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Onde a natureza ganha novas histórias todos os dias

Mais de quatro décadas de ciência, cuidado, recuperação e reprodução de espécies ameaçadas

Imagine um lugar onde cada olhar revela uma descoberta, cada som conta uma história que pode significar um novo capítulo para espécies ameaçadas. Assim é o BioParque Vale Amazônia — um espaço que há mais de quatro décadas conecta pessoas, ciência e biodiversidade de forma inspiradora.

Com mais de 41 anos de trajetória, o BioParque se consolidou como uma das mais relevantes referências em conservação da fauna silvestre no Brasil. Mas aqui, os números são apenas o começo. O ver dadeiro valor está nas histórias que acontecem diariamente — muitas delas, verdadeiros marcos para a preservação da vida.

Entre conquistas que orgulhariam qualquer centro de conservação no mundo, o parque já celebrou o nasci mento de espécies ameaçadas de extinção, como a ararajuba, a arara-azul e o gavião-real. Também fazem parte dessa lista a onça-pintada — em suas versões de pelagem amarela e melânica —, a onça-parda, a anta, a jacupiranga, o mutum-de-penacho e tantos outros habitantes essenciais da nossa fauna.

“O nascimento de um animal ameaçado de extinção reforça a importância de projetos de conservação da biodiversidade. No BioParque Vale Amazônia, o trabalho contínuo para garantir bem--estar físico e comportamental cria condições adequadas para a reprodução destas espécies. E é motivo de orgulho ver que esse esforço responsável tem gerado resultados concretos para a conservação da fauna brasileira”, afirma Nereston de Camargo, médico veterinário do BioParque.

O BioParque é pioneiro no Brasil ao registrar a reprodução de uma harpia em um ambiente de visitação, aproximando o público de uma das aves mais impressionantes das Américas. Além disso, teve papel relevante no Programa de Reintrodução das Ararajubas em Belém, ao encaminhar três filhotes nasci dos dentro do parque — descendentes de pais privados de sua liberdade em decorrência do tráfico de fauna — contribuindo diretamente para a recuperação de populações naturais impactadas pela ação humana.

Hoje, o parque abriga cerca de 360 animais de 67 espécies diferentes, entre aves, mamíferos e répteis. Cada um deles representa mais do que um indivíduo: é um símbolo vivo da biodiversidade amazônica e da urgência de sua preservação.

Ecossistema de cuidado e conhecimento

O que muitos visitantes não veem — mas faz toda a diferença — é a complexa rede de trabalho que sustenta o BioParque. Inte grante da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), o espaço atua alinha do aos Planos Nacionais de Conservação de Espécies Ameaçadas, em parceria com o ICMBio. Essa conexão garante que cada ação esteja alinhada a estratégias amplas, que transcendam os limites do parque.

O BioParque também se destaca pela cooperação com órgãos como IBAMA e ICMBio, acolhendo animais resgatados do tráfico ilegal — um dos maiores desafios à biodiversidade brasileira. Nesse espaço, esses animais têm uma segunda chance: podem viver com dignidade, contribuir para a conservação por meio da reprodução e, sempre que há viabilidade técnica, são encaminhados para projetos de reabilitação, com a possibilidade de reintegração à natureza.

Por trás desse trabalho, existe uma equipe apaixonada e altamente qualifica da: biólogos, médicos veterinários, botânicos e analistas ambientais dedicados a entender, preservar e educar. E, no dia a dia, tratadores garantem que cada detalhe seja cuidadosamente executado — da higienização dos recintos ao preparo minucioso da alimentação. Para se ter uma ideia, cerca de uma tonelada de alimentos é preparada todos os meses, sempre respeitando a dieta específica de cada espécie. O cardápio inclui uma grande diversidade de frutas, legumes, verduras, carnes, peixes, rações especializadas, sementes, grãos e oleaginosas, como as amêndoas — tudo planejado com precisão científica, cuidado nutricional e muito carinho.