Editoria de Cultura de O Liberal une interesse público e popular, do global ao local
Núcleo atua na interseção entre o que o público deseja e precisa saber, exigindo agilidade, apuração minuciosa e criatividade constante
A editoria de Cultura do Grupo Liberal atua como um laboratório de tendências e relevâncias, buscando equilibrar a demanda frenética do universo digital com a profundidade necessária para o jornalismo impresso. Em um momento de celebração dos 79 anos do jornal O Liberal, a equipe reflete sobre os desafios de pautar o que é essencial e o que é popular, mantendo o compromisso com o leitor em todas as plataformas.
O coordenador do núcleo, Abílio Dantas, traça sua jornada no Grupo Liberal, pontuando a importância da persistência e da diversidade de experiências. Abílio teve sua primeira passagem pelo Grupo em 2014, um período que, apesar de breve, foi formativo. "Fiquei meio frustrado de não ter sido contratado, mas depois conversei com colegas e sempre disse quanto aquele período foi importante, pois me deu um certo amadurecimento na profissão", relata.
O retorno, em 2018, foi como repórter para a exigente editoria de Política e Economia, onde permaneceu por quatro anos. A experiência em uma área de grande visibilidade e detalhismo provou ser uma escola. "A cobertura de política e economia exige muito cuidado e preparação. Você precisa estudar o tema para ter segurança. Acho que isso me ajuda na produção de matérias na área da cultura", explica o jornalista. Em 2022, veio o convite para assumir a coordenação de Cultura e Entretenimento, unindo a expertise adquirida com sua paixão de longa data pelo universo cultural.
Cultura e entretenimento: dois lados da notícia
A editoria se divide em dois grandes eixos: a Cultura, que abrange as artes (música, teatro, dança, artes plásticas) e o Entretenimento, focado nas notícias de celebridades, reality shows e o universo das redes sociais. Segundo Abílio Dantas, a estratégia reside em atender as duas frentes.
"Uma é o interesse público, aquilo que as pessoas precisam saber. E a outra é o interesse do público, que são as pessoas ávidas em saber, como as notícias de entretenimento e fofocas", detalha.
Abílio Dantas, coordenador do núcleo de Cultura do Grupo Liberal, já foi repórter de Política e Economia, quando aprendeu sobre a importância do aprofundamento na produção de pautas (Wagner Santana / O Liberal)
Essa filosofia de trabalho é guiada por uma máxima que inspira o coordenador: "O povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe", citando Gilberto Gil. A missão, portanto, é não apenas responder à demanda popular, mas também provocar o interesse por artistas e fenômenos culturais que ainda não estão no radar do grande público.
Agilidade noturna
Para a repórter Amanda Martins, que atua há cinco anos no Grupo Liberal e hoje integra a equipe de Cultura no turno da noite, a rotina é marcada pela adrenalina da agilidade. "Uma das minhas principais missões para o jornal impresso é adiantar as matérias do dia seguinte. Ao mesmo tempo, preciso estar atenta às redes sociais, acompanhando o que está em alta, o que viralizou", conta Amanda.
A conciliação entre o impresso e o digital é o principal desafio e a grande vantagem.
"O grande desafio é lidar com o tempo. Precisamos estar sempre um passo à frente, trabalhando com agilidade. Uma das maiores vantagens de adaptar o texto do impresso para o portal é justamente poder colocar a criatividade em jogo — é um exercício constante de reinvenção", pontua.
O trabalho em um veículo com quase 80 anos é encarado com responsabilidade e entusiasmo. "Sinto que o meu trabalho ajuda a manter viva essa trajetória, contribuindo com um olhar jovem, curioso e em constante transformação, que é essencial para qualquer veículo", afirma a repórter.
Coberturas marcantes
Amanda Martins guarda com carinho coberturas que uniram o dever profissional à vivência pessoal. O primeiro Círio de Nazaré como repórter foi um marco, especialmente por ser devota. "Eu deveria encerrar a cobertura após a homenagem dos Estivadores, mas acabei acompanhando um colega até o fim e vi a Imagem Peregrina chegando à Sé. Foi um momento lindo, inesquecível!", recorda.
Outro momento de realização foi cobrir o concurso Rainha das Rainhas, que ela acompanhava desde a infância. "Eu sonhava em ser rainha, mas a vida me levou por outro caminho e hoje me realizo contando as histórias delas", brinca. Mais recentemente, a experiência de entrevistar a atriz Renata Sorrah por videochamada foi inesquecível. "Ela foi incrivelmente gentil e generosa. Uma daquelas entrevistas que a gente guarda pra sempre", conclui.
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