Revolução que vem do “quintal”
Empreendedores transformam sementes, frutos e saberes ancestrais em produtos de alta qualidade
A bioeconomia trata-se de um modelo econômico voltado para impulsionar o desenvolvimento sustentável na Amazônia, valorizando a floresta e incentivando atividades focadas na sociobiodiversidade. No território paraense, a bioeconomia combina saberes tradicionais com a inovação tecnológica, o que fortalece cadeias produtivas e gera emprego para populações locais.
Elementos como miriti, açaí, andiroba e murumuru são alguns exemplos de produtos que fazem parte desse tipo de economia. Para o empreendedor Washington Ferreira Nascimento, as sementes de açaí tornaram-se fonte de renda. O jovem é proprietário da empresa Unaí Biopainéis Sustentáveis, em Abaete tuba, no nordeste paraense. O empreendimento produz biopainéis com os resíduos dos caroços de açaí.
“A ideia de empreender surgiu a partir da observação do problema do acúmulo de caroços de açaí nas ruas de Moju e Abaetetuba. Eu vi ali um resíduo em grande quantidade e pouco aproveitado, e comecei a pensar em como transformar aquilo em algo de valor. Foi um processo gradual, com pesquisa e testes, até chegar no desenvolvimento dos biopainéis”, explica o empreendedor.
A empresa surgiu a partir de um projeto de pesquisa e foi estruturada como negócio nos últimos anos. “Eu acredito que nosso trabalho mostra que é possível gerar desenvolvimento econômico sem destruir a floresta. A gente transforma um problema ambiental em oportunidade, gera renda local e ainda contribui para reduzir o desmatamento de forma indireta”, ressalta.
CRIATIVIDADE
Já a empreendedora Silvia Rodrigues Rosa, decidiu comercializar biojoias com o objetivo de proporcionar beleza e sustentabilidade. Localizada na Ilha do Combu, a Biojoias do Combu elabora colares, sabonetes e pomadas, utilizando andiroba, semente de açaí e murumuru.
“A empresa regularizada surgiu em 2025, quando fomos contemplados por um programa do Sebrae, mas nós já existimos há 16 anos como ‘Biju da Silvia’. Trabalhamos com biojoias e artesanato. Tudo é da natureza, como as sementes de açaí, miriti e andiroba”, pontua Silvia.
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