A revolução do instante: tecnologia e agilidade marcam o audiovisual do Grupo Liberal
Sob a coordenação de Tarso Sarraf, departamento une a tradição do fotojornalismo premiado à agilidade do digital, alcançando cada vez mais milhões de visualizações
A imagem no jornalismo ganhou, nos últimos anos, uma nova unidade de tempo: o instante. Se nas primeiras décadas de O Liberal o registro visual dependia do tempo químico da revelação e da espera pela impressão do dia seguinte, hoje ele viaja o mundo em segundos. Ao completar 79 anos, o jornal consolida essa transformação em seu departamento de audiovisual, um setor que preserva a técnica do fotojornalismo clássico enquanto opera na velocidade frenética da internet.
Quem lidera essa mudança é o premiado fotógrafo Tarso Sarraf. Para o coordenador do departamento, o último ano representou um marco de consolidação tecnológica e de ampliação de alcance. Se em 2021, quando Sarraf assumiu a coordenação, o YouTube de O Liberal registrava cerca de 1,5 milhão de visualizações por mês, hoje os números impressionam, variando entre 12 e 14 milhões mensais — uma mudança impulsionada diretamente pelo comportamento do público.
"O consumo de vídeos aumentou muito. Agora, estamos focando em cortes para o mobile, que é muito forte. O YouTube reflete isso com o Shorts, seguindo a mesma linha das redes sociais, como o Instagram. É o melhor momento para o fotógrafo mostrar o seu material", avalia Tarso.
Ele explica que a dinâmica de cobertura mudou radicalmente. O que antes se resumia a selecionar três ou quatro fotos para a edição impressa do dia seguinte hoje é um fluxo contínuo. “O material circula durante todo o dia: subidas para o site, redes sociais, galerias de fotos. Rende muito mais. A grande força é o digital, mas ainda escolhemos a melhor foto para o impresso”, explica.
Sob sua gestão, a equipe — formada por fotógrafos, cinegrafistas, editores e técnicos de transmissão — enfrentou desafios gigantescos, como o Círio de Nazaré, a maior cobertura anual do grupo, e as conferências climáticas (COP 27, COP 28 e COP 29), já em preparação para a histórica COP 30 em Belém. “A tecnologia se atualiza muito rapidamente. Se você reparar, em um ano o mesmo equipamento tem duas versões lançadas. Temos que estar sempre inovando”, completa Sarraf, enquanto projeta os 80 anos de O Liberal com trabalhos especiais para a Copa do Mundo e as eleições presidenciais.
Carmem Helena — A sensibilidade no cotidiano
Na equipe desde 2022, Carmem Helena busca retratar as ruas de Belém com um olhar sensível. Para ela, o fotojornalismo é uma atividade imprevisível e apaixonante. Suas lentes frequentemente se voltam para as invisibilidades sociais.
“As coberturas que me marcam muito são aquelas do dia a dia, mostrando situações que comovem a gente como pessoa e profissional, como pessoas em situação de rua”, relata.
Carmem também destaca a responsabilidade de ter documentado a preparação de Belém para a COP 30 ao longo dos últimos dois anos:
"É uma honra e uma imensa responsabilidade histórica fazer parte de um jornal que caminha para os 80 anos. Sou muito grata pela confiança", diz.
Cláudio Pinheiro — A repercussão internacional de uma imagem local
Há 20 anos no grupo, Cláudio Pinheiro destaca a capacidade de o jornalismo local romper fronteiras. Seu trabalho já levou o nome de O Liberal para as páginas do The New York Times, em 2017, com a cobertura do massacre no presídio de Americano.
"Ver o trabalho em outras plataformas, com alcance internacional, é bem legal. Teve também a posse do presidente Lula em 2023, da qual tenho orgulho de ter participado", diz Cláudio.
Para ele, a efeméride atual é simbólica:
"Fazer parte do maior grupo de comunicação do Norte é extremamente satisfatório. Estar nessa transformação, onde o jornal completa 80 anos, é como estar na história dessa cidade", acrescenta.
Cristino Martins — Três décadas de jornalismo
Decano da fotografia de O Liberal, Cristino Martins personifica a ascensão e a longevidade profissional dentro do grupo. Ele entrou em 1º de agosto de 1990 como office boy, sem imaginar que encontraria ali a profissão que o consagraria. Observando as fotos de agências e dos colegas nas laudas que distribuía diariamente, descobriu sua vocação.
"O jornal me deu tudo. Vim do interior do Maranhão, cheguei aqui sem saber fazer nada e, através da leitura do jornal e da convivência com meus colegas, aprendi a me desenvolver como cidadão", relembra Cristino, que assumiu a fotografia oficialmente em 1994.
Em sua trajetória, Cristino cobriu tragédias históricas como a rebelião no presídio São José (1998) e o caso dos irmãos Novelino. Mas foi em 2008 que seu faro jornalístico mudou os rumos da saúde pública, ao registrar — em uma foto impactante que mostrava corpos de bebês em um freezer — a grave crise na Santa Casa de Misericórdia.
"O Estado negava, e eu consegui provar que estava tendo uma série de mortes de bebês. Foi um escândalo nacional. Acredito que, por causa desse trabalho, foi tomada a decisão de construir a nova Santa Casa", pontua o fotógrafo.
Igor Mota — O jornalismo como agente de transformação
Igor Mota iniciou sua jornada no Grupo Liberal em 1999, trabalhando na gráfica, e, galgando degrau por degrau, chegou ao fotojornalismo. Para ele, a profissão é um verdadeiro instrumento de mudança. Igor lembra de uma operação policial no bairro da Sacramenta, em Belém, onde o que seria apenas uma prisão revelou um profundo drama social vivido por uma família em extrema pobreza. A sensibilidade da equipe transformou a ocorrência em uma ação de solidariedade.
"A cena foi forte. Descobrimos que o jovem que usava uma arma de brinquedo para praticar assaltos tinha, em casa, idosos e crianças com deficiência para sustentar. Os policiais, com generosidade, pediram para a equipe comprar cestas básicas. Vejo que há situações que são permitidas por Deus para que a glória dele seja manifestada", reflete Igor.
"Conquistei meu nome no fotojornalismo e sou grato. Estamos aqui para somar", ensina.
Ivan Duarte — A credibilidade que abre portas
A trajetória de Ivan Duarte é marcada pela persistência. De motorista de reportagem a repórter fotográfico, cargo para o qual foi nomeado em 2018, Ivan aprendeu observando os mestres da casa. Ele destaca a credibilidade da marca Liberal como elemento decisivo para garantir furos de reportagem, como no caso da morte da influenciadora digital Luma Bonny, em 2022.
"O pai dela disse: 'Eu só chamei O Liberal para fazer essa matéria porque vocês têm credibilidade, vocês dão a notícia sem mentir'. Ele acompanhou coberturas anteriores e viu que o jornal não noticiava sem provas", relata Ivan.
O repórter fotográfico descreve o momento mais delicado da cobertura, quando a imagem precisou traduzir a dor da perda sem perder o respeito.
"Quando a mãe da vítima levantou a tampa de uma caixa onde estavam guardadas as cinzas dela, a família toda chorava muito. Foi uma matéria que repercutiu imensamente", recorda.
Thiago Gomes — Na linha de frente da pandemia
Thiago Gomes, que entrou para O Liberal efetivamente em 2020, teve seu “batismo de fogo” em um dos períodos mais difíceis da história recente.
"A pauta mais marcante foi a cobertura da pandemia de Covid-19 no Pará. Esse trabalho foi fundamental e muito marcante na minha carreira", resume Thiago, ressaltando, ainda, a satisfação de integrar a equipe às vésperas do octogenário do jornal.
Wagner Santana — O registro nas fronteiras da Amazônia
O mais novo integrante fixo da equipe, Wagner Santana — na casa desde abril de 2024 — vê sua câmera como uma verdadeira ferramenta de registro histórico. Sua cobertura da Operação Ágata, em 2025, nas fronteiras com o Suriname e a Guiana Francesa, exemplifica o alcance geográfico e a relevância do trabalho realizado por O Liberal.
"Minha câmera não é somente meu instrumento de trabalho, é minha forma de contar histórias. Com cada foto, congelo um instante de Belém e da Amazônia que, amanhã, fará parte da memória coletiva", finaliza Wagner.
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