Planbio aposta em cadeias produtivas sustentáveis
Plano Estadual de Bioeconomia fortalece modelo de desenvolvimento sustentável e se torna referência para o país
Criado em 2022, o Plano Estadual de Bioeconomia do Pará (PlanBio) tornou-se uma referência nacional na construção de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sus tentável da Amazônia. Estruturado com foco na valorização da floresta em pé, o programa consolidou o Pará como protagonista na agenda da bioeconomia brasileira e serviu de base para a formulação do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, lançado durante a COP 30.
Ao longo dos três primeiros anos de implementação do PlanBio, as ações do plano já impactaram mais de 400 mil famílias em todas as regiões do Pará, com investi mentos que chegam a quase R$ 1 bilhão, reunindo mais de quatro mil bioindústrias, apoiando mais de 5.500 negócios.
O avanço do PlanBio representa uma mudança de paradigma na forma como o desenvolvimento econômico da Amazônia vem sendo discutido. Em vez de modelos baseados na exploração predatória dos recursos naturais, a política estadual aposta em cadeias produtivas sustentáveis, inovação tecnológica, inclusão social e fortalecimento das comunidades tradicionais.
Desde sua criação, o plano vem articulando governo, setor privado, universidades, povos indígenas, ribeirinhos, agricultores familiares e organizações da sociedade civil em torno de um objetivo comum: transformar a biodiversidade amazônica em oportunidade econômica sem comprometer a conservação ambiental.
FLORESTA EM PÉ
A proposta central do PlanBio é reconhecer a floresta preservada como um ativo estratégico capaz de gerar em prego, renda e desenvolvimento. Produtos como cacau, açaí, castanha-do-pará, óleos vegetais, bioativos, fármacos naturais e insumos da sociobiodiversidade passaram a ocupar papel central nas políticas de incentivo econômico do Estado.
Além disso, o plano prioriza investi mentos em pesquisa científica, rastreabilidade, agregação de valor aos produtos amazônicos e atração de negócios sustentáveis para a região. A estratégia também busca ampliar a participação das populações locais nas cadeias produtivas, garantindo distribuição de renda e proteção dos conhecimentos tradicionais.
Especialistas avaliam que o diferencial do Pará foi transformar a bioeconomia em política de Estado, com metas definidas, governança institucional e integração entre desenvolvimento econômico e conservação ambiental.
REFERÊNCIA
O reconhecimento do PlanBio ganhou projeção nacional. O modelo paraense passou a ser considerado uma experiência norteadora para a elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, apresentado pelo Governo Federal durante a COP 30, realizada em Belém.
A escolha da capital paraense como sede da conferência climática fortaleceu ainda mais o protagonismo amazônico no debate global sobre mu danças climáticas e desenvolvimento sustentável. O lançamento do plano nacional durante o evento simbolizou o reconhecimento de que soluções para a crise climática passam necessariamente pela Amazônia e pelos povos que vivem nela.
O Plano Nacional incorpora princípios já aplicados no Pará, como incentivo à inovação sustentável, fortaleci mento da economia de base florestal, financiamento verde e inclusão das comunidades tradicionais nos processos produtivos.
LEGADO E DESAFIOS
Apesar dos avanços, especialistas alertam que o sucesso da bioeconomia depende da ampliação de investimentos em infraestrutura, ciência, capacitação profissional e segurança jurídica. Outro desafio é garantir que os benefícios econômicos cheguem efetivamente às po pulações amazônicas, evitando concentração de renda e práticas de exploração indevida dos recursos naturais.
Ainda assim, o PlanBio é visto como um marco na construção de um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia. Ao transformar a biodiversidade em oportunidade econômica sustentável, o Pará projeta uma alternativa concreta para conciliar preservação ambiental, geração de riqueza e justiça social.
Com o reconhecimento nacional e internacional alcançado na COP 30, o plano paraense passa a ocupar posição estratégica no debate sobre o futuro da economia verde no Brasil, e reforça a ideia de que a Amazônia pode liderar uma nova agenda global baseada em sustentabilidade, inovação e floresta viva.
Estudo aponta que bioeconomia da sociobiodiversidade movimenta mais de r$ 13 bilhões por ano no Pará
A bioeconomia da sociobiodiversidade movimenta R$ 13,5 bilhões por ano em Valor Bruto da Produção (VBP) no Pará, segundo Relatório Técnico Preliminar coordenado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), em parceria com universidades federais. Baseado em metodologias da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estudo identificou o protagonismo de cadeias como mandioca (R$ 6,5 bilhões), pesca e aquicultura (R$ 2,7 bilhões), cacau (R$ 1,7 bilhão) e açaí (R$ 1,5 bilhão).
Embora o VBP total da agropecuária (R$ 30 bilhões) e da mineração (R$ 140 bilhões) seja maior, os pesquisadores destacam a relevância social do setor, que ocupou 271.410 pessoas e gerou R$ 1,4 bilhão em massa salarial. Além disso, cada real investido na atividade gera R$ 1,13 no PIB estadual, com o efeito multiplicador crescendo ao longo da cadeia: R$ 1,14 na matéria prima, R$ 1,27 na indústria e R$ 1,40 na comercialização.
“A Rede de Bioeconomia é resultado de uma articulação que transcende a formação de um consórcio de pesquisa, representando uma resposta estruturada à necessidade premente de construir um novo paradigma de desenvolvimento para a Amazônia, fundamentado em dados robustos e cientificamente validados”, destaca Marcel Botelho, presidente da Fapespa.
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