Dia Mundial do Meio Ambiente
A reciclagem como caminho para um futuro sustentável e gerador de renda
Além de reduzir a quantidade de resíduos enviados para lixões e aterros sanitários, a reciclagem também contribui para diminuir a poluição do solo, rios e igarapés.
Celebrado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é a ocasião perfeita para reforçar a importância de práticas sustentáveis, como o descarte correto de resíduos e o reaproveitamento de materiais. É uma forma de reduzir impactos ambientais e incentivar práticas sustentáveis. Em Belém, além de contribuir para a preservação do meio ambiente, a reciclagem também garante renda para centenas de famílias que dependem da coleta e separação de mate riais recicláveis.
Apesar de ainda ser uma cidade que enfrenta desafios relacionados à coleta seletiva e ao descarte irregular de lixo, cooperativas e trabalhadores da reciclagem atuam diariamente para retirar resíduos das ruas, canais, bueiros e aterros sanitários. Segundo Deryck Martins, presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), a sociedade ainda precisa de algumas ações para conscientizar sobre a necessidade do consumo responsável e da destinação correta dos resíduos. “Mais do que separar lixo, a reciclagem representa uma mudança de cultura”, afirma.
De acordo com ele, o crescimento urbano e o aumento do consumo tornam cada vez mais urgente a ampliação da educação ambiental. “O crescimento das cidades faz com que a produção de resíduos aumente diariamente. Se não houver conscientização e participação da população, teremos impactos ambientais, sociais e até econômicos cada vez maiores”, destaca. Além de reduzir a quantidade de resíduos enviados para lixões e aterros sanitários, a reciclagem também contribui para diminuir a poluição do solo, rios e igarapés.
Segundo Deryck Martins, a reciclagem possui papel importante no combate às mudanças climáticas. “Quando reciclamos materiais como plástico, papel, vidro e metal, reduzimos a necessidade de retirar novos recursos da natureza. Isso diminui o desmatamento, reduz a exploração de matérias-primas e também contribui para a redução da emissão de gases de efeito estufa”, explica.
Ele ressalta ainda que pequenas atitudes dentro de casa podem gerar impactos significativos a longo prazo. “Reduzir o uso de descartáveis, reutilizar embalagens, evitar desperdício de alimentos e separar corretamente os resíduos já fazem muita diferença. A mudança começa dentro de casa e se transforma em benefício coletivo”, detalha.
FATOR RECICLAGEM
Entre os materiais mais comuns que podem ser reciclados estão papel, papelão, plástico, vidro e metais, como alumínio e aço. Garrafas PET, latinhas, embalagens, jornais e caixas de papelão podem retornar para a cadeia produtiva após o descarte correto.
“O ideal é separar os resíduos em pelo menos duas categorias: recicláveis e orgânicos. Também é importante separar materiais perigosos, como pilhas, bate rias, medicamentos e eletrônicos, que precisam de descarte específico”, orienta o ambientalista.
Após a coleta seletiva, os materiais recicláveis passam por diferentes etapas até retornarem para o mercado. “Os resíduos seguem para cooperativas, centrais de triagem ou empresas especializadas. Depois de separados e prensados, eles são encaminhados para indústrias recicladoras e se transformam novamente em matéria-prima”, detalha.
Na capital paraense, cooperativas realizam diariamente o trabalho de coleta, triagem e encaminhamento desses materiais para a indústria recicladora. Uma das iniciativas é desenvolvida pela Concaves, cooperativa localizada no bairro da Condor, que atua há mais de 20 anos na reciclagem de resíduos sólidos.
“A reciclagem é importante para o planeta, para o cidadão e para a vida. Quando esse material é reaproveitado, ele deixa de ir para os lixões e volta novamente para o ciclo da indústria”, afirma Jonas de Jesus, coordenador da cooperativa.
Segundo ele, a falta de informação ainda é um dos principais obstáculos para o avanço da coleta seletiva em Belém. “O índice de coleta seletiva ainda é muito baixo. Muita gente não sabe da importância de separar o lixo e destinar os recicláveis para as cooperativas”, explica.
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