Ismaelino Pinto: uma trajetória de vanguarda no colunismo de O Liberal
Da crítica cinematográfica à crônica social, o jornalista celebra 40 anos de carreira e discute como a bagagem cultural e o foco na diversidade transformaram o colunismo de O Liberal
A coluna social em um jornal como O Liberal carrega o peso da tradição, mas também a necessidade de constante renovação. Nesta edição especial de 79 anos, o colunista Ismaelino Pinto, uma das referências do jornalismo paraense, compartilha como sua trajetória no cinema e na cultura moldou o olhar que ele traz para a cobertura social, defendendo uma visão mais ampla e inclusiva.
Ismaelino Pinto iniciou sua carreira focado no jornalismo cultural; um ponto de partida que, segundo ele, influenciou diretamente a abordagem de seu trabalho atual.
"Comecei na Rádio Cultura com um programa de cinema chamado ‘Lanterna Mágica’. A partir daí, comecei a viajar por festivais de cinema. Sempre circulei muito pelo movimento cultural de Belém, vendo tudo que tinha pela cidade. Desde criança, levado pelo meu pai, eu fui um assíduo frequentador de cinema, teatro, circos… tudo que fosse relacionado à arte", descreve.
Essa vivência aprofundada o levou a enxergar a coluna social não como um registro restrito, mas como um palco de diversidades. "Eu acho que essa trajetória do jornalismo cultural influencia muito no frescor e na diversidade da coluna", afirma. Ao ser convidado para assinar uma coluna em O Liberal, há mais de 20 anos, sua condição foi clara: seria uma coluna de variedades, englobando cultura e notícias para todo tipo de público, alinhando-se a um movimento que se desenhava antes da explosão digital.
Evolução
O colunismo social passou por transformações profundas, especialmente com o advento das redes sociais, que descentralizaram a divulgação pessoal. Ismaelino Pinto reconhece a mudança, mas reforça a importância irremovível do jornal impresso. "Eu venho ainda do colunismo social tradicional, do tempo de Isaac Soares e Edvaldo Martins, que trouxeram essa coisa de juntar os mundos, o social com a arte e a cultura. Hoje em dia, cada pessoa tem a sua coluna nas redes sociais. A pessoa, de uma maneira ou de outra, se divulga, se mostra", reflete.
Contudo, para Ismaelino, a coluna clássica, no jornal impresso, mantém seu status e poder.
"No mundo digital, tem várias; mas aquela coluna social clássica, só no impresso. As pessoas gostam de se ver, ainda tem uma mítica, um desejo de alcançar aquilo quando você quer se divulgar socialmente", ressalta.
Em um cenário onde a cultura e a arte buscam cada vez mais visibilidade, a coluna social atua como uma importante vitrine e legitimadora. "As assessorias de imprensa querem isso, e isso não é só uma coisa de Belém, é também de fora daqui", diz. O interesse nacional está ligado à credibilidade que uma coluna social tradicional confere. "Eles querem uma nota, uma notícia, aquela foto específica na coluna social de O Liberal, do Ismaelino, porque tem uma variedade", aponta.
Equilíbrio e visão crítica
Com 40 anos de jornalismo completados, Ismaelino Pinto fala sobre a importância de manter um olhar crítico, garantindo a identidade que o público de O Liberal já reconhece. "Eu já criei uma persona. É bacana, porque a variedade da minha coluna faz com que eu consiga estar em todos os mundos, de uma maneira que eu seja sempre eu", analisa. "Eu quero que as pessoas reconheçam que eu não estou fazendo aquilo por qualquer motivo que não seja o jornalismo. Para mim, é muito importante ter essa visão crítica da coisa, sem nenhum deslumbramento", finaliza
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