Amazônidas: Layse Rodrigues carrega talento musical na voz e no sangue

"Meu avô me influenciou na música", recorda Layse Rodrigues

Paloma Lobato
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"A gente pode mudar esse quadro, incentivando outras mulheres a encontrarem o seu lugar dentro da arte, dentro da música". É com esse pensamento que a cantora paraense Layse Rodrigues vem conquistando seu espaço na música. A jovem artista, de 29 anos, carrega a música no sangue e é um dos milhares de talentos paraenses que com muita luta e esforço, tem levado a sua voz e musicalidade por todos os cantos do Estado. Neta do maestro trompetista Pedro Silva, a artista traz a música nos ouvidos, no instinto e no sangue marajoara, com influências da própria família. 

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"Meu avô me influenciou na música de todas as formas possíveis e impossíveis. A música que eu trago, a música que eu faço, o jeito que eu toco, que eu componho, até meu gosto musical vem todo da minha família. Essa memória afetiva, tanto do que tocava nas festas em família quanto do sangue musical, de ter essa facilidade de passear por outros instrumentos, de pensar música em várias formas", ressalta a artista, que nasceu no município de Breves, na Ilha do Marajó.

Apesar do amor pela música ter surgido desde cedo, a jornada para conquistar seu espaço como cantora e instrumentista nem sempre foi fácil. "Pra mim, além de ser um processo profissional viver de música, também foi um processo muito pessoal, engrandecedor. A gente vê muitas mulheres na arte como cantoras ou dançarinas, mas hoje em dia nós temos visto muito mais mulheres como instrumentistas. Isso é um ponto de soma da sociedade, da nossa caminhada, com relação ao feminismo e ao empoderamento social das mulheres, dentro delas mesmas", destaca Layse.

Preconceito e assédio no cenário musical

A luta por mais voz, literalmente, na profissão é cada vez mais presente e necessária para as mulheres que carregam algum talento na música. A falta de espaço e de equidade de condições com os homens está entre as principais reclamações de cantoras, produtoras, DJs e instrumentistas. Lidar com os olhares tortos e carregados de preconceitos não é uma tarefa fácil, mas para Layse é fundamental encarar esse tipo de situação e lutar para quebrar as barreiras que surgem ao longo da carreira.

"O preconceito por ser mulher, dentro da música, existe de várias formas. Quando eu chego em algum lugar e os caras da técnica nem olham pra mim ou me olham 'de banda', tiram onda com a minha cara. Além disso, existe a questão do assédio moral e sexual. Muitas vezes aconteceu de eu estar tocando de vestido ou saia e um cara ficar tentando filmar minha calcinha. Ou alguns homens que deduzem que a gente só tá naquele ambiente porque a gente é mulher, querendo fazer a gente duvidar da nossa capacidade profissional, colocando a sexualidade no meio. São muitos preconceitos", relata a cantora.

Um olhar diferente sobre a mulher

A artista é apaixonada pela música do passado e carrega grandes clássicos do brega marcante paraense para seus shows. A paixão por esse viés da música veio do amor pela dança contagiante desse ritmo, mas também surgiu a partir de uma visão mais crítica sobre a forma como as mulheres eram retratadas nas músicas do passado. Para ela, que além de cantora é baterista, a sua musicalidade também é uma forma de reparar o papel que a figura feminina tinha nos grandes clássicos do brega marcante paraense.

“A música do passado ficou devendo uma coisa pra nós mulheres: o respeito com relação aos nossos próprios sentimentos. As músicas do passado eram muito tomadas pelas mulheres como levianas, bandidas. Tem muitas letras absurdas em relação a isso. Em compensação, a musicalidade do passado é maravilhosa e eu procuro trazer essa música do com uma lírica do presente”, afirma Layse, que também já fez parte de um grupo musical formado apenas por mulheres, o “As Sinceras”.

Projeto “Amazônidas”

Garantir oportunidades para novos talentos da nossa terra é um dos principais objetivos do Amazônidas, projeto criado pelo Grupo O Liberal, com o apoio da Vale. O espaço dá voz a novos talentos femininos no cenário da música paraense, valorizando e dando destaque a mulheres que lutam diariamente para ter a sua voz e seu nome reconhecidos no mercado musical.

“Esse projeto é muito lindo. Além de poder estar no jornal contando a minha história, falando um pouco sobre esse ponto de vista que eu trilhei e estou trilhando na música paraense, que esse projeto sirva de alegria e gás pra que outras mulheres também possam estar aqui, se sentindo amazônidas e firmando o seu papel seja na arte, seja na música, seja em outras profissões diplomadas. Nós, mulheres, temos uma sensibilidade muito linda pra isso, principalmente a mulher do Norte, que é uma mulher muito forte e independente. Com a minha música, eu quero ter o poder de comunicar a minha força”, finaliza Layse.

O projeto também é uma forma de divulgar os próximos trabalhos da artista, como o single “Love Lomas”, que será lançado no dia 11 de dezembro, além do clipe de “Papo Legal”, do EP “Caso Raro”. E para 2023 a artista promete trazer ao público um novo disco repleto de sonoridade e verbo paraense em um novo lírico feminino com a estética do brega pop, boleros e marcantes.

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