Bloco Kalango resgata a tradição do trio elétrico nas ruas da Cidade Velha

O grande anfitrião, Ricardo Chaves, recebe os conterrâneos Tatau, a banda Nosso Tom e o projeto Pranchão, com Mizerê e Eric Pirô, para uma festa que promete unir gerações de foliões

Bruna Dias Merabet
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O Bloco Kalango ganha as ruas da Cidade Velha neste sábado (24), como manda a tradição: com trajeto no trio elétrico. Ao longo de mais de três décadas, o evento nunca perdeu a característica de puxar o folião pelas ruas, como pede um bom micareteiro. A concentração é às 16h30, na Avenida Tamandaré, e segue até o NaBêra para a festa indoor. No trio elétrico Pranchão, Mizerê e Eric Pirô comandam o público.

Além disso, o Kalango leva para o bloco um grupo de madrinhas, que se dedicam a entregar conteúdo digital e simpatia aos foliões. Raphaely Sobral e Talitha Maués são algumas das escolhidas que, ao longo dos anos, se dedicam na criação de looks carnavalescos e personalizados, além de garantirem muita animação ao som de Ricardo Chaves, o grande anfitrião do bloco.

Para Raphaely Sobral, empresária, ser madrinha do bloco é uma honra. “É gratificante participar da comunicação com o público, estar com as pessoas que são felizes e não entregam somente ‘looks’, mas também alegria”, destaca.

Já Talitha Maués, arquiteta urbanista e empresária, fala sobre a emoção de desempenhar a função de madrinha no último ano do bloco. "É uma alegria imensa fazer parte desse momento com a equipe Kalango, poder representar os foliões, passar alegria, transmitir e transbordar felicidade”, afirma.

Carlinhos Belo, diretor do bloco há 31 anos, afirma que a trajetória da manifestação passa por momentos diversos da música nacional, chegando ao período atual, em que o Kalango se despede mais uma vez. “Foi um ciclo que percorremos, desde a época do Paráfolia. Foram 10 anos de Paráfolia, em seguida, o Kalango deixou de sair durante mais 10 anos. Depois, buscamos fomentar o pré-Carnaval, entendendo que a cidade estava precisando, então decidimos voltar com o Kalango. E, agora, esse é o último ano desse segundo ciclo. Quem sabem, um dia, ele volte, já que atualmente temos foliões que saíram no Kalango Kids no tempo do Paráfolia”, reflete o diretor.

image Thalita Maués e Raphaely Sobral madrinha do bloco Kalango (Wagner Santana)

“Essa história com o Kalango é bem intensa e bonita; surgiu no primeiro ano do Parafolia, ainda na Ilha de Mosqueiro. Foram muitos anos de uma cumplicidade que foi se criando entre mim e o público de Belém, que me abraçou no auge do axé music. O Kalango realmente foi um bloco muito forte durante os Parafolias de que participamos. Depois houve uma parada e, quando o pré-Carnaval de Belém começou a ganhar volume, conversei com o Carlinhos (sócio do Kalango em Belém) e a gente pensou em trazer o bloco de volta para resgatar aqueles momentos todos que tivemos, porque eu imaginava que tinha um público que estava com saudade daquele movimento todo. E aí surgiu o Kalango no pré-Carnaval e já são muitos anos. Sempre é uma festa que tem uma nostalgia gostosa, vamos dizer assim. Eu tenho o maior prazer de participar sempre”, disse Ricardo Chaves.

Além do baiano, este ano ele traz outro conterrâneo para fazer a festa em Belém: Tatau também se apresenta no bloco. Nosso Tom também é atração do Kalango.

Abrindo o Circuito da Cidade Velha, o evento mantém a essência de levar música ao vivo e animação para a multidão, como uma prévia carnavalesca, mas em grande estilo, já que a expectativa é que centenas de foliões ganhem as ruas do centro histórico de Belém.

“A festa de rua é, sem dúvida, um modelo bastante abrangente porque, como o nome já diz, ela é na rua, então permite a participação das pessoas. Eu, como artista oriundo do Carnaval de Salvador, que é uma festa popular de rua, realmente lamentei e lamento muito o fato de os grandes eventos de rua terem se tornado indoor. O pré-Carnaval de Belém é um dos eventos em que o Kalango voltou a essas origens, agora com o bloquinho com o trio na rua, trazendo de novo as pessoas. É muito interessante isso! Que isso se perpetue e cresça cada vez mais, pois são eventos que mobilizam a população. Cada vez mais vejo com bons olhos eventos voltando para a rua”, opina o artista.

Como uma das referências do Carnaval e do axé, Ricardo Chaves continua com agenda intensa pelo Brasil, seja nesse período ou nas micaretas fora de época que ocorrem ao longo dos anos. Porém, entre os meses de janeiro e fevereiro, o cantor tem um cronograma de shows mais agitado, que pede uma entrega maior e também cuidados redobrados.

“O calor de Belém não assusta, é gostoso, e com a energia do público, nem se fala, porque é uma cidade musical extrema. O estado do Pará é um estado musical, que sempre abraçou de maneira muito forte a movimentação cultural da qual eu faço parte. Acho que isso mistura a proximidade da música, que não tem fronteira, e acaba que todo mundo se envolve. A energia do público é muito superior ao calor que possa fazer, e sempre tem uma chuvinha que dá uma aliviada. O importante é que a alegria permaneça e que seja o motor para que a festa continue sendo bonita”, conta animado Ricardo Chaves.

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Se ele entende de folia e música boa, o cantor confidencia que é fã de ritmos paraenses e da musicalidade existente no estado. Ao longo das mais de três décadas em que se apresenta no Pará, ele já conheceu muito das misturas locais.

“O Pará é um estado muito rico musicalmente e em vários setores da cultura. Gastronomicamente, sou apaixonado pelo filhote. Adoro ir aí comer a culinária paraense e tudo isso tem ligação. Acho que esses estados, assim como a Bahia, têm uma culinária e uma música muito fortes, o Pará também é assim. E ao longo da minha trajetória musical, eu já fiz umas misturas musicais, já bebi da fonte daí. No final das contas, quando a gente busca fazer música que mobilize o sentimento alegre das pessoas, a gente sempre se conecta e se aproxima. Então a música do Pará tem isso, a música da Bahia tem isso também. Tem alguns arranjos de músicas que eu fiz que foram inspirados no Pará e, em todo show meu, canto uma ou duas músicas que são da cultura paraense para a gente se conectar”, finaliza Ricardo Chaves.

Agende-se 

Data: sábado, 24
Hora: 16h30 – concentração
Local: Avenida Tamandaré, em frente ao Hang Burgs - Av. Alm. Tamandaré, 406  

 

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