Justiça condena influenciadora do Norte por lavagem de dinheiro e jogos de azar ilegais
A influenciadora que acumulava mais de 1 milhão de seguidores foi sentenciada pela 3ª Vara Criminal de Palmas após ostentar fortuna incompatível com sua renda declarada
A trajetória da influenciadora digital Dheovana França, natural de Palmas, na região Norte do país, tomou um rumo drástico com sua recente condenação pela Justiça do Tocantins. O Juízo da 3ª Vara Criminal de Palmas proferiu a sentença no dia 18 de março de 2026, culminando um processo que investigou crimes de promoção de jogos de azar ilegais e lavagem de dinheiro na capital tocantinense.
Dheovana, que antes de alcançar o estrelato digital trabalhava como manicure com uma renda mensal declarada de R$ 9.301,00, viu sua realidade financeira sofrer uma mutação impressionante em menos de um ano, acumulando uma fortuna avaliada em mais de R$ 7 milhões e movimentando mais de R$ 10,4 milhões em apenas seis meses.
A investigação da Polícia Civil, iniciada em setembro de 2024, detalhou como a influenciadora utilizava seu alcance de mais de 1,1 milhão de seguidores para ostentar uma rotina de luxo desenfreado. Em seu perfil, eram frequentes os vídeos exibindo compras de produtos de alto valor, passeios de moto aquática e a realização de procedimentos estéticos complexos, como uma cirurgia bariátrica seguida de reparadoras. Essa vitrine de sucesso, composta por mansões, carros de luxo e viagens paradisíacas, servia como isca para convencer seu público a investir em plataformas de apostas que, conforme apontado na sentença, não possuíam qualquer autorização do Ministério da Fazenda para operar legalmente no Brasil.
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O esquema criminoso era sustentado por uma engenharia financeira sofisticada para ocultar a origem ilícita dos ganhos. De acordo com o processo judicial, foram identificadas 258 operações de lavagem de dinheiro, que incluíam o fracionamento de depósitos, o uso de empresas de fachada para ocultação patrimonial e a compra de imóveis com valores declarados abaixo do preço real de mercado.
Diante da gravidade e da reiteração das práticas entre setembro de 2023 e março de 2024, a Justiça considerou os valores totalmente incompatíveis com a ocupação anterior da ré. Caso receba a pena máxima para todos os pontos do indiciamento, a influenciadora poderá enfrentar até 40 anos de reclusão, marcando um dos casos mais emblemáticos de combate à exploração de jogos ilegais na região.
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