornalismo", comenta Lázaro.
Apesar de ser uma tradição secular, a cobertura nunca é repetitiva. "Cada Círio é único, e nunca será mais do mesmo. É tradição e também é mudança: algo sempre vai acontecer e o Círio segue em transformação", pontua o diretor. O papel do jornal é claro: "Cabe a nós reportar esse fenômeno muito sensíveis e atentos às suas transformações e suas grandes histórias", acrescenta.
Do apanhado geral ao tempo real
Para Dilson Pimentel, repórter do Grupo Liberal desde 1990, a cobertura do Círio reflete a evolução do próprio jornalismo. Ele recorda o desafio físico da era do impresso. "O trabalho, eu diria para você, era muito mais desgastante fisicamente. Porque o repórter que começava, ia até o final do Círio", explica, mencionando jornadas que começavam às 4h da manhã na missa da Sé e seguiam até o final da manhã na Praça Santuário, para só então retornar à redação e fazer o texto completo, em um momento onde a integração digital não existia.
Hoje, a dinâmica é outra: "Com a velocidade da informação no digital, a gente consegue contar os relatos do Círio de uma maneira muito mais dinâmica". O material apurado no local é imediatamente transformado em texto pela equipe de base e distribuído em todas as plataformas. "Tudo é muito rápido. A gente vê o resultado do nosso trabalho e já consegue compartilhar com as pessoas", observa o repórter.
Testemunhos
Dilson, que é católico, revela como a cobertura do Círio o transformou. Ele veio do Maranhão sem compreender como uma Imagem conseguia mobilizar tamanha multidão. Sua primeira pauta, uma entrevista com os promesseiros na corda, foi reveladora.
"Aí eu tive a dimensão do que é o Círio. Ouvindo os testemunhos de fé e superação de pessoas que haviam sido desenganadas pelos médicos e conseguiram, com intercessão de Nossa Senhora, ficar curadas… pessoas que vinham batalhando há muito tempo pela casa própria e finalmente conseguiram", narra.
O repórter confessa a dificuldade em separar a emoção: "O Círio mexe muito comigo porque eu me lembro da minha mãe, que é católica, da minha família e de muitas pessoas que estão precisando de uma intercessão".
Imprensa como agente de evangelização
A visão de Rosana Pinto, assessora de comunicação da Diretoria da Festa de Nazaré (DFN), converge para a importância da imprensa como elo entre a fé e o mundo. "A DFN considera a imprensa como uma parte da evangelização do Círio de Nazaré", afirma. Para Rosana, a mídia propaga a devoção para dentro e fora do Brasil, sendo a porta de entrada para muitos conhecerem o evento. "É uma parte muito importante desse trabalho de evangelização desenvolvido pela Igreja", diz.
Para dar suporte ao frenético trabalho jornalístico, ela adota uma rotina rigorosa de organização e preparo físico e mental, com exercícios constantes e checkups na saúde dois meses antes do Círio. A intensidade do período, contudo, é implacável. Mencionando uma bronquite após a última festividade, ela analisa: "Foi uma forma que o meu corpo respondeu ao estresse intenso de trabalho desses dias”.
Rosana Pinto finaliza destacando o papel histórico de O Liberal. "É um dos jornais mais importantes que nós temos localmente, com um público muito grande", afirma. A dimensão da notícia no veículo é notória, e o acervo do jornal é fundamental.
"A gente já precisou de material de Círios muito antigos, que a DFN não tinha registro, para montar o acervo do museu Memória de Nazaré. Recorremos a parceiros do jornal e conseguimos. Para tu veres a importância que o veículo tem no resgate dessa memória”, conclui.
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