A ciência da Amazônia traduzida para o mundo: a parceria entre a UFPA e O Liberal
Reitor Gilmar Pereira da Silva destaca como a cooperação com o jornal democratiza o saber acadêmico, combate o negacionismo e internacionaliza a pesquisa paraense
Em um cenário onde a complexidade dos dados acadêmicos muitas vezes cria barreiras entre a universidade e o cidadão comum, a parceria institucional entre a Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Grupo Liberal completa mais um ciclo de êxito. No aniversário de 79 anos de O Liberal, o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, avalia essa união como fundamental para a "tradução" do conhecimento produzido na Amazônia, permitindo que pesquisas de ponta dialoguem tanto com a comunidade local quanto com leitores ao redor do globo.
Para Gilmar Pereira, a principal virtude da cooperação é a capacidade do jornalismo de decodificar a linguagem hermética dos laboratórios. Enquanto a academia fala "para os seus" em seminários e congressos, o jornal fala para todos. "A imprensa sempre tem um papel importante no diálogo com a sociedade e tem um papel de dizer coisas que muitas vezes a comunidade não consegue dizer bem. Há um bom tempo, ainda no reitorado do professor Emmanuel Tourinho, foi estabelecido um acordo de cooperação com O Liberal para publicar documentos científicos, inclusive em inglês. Tem sido uma experiência muito interessante", afirma Gilmar.
O reitor enfatiza que essa "tradução" é um serviço de utilidade pública, especialmente em tempos de desinformação.
"Os jornais têm o papel de traduzir os conhecimentos para que todo mundo leia: a comunidade científica, os trabalhadores e a população de um modo geral. No momento em que tem tanta gente negando a ciência, questionando as informações científicas, ter um jornal popular, que é o de maior tiragem no estado, falando de ciência de uma maneira popular é muito importante", destaca.
O alcance internacional da pesquisa paraense
A estratégia de publicar conteúdos bilíngues nas plataformas de O Liberal, como o Liberal Amazon, rompe as fronteiras físicas do Pará. Gilmar Pereira relata que, durante viagens internacionais para eventos como a COP e missões na Europa, percebeu o impacto real dessa divulgação.
"A língua inglesa é falada em todo o mundo e traduzir essas informações no momento em que os jornais não são mais só impressos, mas estão na internet, é fundamental. É muito importante chegar em algum país e alguém dizer: 'Olha, eu já li o texto tal que foi feito na universidade e está no jornal'. Pude ouvir muito as pessoas dizendo que leem e sabem da nossa universidade por conta dessa oportunidade criada", relata o reitor.
O desafio da universidade popular
Ao parabenizar O Liberal pelos seus 79 anos, o reitor propõe uma reflexão filosófica sobre o papel do jornalismo como um "clínico geral" da sociedade. Em um mundo onde a ciência se especializa cada vez mais — focando em detalhes minúsculos do corpo humano ou da natureza —, o jornal mantém a visão do todo, conectando saberes isolados.
"Acho que é uma tomada de decisão acertada do jornal se associar com a comunidade científica em defesa de uma racionalidade que não abre mão da convivência com os outros saberes, dos indígenas, dos quilombolas, das populações ribeirinhas. É entender a nossa região e, a partir dela, dessa aldeia, cantar o mundo", reflete.
Para o futuro, Gilmar projeta uma universidade que mantenha o refino acadêmico — da química fina ao tratamento do câncer — mas que seja essencialmente popular. "Se você quer ser popular, também tem que estar ao lado das comunicações populares. As especialidades não podem estar soltas no ar, elas precisam dialogar entre si. Talvez essa seja a grande tarefa e uma das responsabilidades da imprensa", conclui.
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