O Liberal: 79 anos de liderança no debate pelo desenvolvimento paraense
Segundo o historiador Geraldo Mártires Coelho, desde sua fundação, o jornal assumiu a função de moldar a opinião pública, traduzindo os desafios locais em pautas que impulsionam o progresso e a consciência regional
O jornal O Liberal vem atuando, ao longo de quase oito décadas, como um veículo central e um motor no debate pelo desenvolvimento paraense, conforme avalia o historiador Geraldo Mártires Coelho. Segundo o especialista, desde seu nascimento em 1946, o periódico não se restringiu a relatar fatos, mas sim a traduzir o complexo contexto econômico e social do Pará em uma pauta que influencia a tomada de decisões.
O historiador detalha a importância histórica do veículo no cenário nacional e regional. "Na história do jornalismo brasileiro, fica evidente que os grandes jornais que circularam — e circulam — no país, desempenharam papel fundamental na formação das mentalidades no Brasil. Em outras palavras, o pensamento e a postura do homem brasileiro no tocante à problemática brasileira, como um todo, encontraram nos jornais as fontes de sua identidade genética", afirma.
A participação d'O Liberal no debate público se deu de forma proativa. O veículo assumiu, conforme o historiador, a tarefa de observação e profecia histórica, ao transformar os desafios de Belém (como a mobilidade, a saúde e a educação) e do interior em temas centrais. Essa ação editorial contínua ajudou, segundo Mártires Coelho, a construir uma identidade flexionada do jornal com o corpo político e a realidade da sociedade paraense.
Marcos históricos
O papel ativo do jornal em apontar caminhos e propor soluções é ilustrado por sua própria origem, imersa em um cenário de disputa de poder. Nascido como um veículo para dar voz ao "baratismo" e ao Partido Social Democrático (PSD) de Magalhães Barata, O Liberal assumiu, na visão do historiador, uma postura que o consolidou como uma matriz de moralidade no jornalismo.
O compromisso com o desenvolvimento e a consciência regional sobre temas como economia e infraestrutura foram cimentados pela postura editorial. "A ação editorial de O Liberal, professada sobre a sociedade paraense, atuou como importante agente na formação da opinião pública. Além disso, o conteúdo editorial em suas páginas, fundamentou a natureza do posicionamento de seus leitores no tocante à problemática imiscuída no Pará contemporâneo", observa.
A manutenção dessa postura ao longo do tempo demonstra, de acordo com o historiador, que o compromisso com o desenvolvimento e com a problemática brasileira no tocante à Amazônia é uma marca identitária inquestionável do veículo.
A influência das mudanças políticas
A forma como O Liberal aborda os chamados “gargalos” de desenvolvimento do Estado é constantemente influenciada pelas mudanças no contexto histórico e político. Em seu nascimento, o jornal foi moldado pela resistência política do pós-guerra e pela ascensão de forças populistas. No entanto, o historiador aponta que a força do veículo foi além da política partidária.
"A relação de O Liberal com as realidades dominantes na vida política do Pará não significa que o jornal fique aprisionado unicamente ao campo da realidade paraense. Vence seu campo de realidade, no domínio de todas as vertentes de política, presentes nas dinâmicas econômicas e sociais da realidade antes referidas", detalha o especialista.
Essa amplitude garantiu que, mesmo com a alternância de poder e a evolução dos modelos econômicos, O Liberal continuasse, conforme a análise de Mártires Coelho, a ser o principal fórum para o debate sobre os desafios da infraestrutura, da distribuição de riquezas e da vida pública, sempre pautando as necessidades do povo.
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