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Como O Liberal garante profundidade e registro histórico na era do 'tempo real'

A Redação Integrada, criada em 2018, estabelece um fluxo de trabalho 'story-centric', garantindo agilidade, profundidade e precisão ao público no digital e no papel

Gabriel da Mota

Desde 2018, o Grupo Liberal implementou um modelo de Redação Integrada que revolucionou a produção jornalística no Pará. Mais do que apenas compartilhar o mesmo espaço físico, as equipes dos impressos, digital e rádios trabalham em total sincronia, abandonando o modelo compartimentado para adotar uma abordagem 'story-centric' – focada na história. A meta é clara: oferecer a mais completa e rica cobertura possível, respeitando a linguagem e o timing de cada plataforma.

O desafio de coordenar essa sinfonia multiplataforma é diário e complexo, segundo Lázaro Magalhães, diretor de conteúdo. "Em uma redação integrada, não apenas se fortalecem os laços entre todas as pontas que formam e enriquecem uma mesma cadeia de trabalho, fortemente interligada e colaborativa. Também se revelam essencialmente definitivos e importantes todos os nossos compromissos máximos com a informação precisa, com o bom jornalismo e com o respeito com nossas audiências em todos os meios", pontua. 

A definição de prioridades é guiada pela complementaridade.

"Desde a ideia inicial de uma cobertura, aos conteúdos finais, espraiados nos impressos, nas redes e em nosso portal, pensamos em como cada pedaço dessas nossas histórias ou fatos, em cada uma dessas múltiplas plataformas, contribui, complementarmente, para esse todo, para que possamos oferecer a mais completa abordagem possível sobre o que nos dispomos a cobrir", diz.

Digital

A lógica digital é, hoje, a bússola que orienta esse trabalho. Para Mary Tupiassu, diretora de conteúdo digital, a transformação é estrutural.

"A lógica digital é a espinha dorsal da nossa redação integrada. A cada dia mais, abandonamos o modelo compartimentado onde cada plataforma trabalha de forma isolada, para adotar uma abordagem ‘story-centric’, ou seja, focada na história. A dinâmica caminha para ser mais fluida e colaborativa, com jornalistas multimídias trabalhando para entregar a melhor experiência informativa ao nosso público, onde quer que ele esteja", resume.

A precisão e o ‘timing’ de entrega se tornaram pilares inegociáveis. "A maior preocupação é oferecer um conteúdo rico, com escopo mais amplo e profundo possível, e orientado a conteúdos complementares que permitam a uma história e seus fatos serem fruídos em múltiplas plataformas. E tudo isso com busca de qualidade e absoluta precisão", afirma Lázaro Magalhães. 

A cronologia da notícia obedece a um fluxo rigoroso: do urgente para o portal e redes — o primeiro relato rápido e preciso —, à análise aprofundada e registro histórico no impresso do dia seguinte. "Nela, tudo isso se complementa e enriquece mutuamente, ampliando histórias e tornando-as mais profundas em várias dimensões, tanto para as fronteiras digitais, quanto aos limites da centimetragem das páginas impressas", completa o diretor de conteúdo.

Métricas e formação

Para garantir que o conteúdo atenda às necessidades do público, o monitoramento em tempo real é vital. Mary Tupiassu detalha o uso das métricas. "No nosso dia a dia, utilizamos um conjunto de ferramentas e métricas que nos permitem entender o comportamento da nossa audiência e tomar decisões mais estratégicas. Ferramentas como Google Analytics e Meta Business são fundamentais para monitorar, em tempo real, o desempenho do nosso conteúdo. Analisamos métricas como páginas vistas, tempo de permanência, taxa de rejeição, origem do tráfego e engajamento", explica.

Essa cultura digital também molda o perfil dos novos talentos. Tupiassu enfatiza que o novo jornalista deve ser multiplataforma.

"A cultura digital está transformando radicalmente o perfil do jornalista e precisamos acompanhar esse movimento. Hoje, nossas equipes são cada vez mais multiplataforma, que entregam, além da excelência na apuração, agilidade na produção da notícia. O novo jornalista é um profissional que compreende a linguagem de cada plataforma, e que sabe que o comportamento de consumo da informação está primeiro no mobile", conclui.