Em O Liberal, ‘Você Repórter’ transforma denúncias da comunidade em soluções
Em quatro anos, o quadro se consolidou com equipes dedicadas para cobrir a cidade. Coordenadora e repórter detalham o desafio logístico de dar voz a diferentes bairros.
A gênese do ‘Você Repórter’, publicado em dias alternados nas páginas de O Liberal, reside na busca contínua do Grupo Liberal em amplificar as questões da sociedade. Nascido como uma plataforma de colaboração direta do leitor (‘Eu Repórter’), o projeto evoluiu para uma cobertura ativa, com equipes dedicadas que enfrentam desafios logísticos diários para dar voz a diferentes bairros. Nos últimos quatro anos, o quadro se consolidou como o principal canal de mediação entre a comunidade e a esfera pública, transformando denúncias em ações concretas nas ruas de Belém e Ananindeua.
Fabiana Batista, coordenadora do núcleo de Atualidades (onde o quadro é produzido), recorda o início, com o nome de "Eu Repórter". A proposta inicial era de colaboração total. "Na época, as pessoas faziam as denúncias e elas mesmas enviavam todas as informações, com fotos e vídeos. Da redação, os nossos estagiários escreviam a matéria", explica a coordenadora. Essa fase durou cerca de um ano e meio, até a virada.
A mudança para ‘Você Repórter’ marcou uma evolução na abordagem. O jornal investiu em equipes em campo. No entanto, o fluxo de informação da população não parou, fluindo por WhatsApp, e-mail, ligações ou mesmo em encontros casuais:
"Às vezes, eu saio de casa e um vizinho me para: 'Ei, eu sei que tu estás trabalhando n'O Liberal'. Ali na rua do meu conhecido tem um buraco enorme", relata.
Esse modelo híbrido de captação e produção assegura que o quadro tenha pautas para equipes que trabalham em dois turnos, manhã e tarde.
Desafio logístico
O maior obstáculo para a equipe do ‘Você Repórter’ não é a falta de pauta, mas sim a dimensão da área a ser coberta. "O maior desafio é tentar dar o máximo de voz para as comunidades, de diferentes bairros, para que a gente alcance o maior número possível de demandas", afirma Fabiana. Ela pontua que é uma verdadeira "correria" para conseguir atender demandas em Belém e em Ananindeua.
A cada denúncia, o jornal age como intermediário responsável, acionando o órgão competente: "Dependendo do caso: por exemplo, de um buraco aberto, a gente entra em contato com a prefeitura; se for falta de água, a gente tem a concessionária responsável".
A escuta na rua
O maior combustível é o retorno da população. Para a repórter Cira Pinheiro, que grava o quadro para a Rádio Liberal+ e envia o material para repórteres de texto escreverem em O Liberal, a experiência é visceral. "O quadro me permite trabalhar fazendo o que eu gosto e, ao mesmo tempo, ajudar as pessoas. Isso é muito gratificante para mim", relata.
A gratidão é a tônica no retorno que ela recebe: "Quando o problema é solucionado, as pessoas me ligam, agradecem, agradecem o Grupo Liberal. Então, ‘gratidão’ é a palavra", resume.
No entanto, há momentos em que a emoção supera a técnica, reafirmando o lado humano do jornalismo. Cira compartilha uma história marcante: "No bairro do Tapanã, uma região onde os alagamentos são frequentes, fui entrevistar um rapaz e, no meio da reportagem, ele começou a chorar por causa da situação de moradia dele. Fiquei tão emocionada que acabei chorando junto, e terminamos a reportagem nos abraçando", conta. Ela fez uma promessa que transcende a pauta diária: "Prometi que um dia voltaria para fazer outra matéria, dessa vez com o problema resolvido", acrescenta.
Para Cira, estar na rua é resgatar a essência da profissão. "Acho muito importante escutar a comunidade. Poder ser uma intermediadora para a solução é algo muito gratificante", compartilha. Para ela, "trabalhar e fazer reportagens junto à comunidade me remete ao verdadeiro sentido do jornalismo, que é mostrar o problema e contribuir para a solução", conclui.
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